Arquivo da Categoria “Software Livre”


“Prezado Fabio Telles

Avaliamos sua proposta ‘Fazendo Um Elefante Passar Debaixo da Porta’ e informamos que ela foi aprovada pela comissão organizadora do fisl9.0.

Aguardamos sua confirmação até o dia 07 de Março.

Obrigado.

Comite de Programa do fisl9.0 - http://fisl.org.br
Associação Software Livre.Org
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http://www.softwarelivre.org
http://associacao.softwarelivre.org/

Em resumo… guardem uma Polar para mim!!!

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Lembro-me de uma palestra do Sr. Sérgio Amadeu dirigida a um público de professores. Ele fez estremecer e até causou indignação na platéia com a famosa paródia do professor que vivia há mais de 100 anos atrás e se teletransporta para os dias de hoje. Ao ser colocado numa sala de aula ele reconhece os mesmos instrumentos de seu tempo: o giz e a lousa. Ele entra em sala e assume o controle como se nada houvesse mudado. É claro que a paródia é uma provocação, mas traz um fato curioso: a aversão de muitos professores à tecnologia na educação. Há um lado sombrio da tecnologia que a cada dia mais quer substituir a relação direta entre professor e aluno por máquinas. Isto não é de hoje. Na década de 60 o governo criava um programa de educação por rádio. O detalhe é que a intenção era alfabetizar adultos… você consegue imaginar um adulto analfabeto aprendendo a escrever só de escutar um programa no rádio? Depois vieram os Telecursos onde uma pessoa colocava uma fita num vídeo cassete para uma classe e ia embora. Esperava-se que a classe conseguisse aprender assim. Também não deu certo, é claro. Hoje as tentativas de educação a distância apostam todas as suas fichas na Internet e a onda da Web 2.0 . Se é bom ou não, o tempo vai dizer. Sei que as pessoas autodidatas aprendem via Internet participando de listas de discussão, IRC, lendo artigos e livros muito antes de toda essa moda. Mas a média da população não é autodidata. Na verdade, a média da população lê muito pouco e lê material de baixa qualidade. Não quero desmerecer as pessoas que gostam de ler “Bianca”, “Revista Caras” ou gibi da “Turma da Mônica”. A questão é que se trata de uma literatura que não convida o leitor ao raciocínio e apelam muito para imagens de pessoas e ações. Idéias, são artigos raros. Da mesma forma, a Internet reproduz esta pobreza intelectual da mídia impressa, televisiva e radiofônica.

Com um histórico desses, não é a toa que tantos professores tenham medo de tecnologia. Um dia um professor me disse: “Eu não tenho nada contra tecnologia, eu apenas continuo acreditando numa coisa chamada professor”. E esta é uma coisa fantástica. A relação professor-aluno e o efeito do conjunto é muito importante. Por mais que os nossos colegas hackers autodidatas se comuniquem frequentemente a distância, os eventos presenciais são sempre muito importantes. Assim sendo, mesmo para a nata dos intelectuais, mesmo entre os mais acostumados com tecnologia, o contato presencial é fundamental e valioso.

No Brasil, o buraco é mais embaixo. Este buraco vem de um longo investimento da delapidação da educação. Isto começou no auge da ditadura militar em 68 e o impacto disso levou décadas para ser percebido. Digamos que alunos e professores que gostavam que criticar o governo não eram bem vistos. Alguma coisa tinha que ser feita. E foi feito. Apesar disso, houve um notável avanço da educação no final da década de 80 sob a bandeira da “Educação pública, gratuita, laica, de qualidade com acesso e permanência para todos”. Foi um movimento de reação ao fim da ditadura militar. O ensino público foi universalizado no Brasil como direito de todos e um dever do Estado. Novas propostas de ensino saíram de pequenos grupos de ensino e ganharam as escolas públicas. Foi um período de grande efervescência no Brasil. Paulo Freire ainda vivia e foi reconhecido pela sua obra dentro do seu país natal.

