Arquivo da Categoria “Delírios, viagens e alucinações”
Eu sempre evito falar sobre política diretamente por aqui. Na verdade, já faz um bom tempo que eu prefiro até me manter meio alheio a tudo. Já publiquei aqui um pouco da minha opinião sobre os meios de comunicação. Eu dava por satisfeito em ler alguns blogs e uns poucos sites de notícia esporadicamente. E tudo estava bem na minha feliz ignorância. Mas recentemente dois episódios mudaram isso. O primeiro foi que eu voltei a escutar rádio. Quando meu rádio quebrou na minha adolescência, deixei de escutar rádio e me dediquei a minha coleção de CDs. Eu me sentia muito mais feliz escolhendo aquilo que eu iria ouvir. Mudou quando tive que trocar o meu celular por um GSM. O celular saiu quase de graça, com o valor que a operadora me ofereceu para me “incentivar” a trocar de aparelho. Resultado, com R$ 20 do bolso, troquei para um celular com MP3 e radio FM. Além da Kiss FM e da USP FM, passei a escutar a CBN também, particularmente, gosto de escutar de manhã o Heródoto que eu respeito muito, já do tempo que eu acompanhava o jornal da Cultura (o único jornal televisivo que eu consigo engolir). Depois começou a aparecer todo dia de manhã uma edição da Folha de São Paulo na minha garagem. Eu não assino o jornal e não tenho a menor idéia qual o motivo o fez parar por aqui. Só espero que um belo dia não comecem a mandar a conta. O fato é que eu comecei a acompanhar mais a vida política do país nos últimos tempos…
Bom, o Brasil é conhecido pelo seu “jeitinho” já nos tempos do império (não vai me dizer que os índios erram corruptos, vai?). O “Santo do pau oco” já era utilizado pelos mineradores portugueses para sonegar impostos há séculos atrás. Veja que a corrupção não é um problema brasileiro. O caso da Alston revela algo curioso. O fato de uma das maiores empresas da França se envolver em licitações “irregulares” não deve ser tido como inesperado. Nem mesmo a compra da Mafersa pela Alston a preço de banana. Mas a vejam, o fato do governo Frances oferecer incentivos fiscais para que companhias francesas ofereçam vantagens monetários para auxiliar no processo licitatório em outros países é algo muito curioso. Deixa eu explicar de novo: o cidadão francês, paga impostos para o governo francês. O governo francês paga para as empresas francesas pagarem propina nos outros países. Não é lindo? E parece que a prática era legal em vários países civilizados da Europa até alguns anos atrás quando a União Européia começou a pressionar pelo fim deste tipo de prática descarada de corrupção internacional. Isso não parece muito diferente das cartas de corso que legalizavam a pirataria há séculos atrás.
Bom, após toda essa enrolação, vamos a tese principal do nosso texto. Essa história de “Estado de Direito Constitucional” sempre foi uma coisa mal contada. Veja que por mais pretensiosa que a afirmação seja, não é preciso ser um gênio para perceber isso. Vejamos a situação:
- O Estado é dividido em 3 poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário;
- Os juízes não são eleitos, provém de uma casta da população privilegiada. Não existe juiz pobre porque eles ganham um bom salário, de origem pobre é improvável. Se for um juiz de instância superior, isso é quase impossível;
- Os representantes poder executivo e legislativo são escolhidos por eleições livres e diretas. Mas veja bem. Para se eleger, você precisa fazer campanha, afinal para ser votado, as pessoas precisam conhecer você. Na prática, a maioria das pessoas se elegem com através de campanhas eleitorais com rádio, TV, panfletagem, shows, etc. Tudo isso custa uma fortuna. O dinheiro das campanhas vem em parte do próprio governo e dos empresários;
- Os juizes, principalmente das instâncias superiores, julgam em beneficio próprio (não eles considerarem abusiva a greve dos juízes…) e em favor de grandes empresas;
- Os vereadores, deputados e senadores legislam em causa própria (seria muito divertido se todos pudessem aprovar leis para determinar o próprio salário) e em favor daqueles que patrocinaram a sua campanha;
- O executivo governa em causa própria e em favor daqueles que patrocinaram a sua campanha.
Isso me faz lembrar o que de forma simples foi mostrado no vídeo “A História das Coisas” (se você não conseguir entendê-lo em inglês, procure no Youtube que você deve achar uma versão com legendas) que é singular: “As empresas são maiores que o governo”. Simples assim. Gostaria de conseguir dizer tanto com tão poucas palavras. O fato é que os três poderes estão sujeitos o tempo todo aos desejos das grandes empresas.
Bom, um velho barbudo já dizia com infinita sabedoria que o capital quando livre das correntes e regras do Estado nos leva a um resultado muito diferente do esperado pelos economistas que parecem viver como Robinson Crusoe. Ao contrário do mantra do equilíbrio do mercado, o que vemos são monopólios, supersafras, devastação de recursos naturais, populações morrendo aos montes em condições de trabalho sub-humanas com jornadas de trabalho superiores a 16 horas, guerras e por aí vai. Então o tal do Estado como árbitro é necessário para impor condições mais humanas para as empresas. É claro que estas condições, coletivamente permitem que todos vivam num mundo melhor, mas no plano do indivíduo, significa que os empresários tem um custo maior de produção.
Então o que impede que as empresas freiem o impulso corruptor das empresas sobre o Estado? A população, é claro! Bom, nem tão claro assim. Afinal, se é verdade que todo o poder emana do povo, este poder é difuso. Para se manifestar, o poder que emana da população precisa se articular para que exerça força sobre os três poderes. Nós já vimos isso de forma contundente no Brasil. São as revoltas populares, greves gerais e outras formas de protesto. Veja que eu aqui, não fiquei feliz com a greve dos professores que fecharam a Av. Paulista por 3 sextas-feiras seguidas. O trânsito se tornou insuportável. Mesmo assim, isto se tonou coisa rara hoje em dia. Os sindicatos de hoje não são mais os mesmos da década de 80. Veja que as ONGs ou Organizações Não Governamentais, também não o são. Trabalhei numa ONG por um tempo e lembro das sabias palavras de seu presidente “conseguir verba para um grande projeto social é um problema. Nós contratamos um monte de gente para trabalhar no projeto e quando a verba acaba temos que demitir todo mundo. Quando isso acontece a ONG praticamente morre junto”. É assim que os movimentos sociais foram sendo cooptados pelo governo e pelas empresas. Hoje não se fala mais em movimento social e ONG, falamos em terceiro setor e OCIP.
E finalmente chegamos nos partidos políticos que historicamente demonstraram uma grande capacidade de mobilização social. Bom… o Brasil já tem uma legislação eleitoral que favorece esse monte de partidos de fundo de quintal e outras aberrações. Fora isso, o fim da esquerda no país foi um fato perigoso para os rumos do país. Goste você ou não da esquerda, são eles que levam as pessoas às ruas clamando por justiça, aumento de salário, melhora nos serviços públicos e por aí vai. Mas com Ascenção do atual governo federal, as campanhas políticas deixaram de serem feitas nas ruas com seus militantes e passaram a contar com os mesmos recursos e aliados da direita. Resultado: a esquerda foi esfaqueada, e começou uma caça às bruxas interna contra os ditos “radicais”. Enquanto uma nova esquerda se recompõe e a farra do boi vira lei, a sociedade se cala.
Assim fica simples de entender porquê mesmo com tantos escândalos, nada acontece. Nem uma passeata, greve ou ato em Brasília. É claro que você pode chamar tudo isso de baderna. Que tudo isso só serve para atrapalhar a nossa vida. Mas diga você… o que mais se pode fazer? Em todos os países ditos civilizados e do 1º mundo, os protestos ocorrem aos montes ao menor sinal de perigo a sociedade. Aqui, a apatia é tão grande que nos indignamos com o menor sinal de protesto. Eu diria que a aceitação dócil do nosso estado de coisas é alarmante. Por mais que eu goste do Heródoto, ouvir no radio a propaganda do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial enquanto a corrupção vai tomando conta me deixa realmente com vontade de parar e voltar para a minha feliz ignorância. Então meus caros, xinguem, critiquem, neguem, mas jamais queiram ficar sem a esquerda. A não ser que você esteja sentindo saudades da ditadura militar. Afinal, com a censura, todos nós vivianos na feliz ignorância, não é mesmo?
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Já faz tempo que algumas idéias me incomodam profundamente, isto não é segredo para os que já me conhecem. Há tempos atrás assisti há um filme interessante. Chama-se “O Segredo”. Uma amiga comentou, mas não falou exatamente sobre o que o filme se tratava e mediante a uma séria indecisão ao passar na locadora acabei levando. Sim, a curiosidade matou o gato.
Bom, a primeira questão é que o filme não conta história alguma. Não há algo emocionante que é revelado no final. O filme é uma sucessão de falas de narradores que prosperaram graças ao “segredo”. Todos os que assistiram ao filme ou viram o livro sabem do que eu estou falando. Sim, trata-se de auto ajuda. Mas há de se dar um bom crédito a sucessão de fatos e idéias apresentadas:
- Sim, existe o fator placebo. Pessoas que acreditam que estão sendo curadas apresentam melhora natural, mesmo que não estejam de fato recebendo tratamento algum. O efeito placebo é considerado em toda pesquisa científica na área da medicina;
- Sim, energias positivas atraem energias positivas e vice-versa. Se você está deprimido, as pessoas se afastam naturalmente de você pois não gostam de ficar em companhia de pessoas deprimidas. Se você está sempre feliz, você atrairá as pessoas pois elas acharão a sua companhia agradável.
