Como todo mundo está fazendo votos de boas festa também estou desejando Boas Festas. =P
É íncrivel como ficamos refém do cotidiano e do tempo, as pessoas não percebem o tédio que tornam suas vidas e não param para olhar ao seu redor. Estou passando o natal nas casas dos meus pais no Embu das Artes, no caminho parei na Avenida Paulista para comprar os presentes que faltavam e percebi o quanto amo está cidade, com seu trânsito enlouquecedor, sua violência amendotradora, sua facilidade de massacrar as pessoas e viciá-las em cotidiano imbecil e reféns do tempo.
Numa de suas esquinas (esquina do Blackdog), tinha um simpático grupo musical tocando bossa nova e chorinho, conversei um pouco com eles, cantamos um pouco, tomamos algumas cervejas. Eles estavam ali para ganhar uns trocados a mais, seus instrumentos estavam bem judiados e seus rostos era vísivel o quanto a cidade sugou suas energias mas mesmo assim, estavam felizes porque podiam tocar. Agradeci a prosa e fui para FNAC para comprar um dos presentes.
Dentro da FNAC da Avenida Paulista estava um mendigo assistindo Robert Plant e Jimi Page (esqueci o título do DVD), ele estava com uma toca de papai noel, sua trouxa de roupas na costas e conversamos porque raios o baterista do Led Zeppelin (John Boham) tinha morrido. Ainda dentro da FNAC, fui à cafeteria tomar um cappucino e tinha pequena exposição de fotos sobre presídios e traficantes, as fotos pareciam que foram pintadas de tão belas e chocantes. Finalmente tomei um cappucino de verdade, com chocolate de verdade e não aquelas cappucinos prontos que é só adicionar água quente.
Comprado mais presente, parto rumo a Livraria Cultura, paro para comtemplar o presépio do Banco de Boston por alguns minutos. No MASP, não resisto e vou para seu mirante olhar a beleza cinza dos prédios com o fundo deslumbrante da Serra da Cantareira. Andando mais um pouco, em frente ao Banco Real, uma senhora pergunta ao guarda se ainda era possível ver a exposição, o guarda respondeu que sim e ela entrou, fiquei curioso e entrei. Era um presépio enorme, com muitas luzes, uma árvore de natal enorme e muitos bonecos com movimentos automatizados, era uma floresta encantada. No fim dela tinham duas pessoas contratadas para representarem no presépio, um duende e uma fada. A fada, pequena, vestida de branco, cansada e entediada por trabalhar na véspera de natal, sorriu, mas não foi um sorriso forçado, foi um longo e franco sorriso, um sorriso encantador, um sorriso de fada. Ali, ganhei meu presente de natal, não sei o nome da fada, não sei onde mora, se realmente é fada. Pouco importa o que seja, nunca mais a verei mas foi o melhor presente que ganhei neste natal, pergunto-me quantas vezes sorrimos para alguém que não conhecemos?
Livraria Cultura, não chegou minha encomenda, atraso de uma semana. Bom, paciência, fiquei mais uns 20 minutos conversando com uma vendedora sobre Pablo Neruda, José Saramago, Carlos Drummond de Andrade. Sem dúvida, o melhor lugar para comprar livro.
Não restava mais nada, fui almoçar no Toninho Freitas, uma lanchonete com maravilhosos sandubas de picanha, ela fica de frente ao Hospital Emílio Ribas.
É, foi um longo dia mas foi bacana curtir está cidade caótica e fascinante, um belo presente de natal que sampa me deu. =)