Arquivo da Categoria “Delírios, viagens e alucinações”
Hoje vi um recorte de jornal falando sobre um grupo de vândalos que faz pichações nos muros das ruas com menções a escândalos políticos. Já não é a primeira vez que eu vejo o uso da palavra Vândalo para se referir a atos de destruição e selvageria. A maioria das pessoas sabem que os Vândalos foi mais um dos chamados “povos bárbaros”. Lendo um pouco mais, descobrimos que eles eram de origem germânica e migraram diversas vezes pela Europa até se instalarem no norte da África ocupando a região de Cartago. Ocorre que eles um dia invadiram Roma e a saquearam por duas semana. A riqueza saqueada por eles tinha como fruto os saques romanos, particularmente a pilhagem romana nos templos de Jerusalém. Resultado, ladrão que rouba ladrão…
Mas a história contada pelos Romanos sobreviveu, e tudo que não era Romano nesta época era considerado Bárbaro. E assim, os Vândalos foram crucificados como o sinônimo de saqueadores inescrupulosos. Bom… os Japoneses chamam os não japoneses de Gaijin, os Texanos (cujo território fazia parte do México) gostam de praticar tiro ao alvo com os Mexicanos, os paulistas e cariocas também vivem tirando sarro um do outro e jogo de futebol entre Brasil e Argentina é sempre um evento a parte. Mesmo assim os Vândalos se deram mal na história enquanto os Romanos são considerados pelo ocidente como o berço da civilização.
Mas os nossos jornalistas são mesmo impagáveis. Ao invés de tratar uma manifestação pública como uma expressão popular (o que era muito comum nas décadas de 60 e 70), tratam eles como lixo humano. É claro que só a imprensa tem o papel de porta voz da verdade. Como ousa um pixador de muros fazer acusações infames pelos muros cidade? Manifestações populares são sinônimo de barbárie. Lembro-me de uns anos atrás quando eu estava trabalhando nas imediações da Av. Paulista e um grupo de professores realizavam uma manifestação na avenida quando se ouviu barulho de tiros. A cavalaria havia passado por cima dos professores sobre ordens do comandante. O mais curioso é que as pessoas no trabalho aprovavam o gesto com entusiasmo e só faltaram aplaudir a polícia. Bom, minha mãe é professora, fez mestrado e tem um currículo que enche fácil mais 50 páginas. Curiosamente, ela ganha menos que eu que tenho uma carga horária menor e trabalho ativamente há apenas 6 anos com informática. Curiosamente estas pessoas que refutam as manifestações populares são as mesmas que pregam que a população é mal escolarizada. Curioso, não?
Não vou aqui enaltecer a memória dos Vândalos nem os pichadores, mas a cada dia que se passa leio menos jornal e acompanho mais os canais de mídia independente. Pelo menos eles não se auto-intitulam como porta-vozes da verdade.
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Fim de ano é sempre bacana, mas cansa. Depois de 5 anos eu finalmente consegui tirar uma semana de descanso entre o natal e o ano novo. Imperou a lei do mínimo esforço. Nada de passar o ano novo na praia e pegar aquele trânsito infernal, nada de filas colossais, etc e tal. Foi bom, mas tem algo que dá muito trabalho nesta época. Por uma convenção coletiva, pessoas que você nunca viu na vida ou que nunca lhe dirigiram um único sorriso sincero resolvem lhe desejar um monte de coisas. Nada contra. Acho que os laços de fraternidade são sempre positivos e devem ser incentivados. Na verdade, verdade mesmo, acho que a gente passa muito tempo desejando e pouco tempo realizando. Afinal, intensão nesta terra não vale muita coisa, nem mesmo por escrito. Mais que isso, existe aquela coisa compulsória de que um dia específico tem que ser o mais importante do ano. Meu pai já me dizia que a pior coisa que se possa desejar para uma noiva é que o dia do seu casamento seja o mais feliz da sua vida. Isto significa que todos os outros dias depois serão sempre piores!
Não, isto não significa que eu odeie as festas de fim de ano. Muito pelo contrário, eu sempre adorei, com raras exceções. Veja, tenho lembranças de natais excelentes com a família quando eu era garoto. Passei o ano novo com amigos em viagens inesquecíveis na adolescência. Hoje me divirto com meus filhos, monto os brinquedos deles, solto rojão, etc. Mas calma lá. Primeiro há quem não comemore o natal. É verdade, o cristianismo não é a única opção existente na prateleira das religiões. Os judeus comemoraram Hanucá, os muçulmanos o Eid ul-Fitr, os discordianos comemoram o Dia de St. Tib e por aí vai. E não são só os feriados religiosos que não batem… imagine que 1/4 da população do mundo vai comemorar o ano novo em 7 de fevereiro, detalhe, a entrada do ano 4705. Sim, estou falando do ano novo chines.