- Planejar o futuro, criar metas e traçar planos são estratégias inteligentes para se atingir objetivos. Não se trata apenas esperar as coisas acontecerem. As pessoas que tomam atitudes certamente se aproximam mais da realização do que aqueles que ficam apenas esperando que as coisas aconteçam.
Não preciso entrar no mérito da religião, energias cósmicas, poderes ocultos do cérebro humano ou outras questões polêmicas para dizer que uma pessoa com depressão pode extrair lições valiosas do filme. Mas… sim, é claro que há um mas… e vejamos bem, não é apenas um, são vários.
A primeira questão que eu gostaria de levantar é a questão da fé. Nunca me esqueço de um discurso proferido por um dado representante de uma dada religião (realmente não vem ao caso qual). ao se pronunciar num ato junto aos seus seguidores relacionou a miséria humana com a falta de fé. É simples, as pessoas pobres são aquelas que não tem fé em XYZ ícone da religião em questão. Então eu vejo aqueles milhares de pessoas que se massacram em sua fé, com esperanças de que tudo irá melhorar, ou então de que este é o caminho da salvação, ou ainda de que está sofrendo uma provação ou castigo divino. Não é fácil dizer quem é pobre e quem tem fé exatamente. Então esta associação é fraca, passível de contraargumentação. Mas é uma pista.
É claro que você pode dizer que se a pessoa tem uma “fé equivocada”, se acredita na religião errada, está condenado a miséria humana. Mas se você é destas pessoas que acreditam que somente uma religião está correta e todas as outras estão erradas, por favor, pare de ler aqui. Você não vai concordar comigo adiante e eu nunca vou concordar com você então não perca o seu tempo, e não desperdice o meu.
Mas deixando de vez a questão da fé, há alguém que começou a trabalhar os males que afetam o indivíduo de forma diferente e trouxe profundo impacto e debate nos meios acadêmicos. Esta pessoa conduziu uma investigação científica sobre o suicídio. Ela descobriu que apesar de haverem fatores psicológicos que levam cada um a se suicidar, existem tendências de as pessoas fazê-lo em maior ou menor frequência dependendo do local e época onde vive. A questão é que o suicídio é também uma questão social e não apenas individual. Há fatores sociais, coletivos, não individuais, que influenciam o comportamento das pessoas. É por isso que psicólogos e sociólogos para sempre duelarão no campo das ciências e eventualmente nos bares e congressos por aí. Mas há um fato inegável. A sociedade oferece uma coerção que influencia na sua forma de agir. Esta coerção pode ser um olhar de desaprovação, uma carta de demissão ou mesmo a repreensão policial. Ela existe.
O que isso tem haver com “O Segredo”? Bom, em primeiro lugar, foram estes estudos que levaram a conclusão de que existem vários fatores que levam as pessoas a pobreza. Você pode até interpretar a ira divina na forma de desastres naturais como a evidência da religião na questão… mas existem outros fatores muito importantes também. E surgem outras explicações mirabolantes. Uma que está na moda hoje em dia é o da falta de escolarização, por exemplo. Hum… faça um exercício, pegue o número de vagas disponíveis que exigem alta escolarização na Grande São Paulo. Agora imagine que por intervenção divina (não vai achar que algum país bom samaritano vai fazer isso, vai?) venha e pegue todos os pobres da cidade e mande-os por 10 anos para as melhores universidades e escolas do planeta. Alimente-os adequadamente, dê formação integral, tudo do bom e do melhor. Traga-os de volta para a Grande São Paulo… tente arrumar emprego para eles… adivinha o que vai acontecer? Vão ficar desempregados e vai haver uma queda nos salários das pessoas que estão bem empregadas devido ao aumento na oferta de mão-de-obra especializada.
Veja, não é falta de estudo ou fé que faz um país inteiro miserável. As pessoas daquele lugar não são más por natureza. Os pigmeus da Africa, quando bem alimentados cresciam normalmente. Eu imagino o povo de “O Segredo” indo para países miseráveis ensinando suas lições valiosas e o tudo mudando em poucos anos… será? Bom, os miseráveis não costumam comprar livros nem ingressos de cinema.
Note que no tom de harmonia celestial do filme, não há mais luta… basta desejar. Você é compelido no filme a não reclamar das coisas. Reclamar vai lhe atrair energias negativas. Não existem mais escolhas, apenas desejos, não exitem direita e esquerda, proletários e capitalistas. Tudo isso some no filme. Basta desejar. O Sr. Charles Wright Mills já se preocupava muito com isso no final da II Guerra Mundial, afinal, a paz e o conformismo chegaram para ficar. Sua preocupação era com as estruturas de poder no mundo. Estruturas que mudam o tempo todo com o passar dos séculos. Mas por incrível que pareça, nós nos conformamos com ela como se ela sempre existisse, e fosse eterna e imutável e não uma construção social, construída por seres humanos de carne e osso como nós. Quando olhamos ao longo dos séculos vemos inúmeras lutas, avanços e reveses no nosso processo civilizatório. Seja qual for o futuro da nossa moderna “civilização”, a questão é que o poder e a dominação, econômica, militar e cultural existe, e a forma de entender o mundo pode e deve ser visto conforme a sua posição nestas cadeias de poder. Entender esta situação, traz a tona um emaranhado de conseqüências capazes de desvendar inúmeros discursos e opiniões sobre a nossa sociedade. Resumindo, existem 4 posições:
- Os reacionários que já estiveram no poder e cobiçam resgata-lo. São aqueles que glorificam os bons tempos passados. O exemplo clássico são os nobres em suas monarquias que foram substituídos por repúblicas. Os reacionários não são velhos e insignificantes. Eles muitas vezes retomam o poder pois acumularam muita força durante seu período de glória. Também não é verdade que eles são obrigatoriamente melhores ou piores que os conservadores. São os que estavam no poder antes e foram depostos por algum motivo histórico.
- Os conservadores são os que estão no poder hoje. Para eles a história acabou. Não existe futuro nem passado e nada deve sair do lugar. A sociedade é como um corpo que deve funcionar de forma saudável e regular. Toda e qualquer disfunção que tente modificar o estado de coisas deve ser tratado como uma infecção a ser combatida e eliminada. Assim os que estão no cérebro e comandam os demais. Comandam os glóbulos brancos, a distribuição dos alimentos e dizem qual é a forma correta de agir para todos os demais;
- Os reformistas, são aqueles que acham que a sociedade não é justa, mas é possível melhorar ela gradualmente até que ela chegue num estado ótimo. Basta que se realizem os ajustes corretos e tudo entrará nos eixos e todos seremos mais felizes. Os reformistas se auto denominam como pessoas de bom censo, pois são um ponto de equilíbrio na sociedade entre os conservadores e os revolucionários. Na verdade se equilibra entre a possibilidade ascenção e o risco de desabar para a pobreza;
- Os revolucionários são aqueles dispostos a dinamitar a sociedade e reconstruí-la pedra por pedra novamente, custe o que custar. Eles sabem que a sociedade é injusta e não acreditam ser possível reformar a sociedade sem mudanças radicais. Os revolucionários são o contra-peso da sociedade que fazem denúncias constantes sobre atual da injustiça social.
Veja que a sociedade oscila entre estas posições, e vão de um lado para outro conforme suas posições no tabuleiro mudam. Este é o real segredo dos discursos na humanidade. A luta pelo poder jamais sumiu do mapa e ela rege a nossa vida de forma avassaladora. Wright Mills se preocupava sobre como as pessoas deixaram de se preocupar com isso e passaram a resolver seus problemas no divã ou na religião. A riqueza e a pobreza não podem ser vistas apenas no plano individual. São fenômenos coletivos e construídos historicamente. Não importa o quanto você pague ao seu analista ou quanto você se penitencie, estas forças continuarão atuando sobre você. Vender livro de auto-ajuda é fácil, mas acabar com a miséria humana não. Há pessoas lutando para manter o seu poder sobre as demais e há multidões tentando não serem esmagadas. Enquanto você fica apenas desejando a abundância e a prosperidade… alguém está pensando em como as engrenagens da sociedade funcionam.
Alguém aí já pensou se realmente é possível prover com abundância tudo aquilo que desejamos para todos? Imagine por exemplo quais são os bens mínimos que uma família moderna precisa para sobreviver? Uma casa com um fogão e uma geladeira? Não haveria reservas de metal suficiente para produzir os milhões de geladeiras e fogões para todas as famílias do planeta. Não haveria eletricidade e gaz para alimenta-los. Veja o desastre ambiental provocado pelo aumento de consumo na China. Os recursos naturais são escaços, não há o suficiente para todos. A única saída está realmente no coletivo e não no indivíduo. É o transporte público, o restaurante comunitário, o não consumismo e o fim dos bens descartáveis.
Será que é isso que você deseja? O fim de todo o conforto sonhado? Bom, se você pensa no conforto possível para todos, talvez estas sejam as únicas alternativas viáveis. Mas será que as pessoas que já desfrutam de muitas das comodidades modernas como o carro, o microondas, os produtos eletrônicos, a comida pelo telefone e outras tantas coisas que gostaríamos de ter e não estão tão longe dos nossos dedos estão dispostas a abrir mão delas? É claro que não. Mas a questão ambiental pode ser facilmente contornável se apenas alguns tiverem acesso a estes bens…
Onde você está? Como você pensa? Você acredita em auto-ajuda? Até onde? É possível uma sociedade melhor? Para todos ou só para alguns? Como esta sociedade seria? Será mesmo vivendo num dos países com maior desigualdade social do mundo nós conseguimos ficar indiferente a tudo isso? Basta colocar mais policiais nas ruas para que pessoas como o Luciano Huck não tenham seu relógio rolex roubado? O mundo vai acabar amanhã? Você fará o que for preciso se prometerem não acabar com a cerveja no planeta? Deixe seu comentário… a porta está aberta!