Mas a década de 90 foi cruel para a educação. Enquanto se ampliava o atendimento público no ensino fundamental, o investimento na educação diminuiu constantemente ao mesmo tempo em que a obrigação do Estado com outras modalidades de ensino eram reduzidas. O chamado custo/aluno caiu drasticamente e o salário dos professores foi mais uma vez achatado. A nova pedagogia que ganhava força na década de 80 foi reformulada e implantada sem o menor critério ou preparação. Temas transversais, construtivismo e ciclos foram empurrados para os professores que a esta altura já tinham passado por um ciclo completo de degradação: tiveram eles mesmos uma má educação básica, uma má formação em nível superior, uma má formação continuada no local de trabalho, um péssimo salário e condições de trabalho muitas vezes dignas de um presídio. Com a implantação equivocada dos ciclos e a aprovação automática, o governo ganhou números espetaculares de atendimento e um consequente aumento no IDH. O número de alunos ingressando no ensino médio e depois no ensino superior explodiu. Os famosos supletivos se transformaram em universidades particulares da noite para o dia, com uma qualidade tão duvidável quanto a dos supletivos que eles mantinham. As universidades particulares cresceram tanto que parecem grandes shoppings da educação. O professor desta faculdade se tornou um elemento indesejável numa transação entre o aluno e a faculdade. A faculdade quer vender o diploma, o aluno quer comprar e o professor fica lá no meio atrapalhando ambos. E eis que surge a educação a distância melhorando a transação comercial onde o professor já quase não atrapalha mais!

Há alguns anos atrás eu recebi um convite informal para analisar os dados do SAEB. Eu gostaria de comentar extra-oficialmente algumas conclusões interessantes. A primeira é que o SAEB não serve como amostra estatística fidedigna, uma vez que a forma como os dados são coletados são ruins. Não é feita uma amostragem estatística (a mesma que fazem nas pesquisas eleitorais) o que gera uma enorme distorção. A forma como o questionário é criado e preenchido também gera inúmeros problemas. Em resumo os cruzamentos estatísticos revelaram inúmeros furos nos dados. Então o máximo que podemos avaliar são algumas tendências, mesmo assim frágeis sob o ponto de vista científico.

Houve uma tendência em particular que chamou atenção na época. Havia uma pergunta sobre cursos extracurriculares. A maioria das pessoas que fizeram cursos de línguas estrangeiras tiveram notas bem acima da média. Outros cursos extracurriculares também apontavam para uma pequena tendência de notas acima da média com apenas uma exceção: informática. Isso mesmo, as pessoas que faziam apenas cursos de informática tinham em geral uma nota abaixo da média. Não é curioso? Não é não… pense bem… não é tão difícil assim para um jovem aprender a utilizar os recursos básicos de um microcomputador moderno sem fazer um curso.
Acredito que 90% dos cursos de informática, mesmo os mais avançados, sejam destinados a pessoas com dificuldades de aprendizado. Dificuldades que surgiram na sua educação básica. Dificuldade em pesquisar, comparar, criticar, esquematizar, resumir. O que lhes foi negado em sua educação básica foi o que as teorias Paulo Freire mais proclamava em seus livros: a capacidade de aprender a aprender, o senso crítico e a capacidade de ação para a transformação da sociedade. A informática pode ser uma ferramenta fantástica para desenvolver estas qualidades, mas se estes não forem despertadas já no ensino fundamental, de nada servirá. Investimentos em laboratórios de informática nas escolas, OLPC, podem ser muito interessantes para estimular a economia, mas tem um impacto negativo na educação se não tiverem um projeto pedagógico forte, com professores bem remunerados, com boa formação, salas menos superlotadas, tempo de planejamento de aula, e por aí vai. Lembro-me de uma ONG que montou um laboratório de informática no meio de uma tribo indígena. Foi muito bom, despertou a atenção da mídia e a ação ganhou muito destaque. Mas, veja bem… qual o impacto disso para os índios mesmo?

Tudo isso para chegar no ponto de comentar esta pesquisa que afirma que os alunos que pesquisam no computador tem pior desempenho na escola. Curiosamente a conclusão foi obtida com os dados do SAEB. Longe de questionar o resultado da pesquisa, parece que os dados fazem muito sentido para mim. Já não bastassem todo o caos da educação, pública e privada, chega agora essa tal de Internet para sacanear o professor outra vez! Anos de aprendizado copiando ditados, livros didáticos e enciclopédias nos trabalhos escolares deram vez agora a Internet. Ficou estupidamente fácil copiar sem esforço. O trabalho mecânico ao qual os alunos foram submetidos por anos a fio substituídos por alguns cliques no computador. Há professores que ainda se julgam expertos e exigem os trabalhos manuscritos. Então os trabalhos não são copiados mais manualmente do livro para o papel, são copiados manualmente da tela do computador para o papel. Genial, não?