Não é só o comércio que adora datas comemorativas como dias dos pais, das crianças, dos avós etc e tal. Existe um fetiche com datas: data de aniversário, data do primeiro beijo, do casamento, do batismo. Há os mais entusiastas que lembram do dia em que andaram pela primeira vez de bicicleta, conseguiu o primeiro emprego, tomou o primeiro porre, bateu pela primeira vez o carro e por aí vai. Prefiro ainda as pessoas que esquecem a data do próprio aniversário mas não se esquecem de lhe convidar para tomar uma cerveja na sexta-feira!
Calendários são coisas realmente curiosas. Não apenas o Calendário Chines, que foi reformado dezenas de vezes. No Calendário Hebreu, o ano um, que é o ano da criação, começou em 3761 AC. Assim, para eles, estamos no ano de 5769 e não havia mundo antes disso. Pelo Calendário Islâmico estamos no ano 1428, o marco zero é a migração de Maomé de Meca para Medina. Um detalhe, o ano deles possui apenas 354 dias (12 ciclos lunares) e não 365 dias. Na Terra Média, a 4ª Era se inicia com a destruição do Um Anel por Frodo. Aparentemente os calendários surgem em situações não tão diferentes das propostas por Tolkien.
Os limites epocais são geralmente definidos por grandes momentos históricos, como o início de um novo regime político ou uma revelação divina. E vira e mexe tem alguém querendo mexer nos calendários. Ocorre que o calendário mais usado no mundo é o Gregoriano, que tem como limite epocal o nascimento de Cristo que, convenhamos, ninguém sabe bem ao certo quando e onde foi. O primeiro dia do ano também variou em muitos lugares, geralmente se adequando a feriados religiosos ou políticos. Os romanos que passaram a comemorar o ano novo no 1º de Janeiro também mudaram de data várias vezes. Veja que o tamanho do ano é algo que também variou muito até Júlio César colocar ordem na casa (e criar um mês com o seu nome).
O problema é que Deus fez o mundo com muita pressa e criou uma confusão para os astrônomos. Se Deus fosse mais cuidadoso, estudaria um pouco mais de matemática e facilitaria um pouco mais a nossa vida. Veja você que o calendário solar e lunar não batem nunca. Uma lunação sempre tem 28 dias. Mas o ano não tem um número exato de lunações. Um mês não corresponde a uma lunação. Um mês sequer tem um número fixo de dias. Assim os dias da semana que são regidos pelo calendário lunar, nunca batem com os meses que são divididos pelo calendário solar. Mas a coisa não para por aí. Nem mesmo um ano compreende um número exato de dias, são 365,2425 dias por ano. Aí toda a nossa vida fica complicada com anos bissextos e outras traquinagens. Para complicar mais… o tamanho dos dias não é composto por exatamente 24 horas de 60 minutos com sessenta segundos cada. Sobram 0,002 segundos por dia! Isto representa 0,7 segundos por ano. Mais ajustes nos relógios são feitos a cada 18 meses. Isso é uma verdadeira maldição. Os sysadmins e economistas se autoflagelam todo dia pedindo a Deus que isso mude um dia.
Bom, no caso dos segundos, a culpa é nossa mesmo, afinal, nós não criamos os períodos de movimentação da terra e da lua, mas nós inventamos o segundo. Alias, nós o reinventamos várias vezes. Um segundo, hoje, equivale a 9.192.631.770 períodos da radiação característica do Césio 133. Um detalhe bizarro é que em 1997 fizeram uma pequena alteração na definição, restringindo o teste a um único átomo de Césio na temperatura de zero Kelvin. Isto significa que o segundo é uma unidade de tempo que ninguém jamais mediu segundo a sua própria definição.
Mas bizarro mesmo é a definição das datas comemorativas mais antigas como a Páscoa. A data da Páscoa foi motivo de muito debate em 365 DC, no famoso Concílio de Nicéia. Para começar a conversa, o Calendário Hebreu era lunar e calcular a data exata da morte de Cristo não era tão simples assim. Em segundo, na época haviam outros feriados que poderiam coincidir. É claro que um concílio com gente de tudo quanto é lugar ia dar problema, pois cada um tem seus próprios feriados. Isso é tão fácil como querer agendar uma reunião de diretores sem a presença do presidente. Bom, o fato é que até hoje tem gente que comemora a Páscoa em outra data. O conselho falhou miseravelmente. Resultado, o feriado, bem como uma série de outras questões religiosas dependem de escolhas humanas e não divinas. Não imagine um feriado específico comemora um número inteiro de vezes que a terra girou em torno do sol a partir de uma data histórica. A chance de comemorarmos com alguma precisão um evento que ocorreu há mais de 2 mil anos é muuuito remota. Sorte dos historiadores que vão ter emprego para o resto da vida.