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Lembro-me de uma palestra do Sr. Sérgio Amadeu dirigida a um público de professores. Ele fez estremecer e até causou indignação na platéia com a famosa paródia do professor que vivia há mais de 100 anos atrás e se teletransporta para os dias de hoje. Ao ser colocado numa sala de aula ele reconhece os mesmos instrumentos de seu tempo: o giz e a lousa. Ele entra em sala e assume o controle como se nada houvesse mudado. É claro que a paródia é uma provocação, mas traz um fato curioso: a aversão de muitos professores à tecnologia na educação. Há um lado sombrio da tecnologia que a cada dia mais quer substituir a relação direta entre professor e aluno por máquinas. Isto não é de hoje. Na década de 60 o governo criava um programa de educação por rádio. O detalhe é que a intenção era alfabetizar adultos… você consegue imaginar um adulto analfabeto aprendendo a escrever só de escutar um programa no rádio? Depois vieram os Telecursos onde uma pessoa colocava uma fita num vídeo cassete para uma classe e ia embora. Esperava-se que a classe conseguisse aprender assim. Também não deu certo, é claro. Hoje as tentativas de educação a distância apostam todas as suas fichas na Internet e a onda da Web 2.0 . Se é bom ou não, o tempo vai dizer. Sei que as pessoas autodidatas aprendem via Internet participando de listas de discussão, IRC, lendo artigos e livros muito antes de toda essa moda. Mas a média da população não é autodidata. Na verdade, a média da população lê muito pouco e lê material de baixa qualidade. Não quero desmerecer as pessoas que gostam de ler “Bianca”, “Revista Caras” ou gibi da “Turma da Mônica”. A questão é que se trata de uma literatura que não convida o leitor ao raciocínio e apelam muito para imagens de pessoas e ações. Idéias, são artigos raros. Da mesma forma, a Internet reproduz esta pobreza intelectual da mídia impressa, televisiva e radiofônica.
Com um histórico desses, não é a toa que tantos professores tenham medo de tecnologia. Um dia um professor me disse: “Eu não tenho nada contra tecnologia, eu apenas continuo acreditando numa coisa chamada professor”. E esta é uma coisa fantástica. A relação professor-aluno e o efeito do conjunto é muito importante. Por mais que os nossos colegas hackers autodidatas se comuniquem frequentemente a distância, os eventos presenciais são sempre muito importantes. Assim sendo, mesmo para a nata dos intelectuais, mesmo entre os mais acostumados com tecnologia, o contato presencial é fundamental e valioso.
No Brasil, o buraco é mais embaixo. Este buraco vem de um longo investimento da delapidação da educação. Isto começou no auge da ditadura militar em 68 e o impacto disso levou décadas para ser percebido. Digamos que alunos e professores que gostavam que criticar o governo não eram bem vistos. Alguma coisa tinha que ser feita. E foi feito. Apesar disso, houve um notável avanço da educação no final da década de 80 sob a bandeira da “Educação pública, gratuita, laica, de qualidade com acesso e permanência para todos”. Foi um movimento de reação ao fim da ditadura militar. O ensino público foi universalizado no Brasil como direito de todos e um dever do Estado. Novas propostas de ensino saíram de pequenos grupos de ensino e ganharam as escolas públicas. Foi um período de grande efervescência no Brasil. Paulo Freire ainda vivia e foi reconhecido pela sua obra dentro do seu país natal.
Mas a década de 90 foi cruel para a educação. Enquanto se ampliava o atendimento público no ensino fundamental, o investimento na educação diminuiu constantemente ao mesmo tempo em que a obrigação do Estado com outras modalidades de ensino eram reduzidas. O chamado custo/aluno caiu drasticamente e o salário dos professores foi mais uma vez achatado. A nova pedagogia que ganhava força na década de 80 foi reformulada e implantada sem o menor critério ou preparação. Temas transversais, construtivismo e ciclos foram empurrados para os professores que a esta altura já tinham passado por um ciclo completo de degradação: tiveram eles mesmos uma má educação básica, uma má formação em nível superior, uma má formação continuada no local de trabalho, um péssimo salário e condições de trabalho muitas vezes dignas de um presídio. Com a implantação equivocada dos ciclos e a aprovação automática, o governo ganhou números espetaculares de atendimento e um consequente aumento no IDH. O número de alunos ingressando no ensino médio e depois no ensino superior explodiu. Os famosos supletivos se transformaram em universidades particulares da noite para o dia, com uma qualidade tão duvidável quanto a dos supletivos que eles mantinham. As universidades particulares cresceram tanto que parecem grandes shoppings da educação. O professor desta faculdade se tornou um elemento indesejável numa transação entre o aluno e a faculdade. A faculdade quer vender o diploma, o aluno quer comprar e o professor fica lá no meio atrapalhando ambos. E eis que surge a educação a distância melhorando a transação comercial onde o professor já quase não atrapalha mais!
Há alguns anos atrás eu recebi um convite informal para analisar os dados do SAEB. Eu gostaria de comentar extra-oficialmente algumas conclusões interessantes. A primeira é que o SAEB não serve como amostra estatística fidedigna, uma vez que a forma como os dados são coletados são ruins. Não é feita uma amostragem estatística (a mesma que fazem nas pesquisas eleitorais) o que gera uma enorme distorção. A forma como o questionário é criado e preenchido também gera inúmeros problemas. Em resumo os cruzamentos estatísticos revelaram inúmeros furos nos dados. Então o máximo que podemos avaliar são algumas tendências, mesmo assim frágeis sob o ponto de vista científico.
Houve uma tendência em particular que chamou atenção na época. Havia uma pergunta sobre cursos extracurriculares. A maioria das pessoas que fizeram cursos de línguas estrangeiras tiveram notas bem acima da média. Outros cursos extracurriculares também apontavam para uma pequena tendência de notas acima da média com apenas uma exceção: informática. Isso mesmo, as pessoas que faziam apenas cursos de informática tinham em geral uma nota abaixo da média. Não é curioso? Não é não… pense bem… não é tão difícil assim para um jovem aprender a utilizar os recursos básicos de um microcomputador moderno sem fazer um curso.
Acredito que 90% dos cursos de informática, mesmo os mais avançados, sejam destinados a pessoas com dificuldades de aprendizado. Dificuldades que surgiram na sua educação básica. Dificuldade em pesquisar, comparar, criticar, esquematizar, resumir. O que lhes foi negado em sua educação básica foi o que as teorias Paulo Freire mais proclamava em seus livros: a capacidade de aprender a aprender, o senso crítico e a capacidade de ação para a transformação da sociedade. A informática pode ser uma ferramenta fantástica para desenvolver estas qualidades, mas se estes não forem despertadas já no ensino fundamental, de nada servirá. Investimentos em laboratórios de informática nas escolas, OLPC, podem ser muito interessantes para estimular a economia, mas tem um impacto negativo na educação se não tiverem um projeto pedagógico forte, com professores bem remunerados, com boa formação, salas menos superlotadas, tempo de planejamento de aula, e por aí vai. Lembro-me de uma ONG que montou um laboratório de informática no meio de uma tribo indígena. Foi muito bom, despertou a atenção da mídia e a ação ganhou muito destaque. Mas, veja bem… qual o impacto disso para os índios mesmo?
Tudo isso para chegar no ponto de comentar esta pesquisa que afirma que os alunos que pesquisam no computador tem pior desempenho na escola. Curiosamente a conclusão foi obtida com os dados do SAEB. Longe de questionar o resultado da pesquisa, parece que os dados fazem muito sentido para mim. Já não bastassem todo o caos da educação, pública e privada, chega agora essa tal de Internet para sacanear o professor outra vez! Anos de aprendizado copiando ditados, livros didáticos e enciclopédias nos trabalhos escolares deram vez agora a Internet. Ficou estupidamente fácil copiar sem esforço. O trabalho mecânico ao qual os alunos foram submetidos por anos a fio substituídos por alguns cliques no computador. Há professores que ainda se julgam expertos e exigem os trabalhos manuscritos. Então os trabalhos não são copiados mais manualmente do livro para o papel, são copiados manualmente da tela do computador para o papel. Genial, não?
A verdade é que os professores com má formação e maus salários, tendo que dar aula em duas ou três escolas para sobreviverem, mal lêem os trabalhos dos seus alunos. Se para alguém isso ainda lhe parece novidade, pense apenas que corrigir um trabalho de um aluno dá muito trabalho. Ocorre que os professores recebem praticamente apenas para trabalhar na sala de aula. O tempo remunerado para a preparação de aulas e correção de provas e trabalhos é quase nulo. Ou seja um bom professor tem de ser um herói para dar uma boa aula. Agora percebam que o professor está sendo destituído de suas poucas armas: a reprovação e a cópia. É claro que os professores poderiam fazer uma busca rápida na Internet e verificar se o texto foi plagiado ou não. Ao ler um trabalho de um aluno que você julga conhecer, você sabe quando ele está copiando ou quando ele está escrevendo com as suas próprias palavras. Mas isso dá trabalho, exige que você leia, que tenha acesso e tempo para pesquisar na Internet. Acima de tudo, isto exige que você ensine seus alunos a escrever, e isso sim dá muito trabalho. Não é a toa que vemos tantos alunos analfabetos funcionais cursando o ensino médio e faculdades particulares e ainda tirando boas notas.