A verdade é que os professores com má formação e maus salários, tendo que dar aula em duas ou três escolas para sobreviverem, mal lêem os trabalhos dos seus alunos. Se para alguém isso ainda lhe parece novidade, pense apenas que corrigir um trabalho de um aluno dá muito trabalho. Ocorre que os professores recebem praticamente apenas para trabalhar na sala de aula. O tempo remunerado para a preparação de aulas e correção de provas e trabalhos é quase nulo. Ou seja um bom professor tem de ser um herói para dar uma boa aula. Agora percebam que o professor está sendo destituído de suas poucas armas: a reprovação e a cópia. É claro que os professores poderiam fazer uma busca rápida na Internet e verificar se o texto foi plagiado ou não. Ao ler um trabalho de um aluno que você julga conhecer, você sabe quando ele está copiando ou quando ele está escrevendo com as suas próprias palavras. Mas isso dá trabalho, exige que você leia, que tenha acesso e tempo para pesquisar na Internet. Acima de tudo, isto exige que você ensine seus alunos a escrever, e isso sim dá muito trabalho. Não é a toa que vemos tantos alunos analfabetos funcionais cursando o ensino médio e faculdades particulares e ainda tirando boas notas.

No nível superior, as coisas se complicam um pouco mais, pois a questão da validade da informação começa a pesar nos braços dos poucos professores sérios. Não seria inteligente rejeitar como fonte de pesquisa a Internet como um todo. Mas também não é possível credenciar qualquer página da Internet como fonte válida para uma pesquisa acadêmica. Está posto aqui mais um complicador inusitado na vida dos professores. É bem verdade que não é porque um texto está impresso num livro em papel, isto signifique que ele é absolutamente digno de confiança. É bem verdade que os estudantes das “UNIBLA”s e “Faculdades Tabajara” deixaram há muito tempo de lerem os autores tidos como “clássicos” para utilizarem abordagens mais pragmáticas como os livros didáticos, apostilas e outras obras pasteurizadas. Lembro-me que faculdade eu recebia no começo de cada disciplina a bibliografia. O professor separava o material que ele considerava relevante para o aluno, como bibliografia obrigatória e complementar. Não haviam apostilas, não haviam livros que resumem as idéias de vários outros livros. A Internet só vem agravar mais ainda esta falta de seriedade no ensino. Uma vez que o livro didático e a apostila são a base da leitura do curso, como desabonar a enxurrada de artigos encontrados na Internet? O mais complicado é que em meio a artigos muito ruins com erros conceituais gritantes, você encontra material muito interessante, num formato mais interativo como blogs e fóruns. A agora, o que fazer?

Apesar de ter carregado com cores fortes as palavras aqui, eu diria que o buraco em que nos encontramos hoje não é tão feio quanto o pintado aqui… é muito pior! Os projetos como o OLPC são muito interessantes. Respeito muito a idéia do Sr. Negroponte. Mas com os investimentos tão pequenos na educação, eu ficaria muito feliz em ver os meus impostos sendo canalizados para esta coisa antiquada e fora de moda chamada professor.

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A notícia da semana: SUN compra MyAB que desenvolve o MySQL o banco de dados livre mais popular do mundo. O preço, 1 bilhão de dólares. A notícia virou destaque em vários lugares no Brasil e no mundo. Eu gosto muito do PostgreSQL, mas tenho que reconhecer o MySQL tem uma legião de usuários que fazem com que ele seja um jogador de peso no mercado. Particularmente na Internet, o MySQL é largamente utilizado. É simples, é rápido, é livre.

A SUN é uma empresa respeitável. Fez um bom negócio. A Oracle tentou comprar a MyAB há alguns anos sem sucesso. E olhe que estou falando da empresa que acabou de comprar a BEA Systems por 8,5 bilhões de dólares. Assim, vemos os grandes comprando os menores e o mercado vai se concentrando em grandes monopólios com suas soluções de “ponta-a-ponta”. Gostaria de lembrar que não tenho nada contra a SUN. Ela é uma das empresas que mais contribuiu com o Software Livre nos últimos tempos, inclusive com o PostgreSQL. Talvez o fato da SUN não possuir um SGDB de peso no mercado tenha feito com que ela invista neste setor.