Para os ocidentais cristãos e principalmente para os brasileiros, a Páscoa é o segundo feriado mais importante do ano. Afinal ela regula a data de uma série de outros feriados incluindo o mais importante deles: o carnaval. Todo brasileiro sabe que o ano só começa depois que as pessoas se curam da ressaca do carnaval (com a notória exceção da Bahia onde os cientistas ainda não chegaram a um consenso se o ano chega a começar algum dia). Assim sendo, o dia 1º não tem nenhum significado civil para nós. Alguém inventou o dia da confraternização universal, mas para nós é mais uma desculpa para bebemorar. De qualquer forma confraternização para valer ocorre no carnaval. Ponto final.
Para quem mora em cidades grandes como São Paulo, os feriados são uma verdadeira praga. Apesar disso, quem trabalha com TI pode não se importar tanto. Não existe melhor data para migrar um banco de dados em produção do que um bom feriado prolongado. Por outro lado, quem trabalha como PJ e ganha por hora sabe que feriado é sinônimo de prejuízo no bolso. Enquanto os outros aproveitam para lotar as estradas e cinemas, você apenas vê seu salário sumir. Por mim, até os finais de semana deveriam ser intercalados. Esse negócio de todo mundo folgar no domingo é uma encrenca. Se eu pudesse escolher, jamais tiraria folga num domingo. O planeta tem gente demais para todos quererem folgar no mesmo dia.
Ao fim e ao cabo, a questão é que o fim de ano é um exagero. Um grande exagero. Não tem fundamento religioso ou científico. É uma convenção coletiva e ponto. Graças aos filtros anti spam eu já nem vejo aquelas centenas de e-mails com anexos com slides coloridos com música da Simone ao fundo. Cartões Virtuais executáveis não rodam nativamente no Linux, o que significa que aquela enxurrada de vírus que chegam no fim do ano também não chega aqui. Mas fica a obrigação de cumprimentar e ser cumprimentado por todo mundo.
Vou lhe dizer, isto dá mais trabalho do que se imagina. Cada um vem com uma receita mais comprida que o outro. Há quem decore um discurso inteiro para cumprimentar as pessoas. Todos só querem o bem dos demais, mas expressar tudo isso é muito demorado. Deveriam inventar alguma expressão idiomática para encurtar a história toda. Eu desejo a todos um “Kit Felicidade” com tudo que você quiser dentro. Você quer saúde? Tem primeiros socorros e plano de saúde 5 estrelas no kit. Tem até receita para emagrecer sem dieta! Você quer prosperidade? Tem Tele Sena premiada para toda família no kit. Você vai inclusive aparecer no Sílvio Santos! Paz? Tem tropas da ONU garantindo a paz mundial no kit; junto com cerveja, terapeuta ou incenso, dependendo da sua convicção. Enfim, se eu esbarrei ou não com você no fim do ano e não cumprimentei ou escutei você adequadamente, então não se incomode. Desejo um kit felicidades cosmopolita e ecumênico para você. Não só hoje ou no ano novo, mas todos os dias. São os mais sinceros votos que eu tive a competência de escrever. Mas veja, ninguém pode dizer que meus votos não são realmente sinceros, e isso deve valer alguma coisa. Quase tanto quanto a sua paciência de ler até aqui.
Tags: calendar, holiday, religion, vacation
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O Jack me convidou para escrever sobre este meme (que é uma expressão que subverte o significado original da palavra para disfarçar o que na verdade não passa de uma corrente entre blogs). Após alguns bons dias sem postar nada, acordei de ressaca de um pileque moderado - mas merecido e até necessário - com inspiração para escrever sobre o assunto.
ALERTA: Este é um texto longo e pessoal. Se você não conhece o autor deste blog , não está com a menor intenção de conhecer ou não tem a menor paciência de ler filosofia barata de pós botequim, não leia e não comente. Você está avisado.
A primeira coisa que aprendi sobre blogs, é que para ser um blogueiro você deve ler outros blogs. Se você espera que alguém leia o que você escreve, então é de se esperar que você leia o que outras pessoas escrevem. É também parte de uma tradição onde os bons escritores devem ler mais do que escrever. Por tabela tem aquele ditado de que o ser humano tem uma boca de duas orelhas, para ouvir mais e falar menos. Confesso que eu muitas vezes falo mais do que escuto. Mas vivo procurando outros blogs que falem sobre bancos de dados também. E vou lhe dizer, os DBAs não gostam muito de escrever. Quando encontro algum em pt_BR é uma vitória. Já cheguei até a escrever aqui e aqui só para comemorar quando encontrei algo novo.