No nível superior, as coisas se complicam um pouco mais, pois a questão da validade da informação começa a pesar nos braços dos poucos professores sérios. Não seria inteligente rejeitar como fonte de pesquisa a Internet como um todo. Mas também não é possível credenciar qualquer página da Internet como fonte válida para uma pesquisa acadêmica. Está posto aqui mais um complicador inusitado na vida dos professores. É bem verdade que não é porque um texto está impresso num livro em papel, isto signifique que ele é absolutamente digno de confiança. É bem verdade que os estudantes das “UNIBLA”s e “Faculdades Tabajara” deixaram há muito tempo de lerem os autores tidos como “clássicos” para utilizarem abordagens mais pragmáticas como os livros didáticos, apostilas e outras obras pasteurizadas. Lembro-me que faculdade eu recebia no começo de cada disciplina a bibliografia. O professor separava o material que ele considerava relevante para o aluno, como bibliografia obrigatória e complementar. Não haviam apostilas, não haviam livros que resumem as idéias de vários outros livros. A Internet só vem agravar mais ainda esta falta de seriedade no ensino. Uma vez que o livro didático e a apostila são a base da leitura do curso, como desabonar a enxurrada de artigos encontrados na Internet? O mais complicado é que em meio a artigos muito ruins com erros conceituais gritantes, você encontra material muito interessante, num formato mais interativo como blogs e fóruns. A agora, o que fazer?
Apesar de ter carregado com cores fortes as palavras aqui, eu diria que o buraco em que nos encontramos hoje não é tão feio quanto o pintado aqui… é muito pior! Os projetos como o OLPC são muito interessantes. Respeito muito a idéia do Sr. Negroponte. Mas com os investimentos tão pequenos na educação, eu ficaria muito feliz em ver os meus impostos sendo canalizados para esta coisa antiquada e fora de moda chamada professor.
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Hoje vi um recorte de jornal falando sobre um grupo de vândalos que faz pichações nos muros das ruas com menções a escândalos políticos. Já não é a primeira vez que eu vejo o uso da palavra Vândalo para se referir a atos de destruição e selvageria. A maioria das pessoas sabem que os Vândalos foi mais um dos chamados “povos bárbaros”. Lendo um pouco mais, descobrimos que eles eram de origem germânica e migraram diversas vezes pela Europa até se instalarem no norte da África ocupando a região de Cartago. Ocorre que eles um dia invadiram Roma e a saquearam por duas semana. A riqueza saqueada por eles tinha como fruto os saques romanos, particularmente a pilhagem romana nos templos de Jerusalém. Resultado, ladrão que rouba ladrão…
Mas a história contada pelos Romanos sobreviveu, e tudo que não era Romano nesta época era considerado Bárbaro. E assim, os Vândalos foram crucificados como o sinônimo de saqueadores inescrupulosos. Bom… os Japoneses chamam os não japoneses de Gaijin, os Texanos (cujo território fazia parte do México) gostam de praticar tiro ao alvo com os Mexicanos, os paulistas e cariocas também vivem tirando sarro um do outro e jogo de futebol entre Brasil e Argentina é sempre um evento a parte. Mesmo assim os Vândalos se deram mal na história enquanto os Romanos são considerados pelo ocidente como o berço da civilização.
Mas os nossos jornalistas são mesmo impagáveis. Ao invés de tratar uma manifestação pública como uma expressão popular (o que era muito comum nas décadas de 60 e 70), tratam eles como lixo humano. É claro que só a imprensa tem o papel de porta voz da verdade. Como ousa um pixador de muros fazer acusações infames pelos muros cidade? Manifestações populares são sinônimo de barbárie. Lembro-me de uns anos atrás quando eu estava trabalhando nas imediações da Av. Paulista e um grupo de professores realizavam uma manifestação na avenida quando se ouviu barulho de tiros. A cavalaria havia passado por cima dos professores sobre ordens do comandante. O mais curioso é que as pessoas no trabalho aprovavam o gesto com entusiasmo e só faltaram aplaudir a polícia. Bom, minha mãe é professora, fez mestrado e tem um currículo que enche fácil mais 50 páginas. Curiosamente, ela ganha menos que eu que tenho uma carga horária menor e trabalho ativamente há apenas 6 anos com informática. Curiosamente estas pessoas que refutam as manifestações populares são as mesmas que pregam que a população é mal escolarizada. Curioso, não?
Não vou aqui enaltecer a memória dos Vândalos nem os pichadores, mas a cada dia que se passa leio menos jornal e acompanho mais os canais de mídia independente. Pelo menos eles não se auto-intitulam como porta-vozes da verdade.
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Fim de ano é sempre bacana, mas cansa. Depois de 5 anos eu finalmente consegui tirar uma semana de descanso entre o natal e o ano novo. Imperou a lei do mínimo esforço. Nada de passar o ano novo na praia e pegar aquele trânsito infernal, nada de filas colossais, etc e tal. Foi bom, mas tem algo que dá muito trabalho nesta época. Por uma convenção coletiva, pessoas que você nunca viu na vida ou que nunca lhe dirigiram um único sorriso sincero resolvem lhe desejar um monte de coisas. Nada contra. Acho que os laços de fraternidade são sempre positivos e devem ser incentivados. Na verdade, verdade mesmo, acho que a gente passa muito tempo desejando e pouco tempo realizando. Afinal, intensão nesta terra não vale muita coisa, nem mesmo por escrito. Mais que isso, existe aquela coisa compulsória de que um dia específico tem que ser o mais importante do ano. Meu pai já me dizia que a pior coisa que se possa desejar para uma noiva é que o dia do seu casamento seja o mais feliz da sua vida. Isto significa que todos os outros dias depois serão sempre piores!
Não, isto não significa que eu odeie as festas de fim de ano. Muito pelo contrário, eu sempre adorei, com raras exceções. Veja, tenho lembranças de natais excelentes com a família quando eu era garoto. Passei o ano novo com amigos em viagens inesquecíveis na adolescência. Hoje me divirto com meus filhos, monto os brinquedos deles, solto rojão, etc. Mas calma lá. Primeiro há quem não comemore o natal. É verdade, o cristianismo não é a única opção existente na prateleira das religiões. Os judeus comemoraram Hanucá, os muçulmanos o Eid ul-Fitr, os discordianos comemoram o Dia de St. Tib e por aí vai. E não são só os feriados religiosos que não batem… imagine que 1/4 da população do mundo vai comemorar o ano novo em 7 de fevereiro, detalhe, a entrada do ano 4705. Sim, estou falando do ano novo chines.
Não é só o comércio que adora datas comemorativas como dias dos pais, das crianças, dos avós etc e tal. Existe um fetiche com datas: data de aniversário, data do primeiro beijo, do casamento, do batismo. Há os mais entusiastas que lembram do dia em que andaram pela primeira vez de bicicleta, conseguiu o primeiro emprego, tomou o primeiro porre, bateu pela primeira vez o carro e por aí vai. Prefiro ainda as pessoas que esquecem a data do próprio aniversário mas não se esquecem de lhe convidar para tomar uma cerveja na sexta-feira!
Calendários são coisas realmente curiosas. Não apenas o Calendário Chines, que foi reformado dezenas de vezes. No Calendário Hebreu, o ano um, que é o ano da criação, começou em 3761 AC. Assim, para eles, estamos no ano de 5769 e não havia mundo antes disso. Pelo Calendário Islâmico estamos no ano 1428, o marco zero é a migração de Maomé de Meca para Medina. Um detalhe, o ano deles possui apenas 354 dias (12 ciclos lunares) e não 365 dias. Na Terra Média, a 4ª Era se inicia com a destruição do Um Anel por Frodo. Aparentemente os calendários surgem em situações não tão diferentes das propostas por Tolkien.
Os limites epocais são geralmente definidos por grandes momentos históricos, como o início de um novo regime político ou uma revelação divina. E vira e mexe tem alguém querendo mexer nos calendários. Ocorre que o calendário mais usado no mundo é o Gregoriano, que tem como limite epocal o nascimento de Cristo que, convenhamos, ninguém sabe bem ao certo quando e onde foi. O primeiro dia do ano também variou em muitos lugares, geralmente se adequando a feriados religiosos ou políticos. Os romanos que passaram a comemorar o ano novo no 1º de Janeiro também mudaram de data várias vezes. Veja que o tamanho do ano é algo que também variou muito até Júlio César colocar ordem na casa (e criar um mês com o seu nome).
O problema é que Deus fez o mundo com muita pressa e criou uma confusão para os astrônomos. Se Deus fosse mais cuidadoso, estudaria um pouco mais de matemática e facilitaria um pouco mais a nossa vida. Veja você que o calendário solar e lunar não batem nunca. Uma lunação sempre tem 28 dias. Mas o ano não tem um número exato de lunações. Um mês não corresponde a uma lunação. Um mês sequer tem um número fixo de dias. Assim os dias da semana que são regidos pelo calendário lunar, nunca batem com os meses que são divididos pelo calendário solar. Mas a coisa não para por aí. Nem mesmo um ano compreende um número exato de dias, são 365,2425 dias por ano. Aí toda a nossa vida fica complicada com anos bissextos e outras traquinagens. Para complicar mais… o tamanho dos dias não é composto por exatamente 24 horas de 60 minutos com sessenta segundos cada. Sobram 0,002 segundos por dia! Isto representa 0,7 segundos por ano. Mais ajustes nos relógios são feitos a cada 18 meses. Isso é uma verdadeira maldição. Os sysadmins e economistas se autoflagelam todo dia pedindo a Deus que isso mude um dia.
