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Doping mental

  

 

   O @andrelop fez um pergunta bem instigante para mim no formspring.me. Demorei um pouco para responder pois pensei que a resposta daria um post no blog. :)

   A pergunta:

Você acredita que, no futuro (caso sobrevivamos a 2012), teremos algum tipo de contrabando de substâncias que nos forneçam inspiração ? Inspiração será um "produto" raro, a medida que evoluímos para uma sociedade produtora de informação ?

    

    Inspiração sempre foi um produto raro. E desde que do início da civilização que conhecemos é usado algum tipo de droga. Tanto que o ópio foi motivo de duas guerras[1] que levaram seu nome: Primeira Guerra do Ópio (1839-1842) e Segunda Guerra do Ópio (1856-1860). 

    As primeiras sociedades asiáticas, conhecidas como primeiras formas de civilização organizada, já usavam drogas para auxiliá-los na meditação (budismo). Os egípcios, também, usaram no seu auge como civilização, assim como todas civilizações que tem registro de sua história.

    A inspiração é e será cada vez um produto mais raro e caro, Exemplo disso, é  a existência de diagnóstico de psicólogos/psiquiatras um aumento significativo de usuários de internet com dificuldade de concentração que exijam elaboração/criatividade/concentração. Desde resolução de problemas matemáticos, crítica de um texto ou simplesmente escrever um texto de 40 linhas.

     Um livro interessante que projeta esse cenário é Neuromancer. Aliás, é recomendável que leia a trilogia Sprawl (Neuromancer, Mona Lisa Overdrive e Count Zero).

    Um sintoma do problema da criatividade na época presente, é um artigo do Ladislav Bodnar do Distrowatch. Ele faz análise de um distribuição derivada do OpenBSD. O foco do artigo não exatamente sobre distribuições Linux e a quantidade de derivações sem nenhuma inovação, apenas modificações superficiais.

    Nas universidades, existem alguns alunos que usam drogas para melhorar a performance, melhorar a concentração e as notas nas avaliações. Isso é conhecido pelo mundo e no Brasil foi capa de uma edição da Superinteressante. 

    O futuro breve nosso, usaremos diversos tipo de drogas para melhorar a memória, concentração, síntese, inspiração, etc. Além de drogas químicas, teremos melhoramento genético do cérebro, implante de nanorobôs autônomos para a mesma finalidade. Neste mesmo futuro, quem não tiver acesso à esses diversos tipos de doping será excluído da sociedade, será considerado como um cidadão de segunda classe já que não conseguirá acompanhar o avanço tecnológico da Sociedade da Informação. Este processo já se iniciou nas diversas áreas da sociedade mas nenhuma delas ainda é tão nítida como os analfabetos digitais.

    Também neste futuro, a palavra doping não será mais vista como uma prática ruim. Teremos o doping cibernético, doping digital, doping químico, doping biológico, doping biomecânico, etc. Um exemplo de alguns desses dopings está em Johnny Mnemonic. Creio que quando tivermos essas coisas disponíveis para massa, a "Era" será chamada de Sociedade do Doping (ou um nome mais brando). 


     Provavelmente sobreviveremos à 2012, exceto se tiver algum problema com o núcleo da Terra, uma explosão do Sol ou colisão com um cometa. :)

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