- Egocentrismo e Jornalismo
A segunda coisa que todos que acompanham a “blogosfera” já sabem é que o povo adora falar sobre blogs. Muitas vezes isso realmente torra a paciência de qualquer um. Picuinhas via blogs atacando o que fulano escreveu sobre beltrano e por aí vai. Ou então a apologia dos blogs e a mídia formal, etc e tal. Como não sou jornalista, esse assunto costuma me entediar.
Na verdade eu já tive muita vontade de fazer jornalismo. Participei pela primeira vez de um jornal na escola fazendo jornal mural na 3ª série do ensino fundamental e nunca mais parei. Fui diretor de imprensa do grêmio da escola técnica que cursei e escrevia editoriais para o jornal “estopim” que criamos. Mas eu já tenho uma irmã jornalista (espero que ela não leia isso), trabalhei com jornalistas, e tive um caso ou outro com jornalistas também. Vou lhe dizer uma coisa, eu acredito no poder dos editores, nos baixos salários dos jornalistas e na força das assessorias de imprensa - que são as pessoas que mais escrevem artigos para divulgar os produtos ou idéias dos seus clientes e curiosamente nunca vêem o seu nome nos artigos publicados.
Descobri também que em geral os melhores artigos publicados não são de jornalistas. São de pessoas de outros ramos que tem alguma coisa a dizer sobre um assunto específico. Então desisti do jornalismo e fui cursar Ciências Sociais. Falem bem ou mal, mas eles escrevem artigos bem mais interessantes - ok, muitas vezes mais chatos e metidos também! O fato é que o jornalista é uma pessoa que parece (digo parece, porquê eu nunca cursei jornalismo) criada para falar sobre qualquer assunto, o que é no mínimo perigoso. Lembro que na USP o curso de jornalismo da ECA possuía uma carga horária enorme de cursos que eles poderiam fazer em qualquer outra faculdade. É claro que nas Ciências Sociais nós também tínhamos este privilégio. Então eu fui fazer “Teoria de Bancos de Dados” na IME e também uma matéria na ECA que não me lembro bem qual o nome.
Mas lembro que o professor contava muitas histórias interessantes, particularmente sobre como os editores dos jornais se comunicam para adulterar notícias em vários meios fazendo uma mentira se transformar em verdade oficial. É claro que se o Cardoso tivesse um caso concreto desse na mão ele faria a festa contra o Estadão e suas Monkey News. Bom, talvez ele tenha mas prefira não baixar tanto o nível. Mas se vocês duvidam de como isto pode funcionar, veja as brincadeiras do Mr. Manson, que por mais que tenha ficado sem pique de escrever, foi um gênio ao criar o dia do caos. De qualquer forma, um profissional de qualquer área que não consiga fazer auto crítica está fadado a mediocridade. Mas o professor da ECA também indicou um livro de um Italiano chamado Vito Giannotti. E quando olhei o livro, vi que eu tinha ele na minha prateleira, e na verdade o próprio autor tinha me dado o livro de presente. Confesso que não li o livro, mas depois de conhecer um jornalista desbocado de sandálias que fala o que pensa e põe a cara para bater, fui obrigado a perdoar todos os jornalistas medíocres que eu já conheci, e olha que não são poucos. De qualquer forma, com raras exceções como o Contraditorium, a maioria dos blogs que fica no “flap flap flap” sobre blogs, é muito chato. Mas cá estou eu escrevendo sobre blogs…
Confesso que quando criei este blog, ele tinha uma viés de sociologuês no começo. Eu estava na minha fase de deslumbramento sobre o Software Livre e fiz um pouco de apologia sobre o assunto. Não tão bem quanto outro eminente sociólogo (que cursou a mesma faculdade) o Sr. Sérgio Amadeu, mas escrevi algumas coisas aqui e acolá. Em alguns eu me soltei mais e escrevi coisas mais extravagantes como em “Café Cerveja e Software Livre!” e em “Software Livre e o Último Samurai“. Também fiz a primeira tradução de um artigo do Sr. Josh Berkus chamado “Os Cinco Tipos de Projeto de Código Aberto“. Cheguei a ganhar um comentário do autor. Aí me empolguei e traduzi outras coisas, mais técnicas, depois entrevistei ele e outros desenvolvedores do PostgreSQL e finalmente tomei uma cerveja com ele antes do FISL deste ano. Curiosamente o meu lado jornalista me fez ajudar a criar o DebianZine que foi uma idéia do Fike de criar um fanzine sobre o Debian que infilismente só chegou a ter 4 edições. O fato é que nos meus únicos dois artigos no DebianZine, nenhum deles era técnico.