Bom, no caso dos segundos, a culpa é nossa mesmo, afinal, nós não criamos os períodos de movimentação da terra e da lua, mas nós inventamos o segundo. Alias, nós o reinventamos várias vezes. Um segundo, hoje, equivale a 9.192.631.770 períodos da radiação característica do Césio 133. Um detalhe bizarro é que em 1997 fizeram uma pequena alteração na definição, restringindo o teste a um único átomo de Césio na temperatura de zero Kelvin. Isto significa que o segundo é uma unidade de tempo que ninguém jamais mediu segundo a sua própria definição.
Mas bizarro mesmo é a definição das datas comemorativas mais antigas como a Páscoa. A data da Páscoa foi motivo de muito debate em 365 DC, no famoso Concílio de Nicéia. Para começar a conversa, o Calendário Hebreu era lunar e calcular a data exata da morte de Cristo não era tão simples assim. Em segundo, na época haviam outros feriados que poderiam coincidir. É claro que um concílio com gente de tudo quanto é lugar ia dar problema, pois cada um tem seus próprios feriados. Isso é tão fácil como querer agendar uma reunião de diretores sem a presença do presidente. Bom, o fato é que até hoje tem gente que comemora a Páscoa em outra data. O conselho falhou miseravelmente. Resultado, o feriado, bem como uma série de outras questões religiosas dependem de escolhas humanas e não divinas. Não imagine um feriado específico comemora um número inteiro de vezes que a terra girou em torno do sol a partir de uma data histórica. A chance de comemorarmos com alguma precisão um evento que ocorreu há mais de 2 mil anos é muuuito remota. Sorte dos historiadores que vão ter emprego para o resto da vida.
Para os ocidentais cristãos e principalmente para os brasileiros, a Páscoa é o segundo feriado mais importante do ano. Afinal ela regula a data de uma série de outros feriados incluindo o mais importante deles: o carnaval. Todo brasileiro sabe que o ano só começa depois que as pessoas se curam da ressaca do carnaval (com a notória exceção da Bahia onde os cientistas ainda não chegaram a um consenso se o ano chega a começar algum dia). Assim sendo, o dia 1º não tem nenhum significado civil para nós. Alguém inventou o dia da confraternização universal, mas para nós é mais uma desculpa para bebemorar. De qualquer forma confraternização para valer ocorre no carnaval. Ponto final.
Para quem mora em cidades grandes como São Paulo, os feriados são uma verdadeira praga. Apesar disso, quem trabalha com TI pode não se importar tanto. Não existe melhor data para migrar um banco de dados em produção do que um bom feriado prolongado. Por outro lado, quem trabalha como PJ e ganha por hora sabe que feriado é sinônimo de prejuízo no bolso. Enquanto os outros aproveitam para lotar as estradas e cinemas, você apenas vê seu salário sumir. Por mim, até os finais de semana deveriam ser intercalados. Esse negócio de todo mundo folgar no domingo é uma encrenca. Se eu pudesse escolher, jamais tiraria folga num domingo. O planeta tem gente demais para todos quererem folgar no mesmo dia.
Ao fim e ao cabo, a questão é que o fim de ano é um exagero. Um grande exagero. Não tem fundamento religioso ou científico. É uma convenção coletiva e ponto. Graças aos filtros anti spam eu já nem vejo aquelas centenas de e-mails com anexos com slides coloridos com música da Simone ao fundo. Cartões Virtuais executáveis não rodam nativamente no Linux, o que significa que aquela enxurrada de vírus que chegam no fim do ano também não chega aqui. Mas fica a obrigação de cumprimentar e ser cumprimentado por todo mundo.
Vou lhe dizer, isto dá mais trabalho do que se imagina. Cada um vem com uma receita mais comprida que o outro. Há quem decore um discurso inteiro para cumprimentar as pessoas. Todos só querem o bem dos demais, mas expressar tudo isso é muito demorado. Deveriam inventar alguma expressão idiomática para encurtar a história toda. Eu desejo a todos um “Kit Felicidade” com tudo que você quiser dentro. Você quer saúde? Tem primeiros socorros e plano de saúde 5 estrelas no kit. Tem até receita para emagrecer sem dieta! Você quer prosperidade? Tem Tele Sena premiada para toda família no kit. Você vai inclusive aparecer no Sílvio Santos! Paz? Tem tropas da ONU garantindo a paz mundial no kit; junto com cerveja, terapeuta ou incenso, dependendo da sua convicção. Enfim, se eu esbarrei ou não com você no fim do ano e não cumprimentei ou escutei você adequadamente, então não se incomode. Desejo um kit felicidades cosmopolita e ecumênico para você. Não só hoje ou no ano novo, mas todos os dias. São os mais sinceros votos que eu tive a competência de escrever. Mas veja, ninguém pode dizer que meus votos não são realmente sinceros, e isso deve valer alguma coisa. Quase tanto quanto a sua paciência de ler até aqui.
Tags: calendar, holiday, religion, vacation
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O Jack me convidou para escrever sobre este meme (que é uma expressão que subverte o significado original da palavra para disfarçar o que na verdade não passa de uma corrente entre blogs). Após alguns bons dias sem postar nada, acordei de ressaca de um pileque moderado - mas merecido e até necessário - com inspiração para escrever sobre o assunto.
ALERTA: Este é um texto longo e pessoal. Se você não conhece o autor deste blog , não está com a menor intenção de conhecer ou não tem a menor paciência de ler filosofia barata de pós botequim, não leia e não comente. Você está avisado.
A primeira coisa que aprendi sobre blogs, é que para ser um blogueiro você deve ler outros blogs. Se você espera que alguém leia o que você escreve, então é de se esperar que você leia o que outras pessoas escrevem. É também parte de uma tradição onde os bons escritores devem ler mais do que escrever. Por tabela tem aquele ditado de que o ser humano tem uma boca de duas orelhas, para ouvir mais e falar menos. Confesso que eu muitas vezes falo mais do que escuto. Mas vivo procurando outros blogs que falem sobre bancos de dados também. E vou lhe dizer, os DBAs não gostam muito de escrever. Quando encontro algum em pt_BR é uma vitória. Já cheguei até a escrever aqui e aqui só para comemorar quando encontrei algo novo.
- Egocentrismo e Jornalismo
A segunda coisa que todos que acompanham a “blogosfera” já sabem é que o povo adora falar sobre blogs. Muitas vezes isso realmente torra a paciência de qualquer um. Picuinhas via blogs atacando o que fulano escreveu sobre beltrano e por aí vai. Ou então a apologia dos blogs e a mídia formal, etc e tal. Como não sou jornalista, esse assunto costuma me entediar.
Na verdade eu já tive muita vontade de fazer jornalismo. Participei pela primeira vez de um jornal na escola fazendo jornal mural na 3ª série do ensino fundamental e nunca mais parei. Fui diretor de imprensa do grêmio da escola técnica que cursei e escrevia editoriais para o jornal “estopim” que criamos. Mas eu já tenho uma irmã jornalista (espero que ela não leia isso), trabalhei com jornalistas, e tive um caso ou outro com jornalistas também. Vou lhe dizer uma coisa, eu acredito no poder dos editores, nos baixos salários dos jornalistas e na força das assessorias de imprensa - que são as pessoas que mais escrevem artigos para divulgar os produtos ou idéias dos seus clientes e curiosamente nunca vêem o seu nome nos artigos publicados.
Descobri também que em geral os melhores artigos publicados não são de jornalistas. São de pessoas de outros ramos que tem alguma coisa a dizer sobre um assunto específico. Então desisti do jornalismo e fui cursar Ciências Sociais. Falem bem ou mal, mas eles escrevem artigos bem mais interessantes - ok, muitas vezes mais chatos e metidos também! O fato é que o jornalista é uma pessoa que parece (digo parece, porquê eu nunca cursei jornalismo) criada para falar sobre qualquer assunto, o que é no mínimo perigoso. Lembro que na USP o curso de jornalismo da ECA possuía uma carga horária enorme de cursos que eles poderiam fazer em qualquer outra faculdade. É claro que nas Ciências Sociais nós também tínhamos este privilégio. Então eu fui fazer “Teoria de Bancos de Dados” na IME e também uma matéria na ECA que não me lembro bem qual o nome.
