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Alegria da ignorância ou A solidão da lucidez?

Perdi o contato com o mundo, Será que perdi tudo? As vezes gostaria de estar morto, mas em alguns momentos acredito que preciso viver só mais um pouco.

  Não estou certo se vale a pena qualquer uma das duas opções… Qual o valor da felicidade? Será que ser operário, pai de família, jogar uma bolinha com amigos e acreditar em Deus é o ideal? Talvez sim, talvez não, quem sabe? Sinto um prazer glorioso de saber coisas que ninguém sabe, terminar as frases das pessoas antes delas, realmente sou priveligiado. Reconhecido no trabalho, pelos amigos, pela família mas do que adianta atingir tal grau de sucesso se não posso fazer nada?

  Um pedreiro, 8 horas diárias erguendo muro, carregando cimento, pintando, ele é mais feliz que eu? Um mineiro, passa 8 horas debaixo da terra sem ver a luz do dia, sem saber se ao final do dia e tará com a família, ele é mais feliz do que eu?

  Sem dúvida, alguns acham que sou prepotente, elas tem medo de falar comigo, não sabem como reagir mas se fosse com alguém diferente, sem dúvida, conversariam tranquilamente. Perdi o movimento das pernas mas segui em frente, perdi a fala mas segui em frente, perdi o movimento dos braços e mãos mas segui em frente. Hoje, consigo comunicar com o mundo apenas com uma de minhas pálpebras. Sou vegetal, na verdade não sou não, vegetal não depende de ninguém além de água e uma boa terra. A única coisa que faço independente de alguém é pensar, mas venho refletindo "O que é felicidade"?

  Dúvida maldita, gostaria de ser um imbecil, ignorante, pedreiro ou traficante, iria adorar deitar ao lado de minha companheira, fazer festa ao final de semana, beber compusilvamente. Ao final do dia, olharia para céu e diria – "Que dia grandioso este!" – e daria um mergulho no mar, sentido a diferença sutil de calor ao entrar e sair da água. Olharia novamente para céu estrelado e perguntaria – "Quem será que inventou essa maravilha" – ou – "Será que essas luzinhas ainda existem?" – pegaria minha roupa na praia e ainda olhando para o céu suspiraria – "Por que não consigo ver os buracos negros que tanto falam nos filmes sobre o espaço sideral?" – aí está minha felicidade, saber que ao nascer, davam-me apenas 3 anos, acreditaram que não terminaria meus livros "Uma breve história do tempo" e "Universo numa casca de nós", isso aos meus 20 anos.

  Estou com mais de 60 anos e acreditam que estou entrando na fase final da minha vida, vejo o desespero das pessoas ao meu redor em desenvolver um programa para que possa expressar com elas melhor, afinal, responder "sim" ou "não" é um saco. Minha felicidade? Está em acordar dia após dia, vivo; ver como a humanidade é fantástica, estão terminando o programa para continuar a escrever, minha pálpebra esquerda é meu meio de comunicação com mundo, sei que em breve não restará mais nada e minha mente estará neste corpo nulo. Se pudesse nascer de novo? Não preciso nascer de novo, até a agoniante doença me fez feliz, me fez ser o que sou, com certeza, nasceria novamente com ela.

   Se pudesse entrar na mente de Stephen Hawking hoje, provavelmente estará pensado sobre o tema, escrevi inspirado nesta notícia, espero que ainda viva por muitos anos e muitos anos

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