Passei muito tempo aqui no blog postando sobre o PSL-ABCD. Na verdade, um dos primeiros posts deste blog foi a “Carta de Santo André” que ajudei a escrever, mas infelizmente não estive presente quando ela foi lida e o PSL-ABCD foi criado. Ajudei a organizar 3 fóruns e outros eventos do PSL-ABCD. Um belo dia eu estava no canal do Debian-BR no IRC e o Faw estava comentando sobre um post que escrevi sobre algumas desventuras como DBA e outra pessoa comentou no canal: “Outro post filosófico sobre como não precisamos precisamos de programadores de sim de liberdade?”. E o Faw educadamente respondeu: “Não, este é técnico”. Aí eu percebi que estava na hora de escrever mais coisas técnicas, e admitir que existe um fundo de verdade na expressão “Show me the code”. Para meu azar, eu continuei encontrando bancos de dados com VARCHAR na chave primária…
Aos poucos eu comecei a me afastar do PSL-ABCD e resolvi estudar mais e publicar coisas mais técnicas. Foi nesta época que surgiu o nome atual do Blog: “SAVEPOINT” que era uma alusão ao lançamento da versão 8.0 do PostgreSQL que implementou esta funcionalidade (que eu nunca usei até hoje) mas que parecia um nome bacana para o blog. Com o tempo o “Telles” sumiu do nome do blog e ficou só o SAVEPOINT. Isto também coincidiu com uma alavancada profissional e renderam algumas palestras por aí. Este ano eu também me envolvi mais com a comunidade de PostgreSQL e passei a ajudar na organização do PgConBrasil. Mas não estou colaborando na mesma intensidade como outrora, o que me deixa mais tempo para estudar. Curiosamente este ano eu passei a estudar mais sobre Oracle apesar de realmente simpatizar mais com o PostgreSQL, o que me levou a dar satisfações públicas sobre o assunto aqui.
Bom, olhando bem, um blog pode servir como um diário público, como eu acabo de demonstrar. Também serve para ajudar algumas pessoas com postagens técnicas com alguma relevância. Quando olho para as palavras chaves que as pessoas usam nos mecanismos de busca isto fica bastante claro. Eu particularmente já fui muito ajudado por outros blogs e por isso eu posso dizer que eu realmente gosto deles. Não sei se este blog ajudou alguém a resolver algum problema, mas o fato é que algumas pessoas continuam acompanhando o que escrevo aqui. O meu entusiasmo com os blogs me levou a criar a campanha “Keep Bloging” junto com o Jack para que outras pessoas criassem um blog. De certa forma a campanha continua e o último blog que eu influenciei foi o da Kenia, que está reforçando o tímido grupo de pessoas que escrevem sobre bancos de dados em pt_BR.
Dizem aí que o reconhecimento do sucesso de um blog está nos seus comentários. De certa forma eu concordo com isso e cheguei a adotar o WordPress especificamente por causa de algumas deficiências no mecanismo de comentários do Xoops. Este blog, na verdade continua recebendo poucos comentários, mesmo depois da migração. Uma forma de ganhar comentários é certamente ser polêmico ou escrever coisas engraçadas. Quando escrevi dois posts comparando o Oracle com o PostgreSQL eu tive os melhores comentários deste blog aqui e aqui. Este foi um dos assuntos mais gratificantes em termos de retorno, pois os comentários complementaram o que escrevi tornando o texto mais rico. É claro que aparecer no BR-Linux ajudou muito, mas a lista de discussão do PostgreSQL ajudou mais ainda. Não é a primeira vez que eu ou outra pessoa divulga um post deste blog e nem assim eu tive um retorno tão grande. Afinal este assunto rendeu uma das conversas mais longas da lista com mais de 100 e-mails, onde eu fui apenas mais um palpitando sobre o assunto.
Falando em BR-Linux, uma das coisas difíceis de se aprender é até quando você se permite “promover” o seu blog. Existe uma linha tênue entre o que você pode considerar ético ou não. No começo eu era muito purista. Até que o Fike divulgou um post meu no BR-Linux… e aí este blog começou a receber visitas para valer. Até hoje as “10 Dicas para começar a usar o PostgreSQL” é o texto mais lido neste site. No final aprendi a não recriminar ninguém. A questão ao fim é perceber qual tipo de leitor você quer atrair para o seu blog. De vez em quando eu divulgo uma postagem minha na lista do PostgreSQL-BR. Algumas pessoas dão algumas dicas, corrigem alguns erros (de ortografia inclusive) e discordam também. Se não tenho muitos comentários no blog, na lista isso acontece com mais freqüência. Não divulgo qualquer coisa, só coisas que acredito que possam agregar algum valor a discussão da lista.