Mas lembro que o professor contava muitas histórias interessantes, particularmente sobre como os editores dos jornais se comunicam para adulterar notícias em vários meios fazendo uma mentira se transformar em verdade oficial. É claro que se o Cardoso tivesse um caso concreto desse na mão ele faria a festa contra o Estadão e suas Monkey News. Bom, talvez ele tenha mas prefira não baixar tanto o nível. Mas se vocês duvidam de como isto pode funcionar, veja as brincadeiras do Mr. Manson, que por mais que tenha ficado sem pique de escrever, foi um gênio ao criar o dia do caos. De qualquer forma, um profissional de qualquer área que não consiga fazer auto crítica está fadado a mediocridade. Mas o professor da ECA também indicou um livro de um Italiano chamado Vito Giannotti. E quando olhei o livro, vi que eu tinha ele na minha prateleira, e na verdade o próprio autor tinha me dado o livro de presente. Confesso que não li o livro, mas depois de conhecer um jornalista desbocado de sandálias que fala o que pensa e põe a cara para bater, fui obrigado a perdoar todos os jornalistas medíocres que eu já conheci, e olha que não são poucos. De qualquer forma, com raras exceções como o Contraditorium, a maioria dos blogs que fica no “flap flap flap” sobre blogs, é muito chato. Mas cá estou eu escrevendo sobre blogs…
Confesso que quando criei este blog, ele tinha uma viés de sociologuês no começo. Eu estava na minha fase de deslumbramento sobre o Software Livre e fiz um pouco de apologia sobre o assunto. Não tão bem quanto outro eminente sociólogo (que cursou a mesma faculdade) o Sr. Sérgio Amadeu, mas escrevi algumas coisas aqui e acolá. Em alguns eu me soltei mais e escrevi coisas mais extravagantes como em “Café Cerveja e Software Livre!” e em “Software Livre e o Último Samurai“. Também fiz a primeira tradução de um artigo do Sr. Josh Berkus chamado “Os Cinco Tipos de Projeto de Código Aberto“. Cheguei a ganhar um comentário do autor. Aí me empolguei e traduzi outras coisas, mais técnicas, depois entrevistei ele e outros desenvolvedores do PostgreSQL e finalmente tomei uma cerveja com ele antes do FISL deste ano. Curiosamente o meu lado jornalista me fez ajudar a criar o DebianZine que foi uma idéia do Fike de criar um fanzine sobre o Debian que infilismente só chegou a ter 4 edições. O fato é que nos meus únicos dois artigos no DebianZine, nenhum deles era técnico.
Passei muito tempo aqui no blog postando sobre o PSL-ABCD. Na verdade, um dos primeiros posts deste blog foi a “Carta de Santo André” que ajudei a escrever, mas infelizmente não estive presente quando ela foi lida e o PSL-ABCD foi criado. Ajudei a organizar 3 fóruns e outros eventos do PSL-ABCD. Um belo dia eu estava no canal do Debian-BR no IRC e o Faw estava comentando sobre um post que escrevi sobre algumas desventuras como DBA e outra pessoa comentou no canal: “Outro post filosófico sobre como não precisamos precisamos de programadores de sim de liberdade?”. E o Faw educadamente respondeu: “Não, este é técnico”. Aí eu percebi que estava na hora de escrever mais coisas técnicas, e admitir que existe um fundo de verdade na expressão “Show me the code”. Para meu azar, eu continuei encontrando bancos de dados com VARCHAR na chave primária…
Aos poucos eu comecei a me afastar do PSL-ABCD e resolvi estudar mais e publicar coisas mais técnicas. Foi nesta época que surgiu o nome atual do Blog: “SAVEPOINT” que era uma alusão ao lançamento da versão 8.0 do PostgreSQL que implementou esta funcionalidade (que eu nunca usei até hoje) mas que parecia um nome bacana para o blog. Com o tempo o “Telles” sumiu do nome do blog e ficou só o SAVEPOINT. Isto também coincidiu com uma alavancada profissional e renderam algumas palestras por aí. Este ano eu também me envolvi mais com a comunidade de PostgreSQL e passei a ajudar na organização do PgConBrasil. Mas não estou colaborando na mesma intensidade como outrora, o que me deixa mais tempo para estudar. Curiosamente este ano eu passei a estudar mais sobre Oracle apesar de realmente simpatizar mais com o PostgreSQL, o que me levou a dar satisfações públicas sobre o assunto aqui.
Bom, olhando bem, um blog pode servir como um diário público, como eu acabo de demonstrar. Também serve para ajudar algumas pessoas com postagens técnicas com alguma relevância. Quando olho para as palavras chaves que as pessoas usam nos mecanismos de busca isto fica bastante claro. Eu particularmente já fui muito ajudado por outros blogs e por isso eu posso dizer que eu realmente gosto deles. Não sei se este blog ajudou alguém a resolver algum problema, mas o fato é que algumas pessoas continuam acompanhando o que escrevo aqui. O meu entusiasmo com os blogs me levou a criar a campanha “Keep Bloging” junto com o Jack para que outras pessoas criassem um blog. De certa forma a campanha continua e o último blog que eu influenciei foi o da Kenia, que está reforçando o tímido grupo de pessoas que escrevem sobre bancos de dados em pt_BR.
Dizem aí que o reconhecimento do sucesso de um blog está nos seus comentários. De certa forma eu concordo com isso e cheguei a adotar o WordPress especificamente por causa de algumas deficiências no mecanismo de comentários do Xoops. Este blog, na verdade continua recebendo poucos comentários, mesmo depois da migração. Uma forma de ganhar comentários é certamente ser polêmico ou escrever coisas engraçadas. Quando escrevi dois posts comparando o Oracle com o PostgreSQL eu tive os melhores comentários deste blog aqui e aqui. Este foi um dos assuntos mais gratificantes em termos de retorno, pois os comentários complementaram o que escrevi tornando o texto mais rico. É claro que aparecer no BR-Linux ajudou muito, mas a lista de discussão do PostgreSQL ajudou mais ainda. Não é a primeira vez que eu ou outra pessoa divulga um post deste blog e nem assim eu tive um retorno tão grande. Afinal este assunto rendeu uma das conversas mais longas da lista com mais de 100 e-mails, onde eu fui apenas mais um palpitando sobre o assunto.
Falando em BR-Linux, uma das coisas difíceis de se aprender é até quando você se permite “promover” o seu blog. Existe uma linha tênue entre o que você pode considerar ético ou não. No começo eu era muito purista. Até que o Fike divulgou um post meu no BR-Linux… e aí este blog começou a receber visitas para valer. Até hoje as “10 Dicas para começar a usar o PostgreSQL” é o texto mais lido neste site. No final aprendi a não recriminar ninguém. A questão ao fim é perceber qual tipo de leitor você quer atrair para o seu blog. De vez em quando eu divulgo uma postagem minha na lista do PostgreSQL-BR. Algumas pessoas dão algumas dicas, corrigem alguns erros (de ortografia inclusive) e discordam também. Se não tenho muitos comentários no blog, na lista isso acontece com mais freqüência. Não divulgo qualquer coisa, só coisas que acredito que possam agregar algum valor a discussão da lista.
Antes que alguém pergunte (tem alguém lendo isso?) sobre monetização, eu respondo que tive preguiça de ir atrás. Na verdade não tenho tantos leitores assim, e acho que não conseguiria ganhar quase nada com isso (mas seria bom ajudar mais o Fike a pagar o provedor). Não tenho nada contra a monetização, só acho que isto não chega a ser uma fábrica de dinheiro. Quando a propaganda ocupa muito espaço no site, isto me irrita um pouco, pois desvia a minha atenção do texto que eu quero ler. Mas muitos conseguem ser mais discretos e não atrapalhar o leitor. De toda forma, a maioria dos blogs que eu leio eu acompanho via RSS que ainda não vem com muita propaganda, para a minha felicidade momentânea. A questão é que isso dá trabalho e na verdade hoje eu prefiro investir o meu tempo escrevendo mais. O site poderia estar mais arrumado também (aceito sugestões), mas acredito que a melhor forma de promover este blog é escrever.
Acompanhar o Google Analytics é realmente interessante. Se você quer realmente atrair muitos leitores, com uma ferramenta destas você vai longe. O final-de-semana é uma época de poucos leitores aqui no SAVEPOINT. Curiosamente é uma época onde os posts não técnicos ganham o maior número de leitores. A Receita de Chili Con Carne, é um bom exemplo, mas as palavras mais procuradas neste blog vem do post “Frases Interessantes“. O fato é que um blog técnico com um foco restrito não terá nunca o mesmo número de leitores de um site genérico. Por outro lado é besteira achar que escrevemos e queremos ficar anônimos. Todo mundo gosta de receber muitas visitas e se não gostassem não montariam um blog. Mas acho que com o tempo comecei de alguma forma a ter leitores mais assíduos que não aparecem aqui apenas caindo de paraquedas através do Google. Para quem quer ganhar dinheiro com monetização, isto pode não ser tão importante, mas para um blog com foco restrito, ter um público qualificado é a meta mais importante na minha opinião.
Acredito que além da qualidade dos textos (que eu muitas vezes deixo a desejar por erros ortográficos toscos de quem escreve com pressa), é importante manter alguma regularidade. Nunca me impus um ritmo para escrever. Acredito que um texto por semana seja suficiente para que os leitores voltem com alguma regularidade. Na verdade tenho zilhões de idéias sobre coisas que eu gostaria de escrever. Me falta tempo para escrever, algumas vezes falta inspiração e em outras falta estudo mesmo. Acho que quanto melhor você escreve e mais relevantes os seus assuntos, mais leitores qualificados você ganha. Ultimamente tenho recebido alguns comentários inteligentes de pessoas que eu admiro. Estes valem por centenas de cometários medíocres e me fazem pensar que estou no caminho certo.