Antes que alguém pergunte (tem alguém lendo isso?) sobre monetização, eu respondo que tive preguiça de ir atrás. Na verdade não tenho tantos leitores assim, e acho que não conseguiria ganhar quase nada com isso (mas seria bom ajudar mais o Fike a pagar o provedor). Não tenho nada contra a monetização, só acho que isto não chega a ser uma fábrica de dinheiro. Quando a propaganda ocupa muito espaço no site, isto me irrita um pouco, pois desvia a minha atenção do texto que eu quero ler. Mas muitos conseguem ser mais discretos e não atrapalhar o leitor. De toda forma, a maioria dos blogs que eu leio eu acompanho via RSS que ainda não vem com muita propaganda, para a minha felicidade momentânea. A questão é que isso dá trabalho e na verdade hoje eu prefiro investir o meu tempo escrevendo mais. O site poderia estar mais arrumado também (aceito sugestões), mas acredito que a melhor forma de promover este blog é escrever.
Acompanhar o Google Analytics é realmente interessante. Se você quer realmente atrair muitos leitores, com uma ferramenta destas você vai longe. O final-de-semana é uma época de poucos leitores aqui no SAVEPOINT. Curiosamente é uma época onde os posts não técnicos ganham o maior número de leitores. A Receita de Chili Con Carne, é um bom exemplo, mas as palavras mais procuradas neste blog vem do post “Frases Interessantes“. O fato é que um blog técnico com um foco restrito não terá nunca o mesmo número de leitores de um site genérico. Por outro lado é besteira achar que escrevemos e queremos ficar anônimos. Todo mundo gosta de receber muitas visitas e se não gostassem não montariam um blog. Mas acho que com o tempo comecei de alguma forma a ter leitores mais assíduos que não aparecem aqui apenas caindo de paraquedas através do Google. Para quem quer ganhar dinheiro com monetização, isto pode não ser tão importante, mas para um blog com foco restrito, ter um público qualificado é a meta mais importante na minha opinião.
Acredito que além da qualidade dos textos (que eu muitas vezes deixo a desejar por erros ortográficos toscos de quem escreve com pressa), é importante manter alguma regularidade. Nunca me impus um ritmo para escrever. Acredito que um texto por semana seja suficiente para que os leitores voltem com alguma regularidade. Na verdade tenho zilhões de idéias sobre coisas que eu gostaria de escrever. Me falta tempo para escrever, algumas vezes falta inspiração e em outras falta estudo mesmo. Acho que quanto melhor você escreve e mais relevantes os seus assuntos, mais leitores qualificados você ganha. Ultimamente tenho recebido alguns comentários inteligentes de pessoas que eu admiro. Estes valem por centenas de cometários medíocres e me fazem pensar que estou no caminho certo.
Gosto de escrever sobre assuntos nerds e viajar um pouco na maionese de vez em quando. Para isso criei a sessão “Delírios, Viagens e Alucinações“. É uma sessão onde gosto de escrever e tento me cuidar para não forçar a barra. Tenho o hábito de ser muito radical na hora de me expressar, de carregar na cores para enfatizar um ponto de vista. Isso pode trazer um pouco de problemas, pois como no Orkut, o lazer e o trabalho começam a se confundir e sua vida pessoal pode lhe trazer problemas profissionais. Por outro lado, fazer um blog completamente anônimo é ruim a não ser que isto seja proposital - já tive a idéia de criar o blog “Free as a Troll” mas desisti. Acho que um blog precisa ter personalidade e deixar transparecer as opiniões do autor. Por mais que você escreva sobre assuntos técnicos na maior parte do tempo, você não é uma máquina. Acredito que buscar a sua individualidade e saber expressar é uma arte. Ainda não aprendi, acho que as vezes sou muito comedido quando eu poderia ousar mais, como quando fui cobrado de colocar uma aba “Sobre” por aqui. Vou lhe dizer que enrolei muito tempo para escrever este texto e demorei a me convencer de sua importância. Por outro lado eu tenho certeza de que me exponho muito com opiniões fortes. Mas de toda forma, eu não tento evitar isso tanto assim, afinal eu sempre gostei de provocar meus interlocutores, seja na mesa de bar, na faculdade ou no trabalho. Não seria aqui que eu me omitiria.
Quando eu já tinha me formado na ETELG e ia até lá só para ajudar a fazer o jornal Estopim, uma pessoa sempre me perguntava o que eu ganhava com isso. Eu explicava longamente a minha opinião, mas ela aparentemente não se convencia e voltava a me perguntar em outro dia. Bom, eu realmente gosto disso. Gosto de escrever. Aprendo muito com isso e eu realmente sou fascinado com a idéia de escrever coisas novas. Gosto de me expressar e gosto que outras pessoas se expressem também. Eu diria que sou aficionado pelo debate saudável, onde você confronta idéias e ganha mais elementos para tirar as suas próprias conclusões. Este espírito me levou a escrever um texto na época do Estopim que não chegou a ser publicado e se chama “A Formação do Senso Crítico na Sociedade Atual“. Lendo este texto escrito há mais de 10 anos, vejo um marco de uma época em que eu estava muito preocupado com a importância do debate. Não é a toa que uma das coisas que eu mais gosto de fazer na vida é tomar cerveja com os amigos e debater um assunto polêmico qualquer. Pessoas inteligentes e polêmicas são excelentes companheiros de copo, mesmo que eles só tomem suco de laranja.
Mas é claro que o blog também é uma forma de autopromoção profissional. Nunca neguei isso. Mas também nunca ganhei dinheiro com isso, muito pelo contrário. Um blog pode ajudar no seu networking, embora conhecer pessoas presencialmente em eventos e tomar cerveja com elas seja infinitamente mais interessante e efetivo. As únicas pessoas que me procuraram a partir deste blog para solicitar meus serviços de consultor DBA não tinham dinheiro nem para me pagar a condução. De fato os gestores de TI de grandes empresas não devem acompanhar muito o meu blog. Mas de qualquer forma, ele é uma referência quando você se depara com uma entrevista. É corriqueiro as pessoas vasculharem seu perfil no Orkut antes de te contratarem, mas colocar o seu nome no Google também. E o SAVEPOINT está lá… podendo ajudar ou não como uma referência para a pessoa que está interessada em contratar meus serviços. Já pensei em colocar uma aba promovendo a minha empresa de consultoria. Cheguei a escrever um rascunho e acabei descartando. Tem gente que chega a colocar o próprio currículo no blog. Nada contra, mas por enquanto eu vou continuar assim mesmo.
Mas há uma última coisa que eu ganho ao escrever aqui e que realmente tem haver com o nome deste blog. Eu aprendo e me revejo escrevendo. Ao escrever eu me obrigo a organizar as minhas idéias e tentos expressar isso de maneira mais ou menos acabada. Ocorre que são apenas conclusões provisórias, sujeitas a alterações a qualquer momento. Um bom exemplo disto foi quando eu escrevi sobre “Autenticação de Usuários em Bancos de Dados“. Eu me arrisquei um pouco mais e divulguei este texto na lista do Oracle-BR. O Chiappa, que é um DBA que eu respeito muito pelo conhecimento e pela sua participação nesta lista, me deu uma resposta completamente contraria a minha opinião. Isto me obrigou a rever um pouco a minha opinião. O resultado é que estou lento TODA a documentação da Oracle sobre o assunto (que são uns 5 livros no total). Quanto eu terminar e me sentir mais seguro sobre o assunto, eu devo publicar um novo texto, mais maduro sobre o assunto. Certamente eu irei divulgar novamente o texto da lista do Oracle-BR e ver qual será a nova reação do colega Chiappa. Mas de qualquer forma o importante é que eu me permitir errar. E eu vejo que errei em algumas colocações minhas, o que me permitiu melhorar muito neste assunto. Isto significa que o meu blog está contribuindo diretamente para a melhoria do meu conhecimento profissional. Vale a pena ver as respostas na lista. O assunto é realmente polêmico e estes assuntos que me motivam a querer aprender mais e ser um profissional melhor qualificado.
Olhando por aí, a questão não é o que eu aprendi com o meu blog, e sim o que eu estou aprendendo! Tenho realmente muito o que agradecer aos meus leitores colegas.
Um grande abraço para quem teve paciência de ler até aqui. Nos encontramos num bar para um animado debate regado a boa cerveja qualquer dia desses! Ah, já ia me esquecendo…. e se alguém estiver afim de dar continuidade a este meme, esteja a vontade.
Tags: blog, ETELG, Oracle, PGCon Brasil 2007, PostgreSQL, PSL-ABCD
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Há algumas semanas eu conheci uma pessoa aficcionada por TV e Cinema. Chegou aqui no trabalho umas 17h para migrar a versão de um sitema com um boneco do Shrek e me contou que fazia parte de um grupo de pessoas que cria legendas em pt_BR para seriados em inglês. Eles só disponibilizam as legendas, se disponibilizarem o seriado, correm o risco de serem processados. É claro que isso pode ser baixado via P2P e não precisa de um site para isso. Alguém assiste e grava o episódio inédito na TV lá nos Estados Unidos. O pessoal coloca isso na Web e eles baixam aqui no mesmo dia (todos tem conexões de 4Mbit/s em casa…) e na manhã do dia seguinte as legendas já estão disponíveis, revisadas e sincronizadas. Um feito e tanto.