Gosto de escrever sobre assuntos nerds e viajar um pouco na maionese de vez em quando. Para isso criei a sessão “Delírios, Viagens e Alucinações“. É uma sessão onde gosto de escrever e tento me cuidar para não forçar a barra. Tenho o hábito de ser muito radical na hora de me expressar, de carregar na cores para enfatizar um ponto de vista. Isso pode trazer um pouco de problemas, pois como no Orkut, o lazer e o trabalho começam a se confundir e sua vida pessoal pode lhe trazer problemas profissionais. Por outro lado, fazer um blog completamente anônimo é ruim a não ser que isto seja proposital - já tive a idéia de criar o blog “Free as a Troll” mas desisti. Acho que um blog precisa ter personalidade e deixar transparecer as opiniões do autor. Por mais que você escreva sobre assuntos técnicos na maior parte do tempo, você não é uma máquina. Acredito que buscar a sua individualidade e saber expressar é uma arte. Ainda não aprendi, acho que as vezes sou muito comedido quando eu poderia ousar mais, como quando fui cobrado de colocar uma aba “Sobre” por aqui. Vou lhe dizer que enrolei muito tempo para escrever este texto e demorei a me convencer de sua importância. Por outro lado eu tenho certeza de que me exponho muito com opiniões fortes. Mas de toda forma, eu não tento evitar isso tanto assim, afinal eu sempre gostei de provocar meus interlocutores, seja na mesa de bar, na faculdade ou no trabalho. Não seria aqui que eu me omitiria.
Quando eu já tinha me formado na ETELG e ia até lá só para ajudar a fazer o jornal Estopim, uma pessoa sempre me perguntava o que eu ganhava com isso. Eu explicava longamente a minha opinião, mas ela aparentemente não se convencia e voltava a me perguntar em outro dia. Bom, eu realmente gosto disso. Gosto de escrever. Aprendo muito com isso e eu realmente sou fascinado com a idéia de escrever coisas novas. Gosto de me expressar e gosto que outras pessoas se expressem também. Eu diria que sou aficionado pelo debate saudável, onde você confronta idéias e ganha mais elementos para tirar as suas próprias conclusões. Este espírito me levou a escrever um texto na época do Estopim que não chegou a ser publicado e se chama “A Formação do Senso Crítico na Sociedade Atual“. Lendo este texto escrito há mais de 10 anos, vejo um marco de uma época em que eu estava muito preocupado com a importância do debate. Não é a toa que uma das coisas que eu mais gosto de fazer na vida é tomar cerveja com os amigos e debater um assunto polêmico qualquer. Pessoas inteligentes e polêmicas são excelentes companheiros de copo, mesmo que eles só tomem suco de laranja.
Mas é claro que o blog também é uma forma de autopromoção profissional. Nunca neguei isso. Mas também nunca ganhei dinheiro com isso, muito pelo contrário. Um blog pode ajudar no seu networking, embora conhecer pessoas presencialmente em eventos e tomar cerveja com elas seja infinitamente mais interessante e efetivo. As únicas pessoas que me procuraram a partir deste blog para solicitar meus serviços de consultor DBA não tinham dinheiro nem para me pagar a condução. De fato os gestores de TI de grandes empresas não devem acompanhar muito o meu blog. Mas de qualquer forma, ele é uma referência quando você se depara com uma entrevista. É corriqueiro as pessoas vasculharem seu perfil no Orkut antes de te contratarem, mas colocar o seu nome no Google também. E o SAVEPOINT está lá… podendo ajudar ou não como uma referência para a pessoa que está interessada em contratar meus serviços. Já pensei em colocar uma aba promovendo a minha empresa de consultoria. Cheguei a escrever um rascunho e acabei descartando. Tem gente que chega a colocar o próprio currículo no blog. Nada contra, mas por enquanto eu vou continuar assim mesmo.
Mas há uma última coisa que eu ganho ao escrever aqui e que realmente tem haver com o nome deste blog. Eu aprendo e me revejo escrevendo. Ao escrever eu me obrigo a organizar as minhas idéias e tentos expressar isso de maneira mais ou menos acabada. Ocorre que são apenas conclusões provisórias, sujeitas a alterações a qualquer momento. Um bom exemplo disto foi quando eu escrevi sobre “Autenticação de Usuários em Bancos de Dados“. Eu me arrisquei um pouco mais e divulguei este texto na lista do Oracle-BR. O Chiappa, que é um DBA que eu respeito muito pelo conhecimento e pela sua participação nesta lista, me deu uma resposta completamente contraria a minha opinião. Isto me obrigou a rever um pouco a minha opinião. O resultado é que estou lento TODA a documentação da Oracle sobre o assunto (que são uns 5 livros no total). Quanto eu terminar e me sentir mais seguro sobre o assunto, eu devo publicar um novo texto, mais maduro sobre o assunto. Certamente eu irei divulgar novamente o texto da lista do Oracle-BR e ver qual será a nova reação do colega Chiappa. Mas de qualquer forma o importante é que eu me permitir errar. E eu vejo que errei em algumas colocações minhas, o que me permitiu melhorar muito neste assunto. Isto significa que o meu blog está contribuindo diretamente para a melhoria do meu conhecimento profissional. Vale a pena ver as respostas na lista. O assunto é realmente polêmico e estes assuntos que me motivam a querer aprender mais e ser um profissional melhor qualificado.
Olhando por aí, a questão não é o que eu aprendi com o meu blog, e sim o que eu estou aprendendo! Tenho realmente muito o que agradecer aos meus leitores colegas.
Um grande abraço para quem teve paciência de ler até aqui. Nos encontramos num bar para um animado debate regado a boa cerveja qualquer dia desses! Ah, já ia me esquecendo…. e se alguém estiver afim de dar continuidade a este meme, esteja a vontade.
Tags: blog, ETELG, Oracle, PGCon Brasil 2007, PostgreSQL, PSL-ABCD
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Há algumas semanas eu conheci uma pessoa aficcionada por TV e Cinema. Chegou aqui no trabalho umas 17h para migrar a versão de um sitema com um boneco do Shrek e me contou que fazia parte de um grupo de pessoas que cria legendas em pt_BR para seriados em inglês. Eles só disponibilizam as legendas, se disponibilizarem o seriado, correm o risco de serem processados. É claro que isso pode ser baixado via P2P e não precisa de um site para isso. Alguém assiste e grava o episódio inédito na TV lá nos Estados Unidos. O pessoal coloca isso na Web e eles baixam aqui no mesmo dia (todos tem conexões de 4Mbit/s em casa…) e na manhã do dia seguinte as legendas já estão disponíveis, revisadas e sincronizadas. Um feito e tanto.
Então esta mesma pessoa me contou que no ano passado fazia parte de uma das equipes que traduziu o 6º livro do Harry Potter em cerca de uma semana. Houve uma certa disputa entre várias equipes para ver quem terminava a tradução primeiro. Assim como no ano passado, a versão traduzida oficial só chega meses depois, em Dezembro. Enquanto isso no mesmo dia em que o livro foi lançamento na Ingraterra as páginas escaneadas foram mandadas pela web para equipes de tradução e revisão. A versão foi traduzida em cerca de uma semana. Com qualidade provavelmente questionável, certamente, mas o suficiente para saciar a curiosidade de muitos leitores que não aguentam esperar até o final do ano ou não conseguem ler a obra na língua original.
Toda a operação é digna de piratas, sanguinários no melhor do estilo dos “Piratas do Tietê” é na verdade conduzida por jovens estudantes, boa parte com menos 18 anos. Eles não ganham dinheiro com isso. Não vendem nenhum produto. E mais uma vez a Internet sai quebrando paradgmas. O mercado fonográfico já vem enfrentando sérias dificuldades com a popularização dos MP3 Players. O formato de mídia conhecida como Compact Disc começa a definhar lenta e inexoravelmente. Ontem vi que já estão fazendo pen drives de 32 GB com o mesmo tamanho de um que continha apenas 128MB há poucos anos atrás.
Embora a tradução do último livro tenha sido rápida, e tenha recebido até notas de jornal, parece que o livro deverá vender bem aqui no Brasil quando a tradução oficial chegar nas livrarias. O motivo não é a qualidade questionável da tradução dos nossos jovens tradutores amadores, a questão é que ler um livro de 784 páginas num monitor não é muito agradável. Imprimir também não é uma alternativa muito boa, pois se você imprimir todas as páginas em A4 terá dificuldade em carregar o catatau de páginas, isso se o fizer em frente e verso.
Ai eu lembro do livro “A Vida Digital” do mesmo Nicholas Negroponte que hoje promove o famoso OLPC. O livro foi escrito há mais de 10 anos e previu muitas coisas que hoje se tornaram realidade. Uma das previsões mais incríveis foi a de que teremos “folhas de papel digital”, onde o monitor assumirá um formato tão confortável em termos de contraste, tamanho e peso como uma folha de papel. De certa forma estamos no caminho, os Tablets estão melhorando muito e já há opções muito interessantes. Se isso continuar… será o fim de uma das mais tradicionais mídias conhecidas até hoje, o papel! Até isso acontecer, a guerra pelos direitos autorais vai continuar crescendo e a fonte de receita dos “fabricantes de conteúdo” vai continuar migrando cada vez mais para serviços, como tem acontecido com os jogos eletrônicos que oferecem serviços para os jogos on-line ao invés de se concentrar na venda de licenças do jogo em si.
Seria interessante observar o que a máquina de fazer dinheiro que se tornou a saga de Harry Potter pretenderá fazer com os tradutores não oficiais do livro. Hoje, esta ação realizada por adolescentes não diminui os lucros astronômicos da editora. Se esta for inteligente, dará no máximo um puxão de orelhas em cada um. Mas o que acontecerá quando o papel digital chegar? Enquanto a história passa a contar com cada vez mais bytes e menos átomos, a expectativa é de que em poucos anos veremos muitas transformações acontecendo na nossa “era da informação”. De toda forma uma coisa em que eu acredito é que “A Revolução Não Será Televisionada”
Tags: Computers, Harry Potter, pirate
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(Legião Urbana)
“É sangue mesmo, não é mertiolate”.