Então esta mesma pessoa me contou que no ano passado fazia parte de uma das equipes que traduziu o 6º livro do Harry Potter em cerca de uma semana. Houve uma certa disputa entre várias equipes para ver quem terminava a tradução primeiro. Assim como no ano passado, a versão traduzida oficial só chega meses depois, em Dezembro. Enquanto isso no mesmo dia em que o livro foi lançamento na Ingraterra as páginas escaneadas foram mandadas pela web para equipes de tradução e revisão. A versão foi traduzida em cerca de uma semana. Com qualidade provavelmente questionável, certamente, mas o suficiente para saciar a curiosidade de muitos leitores que não aguentam esperar até o final do ano ou não conseguem ler a obra na língua original.
Toda a operação é digna de piratas, sanguinários no melhor do estilo dos “Piratas do Tietê” é na verdade conduzida por jovens estudantes, boa parte com menos 18 anos. Eles não ganham dinheiro com isso. Não vendem nenhum produto. E mais uma vez a Internet sai quebrando paradgmas. O mercado fonográfico já vem enfrentando sérias dificuldades com a popularização dos MP3 Players. O formato de mídia conhecida como Compact Disc começa a definhar lenta e inexoravelmente. Ontem vi que já estão fazendo pen drives de 32 GB com o mesmo tamanho de um que continha apenas 128MB há poucos anos atrás.
Embora a tradução do último livro tenha sido rápida, e tenha recebido até notas de jornal, parece que o livro deverá vender bem aqui no Brasil quando a tradução oficial chegar nas livrarias. O motivo não é a qualidade questionável da tradução dos nossos jovens tradutores amadores, a questão é que ler um livro de 784 páginas num monitor não é muito agradável. Imprimir também não é uma alternativa muito boa, pois se você imprimir todas as páginas em A4 terá dificuldade em carregar o catatau de páginas, isso se o fizer em frente e verso.
Ai eu lembro do livro “A Vida Digital” do mesmo Nicholas Negroponte que hoje promove o famoso OLPC. O livro foi escrito há mais de 10 anos e previu muitas coisas que hoje se tornaram realidade. Uma das previsões mais incríveis foi a de que teremos “folhas de papel digital”, onde o monitor assumirá um formato tão confortável em termos de contraste, tamanho e peso como uma folha de papel. De certa forma estamos no caminho, os Tablets estão melhorando muito e já há opções muito interessantes. Se isso continuar… será o fim de uma das mais tradicionais mídias conhecidas até hoje, o papel! Até isso acontecer, a guerra pelos direitos autorais vai continuar crescendo e a fonte de receita dos “fabricantes de conteúdo” vai continuar migrando cada vez mais para serviços, como tem acontecido com os jogos eletrônicos que oferecem serviços para os jogos on-line ao invés de se concentrar na venda de licenças do jogo em si.
Seria interessante observar o que a máquina de fazer dinheiro que se tornou a saga de Harry Potter pretenderá fazer com os tradutores não oficiais do livro. Hoje, esta ação realizada por adolescentes não diminui os lucros astronômicos da editora. Se esta for inteligente, dará no máximo um puxão de orelhas em cada um. Mas o que acontecerá quando o papel digital chegar? Enquanto a história passa a contar com cada vez mais bytes e menos átomos, a expectativa é de que em poucos anos veremos muitas transformações acontecendo na nossa “era da informação”. De toda forma uma coisa em que eu acredito é que “A Revolução Não Será Televisionada”
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(Legião Urbana)
“É sangue mesmo, não é mertiolate”.
E todos querem ver E comentar a novidade
“É tão emocionante um acidente de verdade”.
Estão todos satisfeitos
Com o sucesso do desastre
Vai passar na televisão.
“Por gentileza, aguarde um momento.
Sem carteirinha, não tem atendimento
- Carteira de trabalho assinada, sim senhor.
Olha o tumulto: façam fila por favor.
Todos com a documentação.
Quem não tem senha, não tem lugar marcado.
Eu sinto muito mas já passa do horário.
Entendo seu problema mas não posso resolver:
É contra o regulamento, está bem aqui, pode ver.
Ordens são ordens.
Em todo caso, já temos sua ficha.
Só falta o recibo comprovando residência.
pra limpar todo esse sangue, chamei a faxineira
- E agora eu já vou indo senão eu perco a novela
E eu não quero ficar na mão”.
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