E todos querem ver E comentar a novidade
“É tão emocionante um acidente de verdade”.
Estão todos satisfeitos
Com o sucesso do desastre
Vai passar na televisão.
“Por gentileza, aguarde um momento.
Sem carteirinha, não tem atendimento
- Carteira de trabalho assinada, sim senhor.
Olha o tumulto: façam fila por favor.
Todos com a documentação.
Quem não tem senha, não tem lugar marcado.
Eu sinto muito mas já passa do horário.
Entendo seu problema mas não posso resolver:
É contra o regulamento, está bem aqui, pode ver.
Ordens são ordens.
Em todo caso, já temos sua ficha.
Só falta o recibo comprovando residência.
pra limpar todo esse sangue, chamei a faxineira
- E agora eu já vou indo senão eu perco a novela
E eu não quero ficar na mão”.
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Quando surgiu a revista Super Interessante, eu assinava ela e sempre que ela chegava a primeira coisa que eu lia era uma página contendo frases célebres. Hoje existem até mesmo sites especializados nisso, como o Wikiquote. Sempre tive vontade de montar algo no estilo. Conheço gente que tem um caderninho que leva para cima e para baixo e vai colocando novas frases.
Bem, vou começara com algumas que eu lembro de cabeça, depois vou aumentando… sugestões são bem vindas!
- “Burocracia são dificuldades legais que ajudam a vender facilidades ilegais”
Ney Rodriguez Jr.
- “Existem duas formas de fazer isto: a minha e a errada”
Ney Rodriguez Jr.
- “Álcool: A causa de, e a solução para, todos os problemas da vida.”
Homer Simpson
- “Você nunca vai ganhar a vida tocando guitarra”
Tia do John Lennon
- Quem usa dois relógios jamais sabe a hora certa
“Provérbio Chines”
- A melhor distribuição brasileira é a AMBEV, que traz felicidade para todo o Brasil”
Fábio Telles
- “Nada é mais difícil de executar, mais duvidoso de ter êxito ou mais perigoso de manejar do que dar início a uma nova ordem de coisas. O reformador tem inimigos em todos os que lucram com a velha ordem e apenas defensores tépidos nos que lucrariam com a nova ordem.”
Maquiavel
- “A liberdade não tem qualquer valor se não inclui a liberdade de errar.”
Gandhi
- “Em todo o caso, casai-vos. Se vos couber em sorte uma boa esposa, sereis felizes; se vos calhar uma má, tornar-vos-eis filósofos, o que é excelente para os homens”
Sócrates
- “Eu não posso ensinar nada a ninguém, eu só posso fazê-lo pensar.”
Sócrates
- “Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância.”
Sócrates
- “Nunca confie em um computador que você não pode jogar por uma janela.”
Steve Wozniak
- “Ler é mais importante do que estudar”.
Ziraldo
- “A Internet é apenas uma moda passageira.”
Bill Gates, em agosto de 1994
- “Documentação é como sexo: quando é bom, é muito, muito bom; e quando é ruim, é melhor do que nada.”
Dick Brandon
- “Gates é um homem de negócios e seu objetivo é ganhar dinheiro. Não importa quanto dinheiro ele ganha das pessoas, nunca está satisfeito. o objetivo dele junto aos políticos é conseguir a restrição de leis para que possa ganhar ainda mais dinheiro. Torvalds é um programador, um hacker. Embora ele prefira ganhar dinheiro a estar quebrado, acredito que ele goste mais de programar do que de dinheiro. Ele não está interessado em questões políticas e tenta evitá-las. Eu sou um programador e estou preocupado com questões políticas. Eu também preferiria ganhar dinheiro a estar quebrado, também prefiro programar à ganhar dinheiro, mas o que realmente quero é vencer a batalha pela liberdade e cooperação, uma batalha contra a dominação.”
Richard Stallman
- The computer allows you to make mistakes faster than any other invention, with the possible exception of handguns and tequila.
Mitch Ratcliffe
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Tradução do texto do video EPIC
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É O MELHOR DOS TEMPOS,
É O PIOR DOS TEMPOS.
- de Robin Sloan
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IT IS THE BEST OF TIMES,
IT IS THE WORST OF TIMES.
- de Robin Sloan
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No ano 2014 as pessoas têm acesso a uma variedade e profundidade de informações que seriam inimagináveis em épocas passadas.
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In the year 2014 people have access to a breadth and depth of information unimaginable in an earlier age.
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Todos contribuem de alguma maneira.
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Everyone contributes in some way.
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Todos participam para criar um mundo de mídia vivo e pulsante. No entanto, a Imprensa, como você a conhece, deixou de existir. As fortunas do Quarto Poder se foram. As empresas de notícias do Século XX mudaram muito, uma reminiscência solitária de um passado não tão distante.
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Everyone participates to create a living, breathing mediascape. However, the Press, as you know it, has ceased to exist. The Fourth Estate’s fortunes have waned. 20th Century news organizations are an after-thought, a lonely remnant of a not too distant past.
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A estrada para 2014 começou em meados do Século XX.
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The road to 2014 began in the mid-20th Century.
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Em 1989, Tim Berners-Lee, um cientista de computação do laboratório de física de partículas CERN, na Suíça, inventou a World Wide Web.
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In 1989, Tim Berners-Lee, a computer scientist at the CERN particle physics laboratory in Switzerland, invents the World Wide Web.
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1994 vê a fundação da Amazon.com. Seu jovem criador sonha com uma loja que vende de tudo. O modelo da Amazon, que viria depois a estabelecer o padrão para vendas pela Internet, é baseado em recomendações personalizadas automáticas – uma loja que pode oferecer sugestões.
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1994 sees the founding of Amazon.com. Its young creator dreams of a store that sells everything. Amazon’s model, which would come to set the standard for Internet sales, is built on automated personalized recommendations – a store that can make suggestions.
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Em 1998, dois programadores de Stanford criam o Google. Seu algoritmo é um eco da linguagem da Amazon, tratando links como recomendações e, a partir deste fundamento, impulsiona a mais efetiva máquina de busca do mundo.
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In 1998, two Stanford programmers create Google. Their algorithm echoes the language of Amazon, it treats links as recommendations, and from that foundation powers the world’s most effective search engine.
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Em 1999, TiVo transforma a televisão libertando-a das restrições do tempo – e dos comerciais. Quase ninguém que experimenta volta atrás.
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In 1999, TiVo transforms television by unshackling it from the constraints of time - and commercials. Almost no one who tries it ever goes back.
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Naquele ano, uma empresa “ponto-com” iniciante chamada Pyra Labs lança o Blogger, uma ferramenta pessoal de publicação.
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That year, a dot-com start-up named Pyra Labs unveils Blogger, a personal publishing tool.
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Friendster é lançado em 2002 e centenas de milhares de jovens avançam para povoá-lo com mapas incrivelmente detalhados de suas vidas, seus interesses e suas redes sociais. Também em 2002, Google lança o Google News, um portal de notícias. As redes de notícias reclamam. Google News é editado inteiramente por computadores.
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Friendster launches in 2002 and hundreds of thousands of young people rush to populate it with an incredibly detailed map of their lives, their interests and their social networks. Also in 2002, Google launches GoogleNews, a news portal. News organizations cry foul. GoogleNews is edited entirely by computers.
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Em 2003, Google compra o Blogger. Os planos da Google são um mistério, mas seu interesse pelo Blogger não é sem razão.
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In 2003, Google buys Blogger. Google’s plans are a mystery, but their interest in Blogger is not unreasonable.
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2003 é o Ano do Blog.
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2003 is the Year of the Blog.
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2004 seria lembrado como o ano em que tudo começou.
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2004 would be remembered as the year that everything began.
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A Revista Reason envia a seus assinantes um exemplar que traz na capa uma foto-satélite de suas casas, contendo informações personalizadamente direcionadas para cada assinante.
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Reason Magazine sends subscribers an issue with a satellite photo of their houses on the cover and information custom-tailored to each subscriber inside.
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Sony e Phillips lançam o primeiro jornal eletrônico do mundo produzido em larga escala.
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Sony and Philips unveil the world’s first mass-produced electronic paper.
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Google lança o Gmail, com um Gigabyte de espaço gratuito para cada usuário.
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Google unveils GMail, with a gigabyte of free space for every user.
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Microsoft lança o Newsbot, um filtro de notícias sociais.
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Microsoft unveils Newsbot, a social news filter.
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Amazon lança o A9, uma máquina de busca baseada em tecnologia Google que também incorpora as recomendações da Amazon, sua marca registrada.
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Amazon unveils A9, a search engine built on Google’s technology that also incorporates Amazon’s trademark recommendations.
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E então, Google lança suas ações na bolsa.
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And then, Google goes public.
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Com novo capital sobrando, a companhia faz uma grande aquisição. Google compra a TiVo.
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Awash in new capital, the company makes a major acquisition. Google buys TiVo.
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2005 – Em resposta aos recentes lances da Google, a Microsoft compra a Friendster.
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2005 – In response to Google’s recent moves, Microsoft buys Friendster.
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2006 – Google combina todos os seus serviços – TiVo, Blogger, Google News e todas as suas buscas em algo chamado Google Grid, uma plataforma universal que oferece uma quantidade funcionalmente ilimitada de espaço para armazenamento e largura de banda, para compartilhar e armazenar mídias de todo tipo. Sempre online, acessível de qualquer lugar. Cada usuário seleciona seu próprio nível de privacidade, podendo armazenar seu conteúdo com segurança no Google Grid, ou publicá-lo para | |