Uma coisa curiosa que ocorre quando alguém vê a notícia da compra da MyAB é a reação: “Puxa vida, 1 Bilhão por um Software Livre!”. Então me lembro do texto “Os 5 Tipos de Projetos de Software Livre” do Sr. Josh Berkus. A MyAB tem algo em comum com outros projetos de Software Livre:

  • America On Line compra a Netscape, desenvolvedora do Firefox;
  • Oracle compra SleepCat, desenvolvedora do BerkeleyDB;
  • Oracle compra a Innobase, desenvolvedora do InnoDB;
  • Novell compra SUSE;

São todos casos em que uma empresa comprou outra empresa que desenvolve um Software Livre. Mas eles são de uma categoria especial de Software Livre, são projetos, segundo o Sr. Josh Berkus, do tipo corporativo, onde o desenvolvimento é dependente da empresa que detém a sua propriedade intelectual. Mesmo adotando licenças livres segundo a FSF OSI ou mesmo pelo Debian, eles costumam manter um controle rígido sobre o desenvolvimento do software. Isto significa que você tem garantido o direito de usar, distribuir e modificar o software, mas pode não ter a oportunidade de contribuir com código para o projeto.

Uma consequência direta sobre isso, é que os “projetos corporativos” de software livre tem preço. O MySQL teve seu preço avaliado em 1 bilhão de dólares. Outras empresas como Red Hat, Canonical, Zend e outras tem seu preço. Mas há projetos importantes que até o momento parecem resistir a essa idéia. O Kernel do Linux não está a venda, o PostgreSQL, o Debian, o Gentoo também não. Assim, vemos que existe um corte importante ao se olhar para projetos de Software Livre. É preciso olhar para como o Software Livre é desenvolvido para saber o que se pode esperar do seu futuro.

Não acredito que a SUN vá trazer malefícios para o MySQL, mesmo porque ele não compete com nenhum outro produto já existente dentro da SUN. Mas este tipo de coisa acontece muito. Em 2000 a IBM comprou o Informix que competia com o DB2 e ele foi sumindo silenciosamente do mercado. Em 92 FoxPro foi comprado pela Microsoft e teve o mesmo destino. Assim, vemos soluções algumas vezes muito boas sumindo para dar espaço por outras com mais fôlego financeiro.

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O Sr. Fernando França do Desconstruindo me mandou um e-mail falando sobre seu problema com o fornecedor de um ERP que utiliza o PostgreSQL, mas deixou de dar suporte para novas versões. A última versão que ele suporta é a 7.4 lançada há 5 anos. Para o ritmo de desenvolvimento do PostgreSQL isso é muita coisa mesmo. No entanto, o nosso amigo é brasileiro e não desiste nunca… foi atrás do fornecedor que lhe devolveu a clássica resposta: “O PostgreSQL não possui suporte oficial do fornecedor”.

Quando escuto uma coisa destas, respiro fundo e me preparo para uma longa conversa que se segue abaixo. A conversa não é nova, já foi discutida a exaustão em inúmeros lugares, inclusive aqui e esta infelizmente não será a última. Graças a campanhas difamatórias de grandes empresas este assunto vem a tona sempre que alguém deseja se opor a algum tipo de mudança.

Vejamos os argumentos que estão na ponta da língua de quem usa este tipo de argumento:

  • Eu preciso ter uma empresa que eu possa processar se houver algum problema grave.
    • Se você olhar o kernel do Linux ou do FreeBSD, você verá que não há realmente qualquer garantia por parte do fornecedor de que aquilo irá funcionar adequadamente. O mesmo vale para qualquer software livre que você conheça. No entanto isto não impede que ele seja utilizado em ambientes críticos, por grandes instituições no Brasil e no mundo. Da NASA, forças armadas e grandes bancos, todos confiam em softwares livres para tocar o seu negócio. Qual o problema de se confiar no PostgreSQL?
    • Você acredita realmente que alguém fornece um software e realmente garante 100% o seu funcionamento? Olhe as licenças de software dos grandes fornecedores e você verá que todos possuem cláusulas onde especificam claramente que não se responsabilizam pelo mal funcionamento do Software. Você não compra uma garantia, você compra uma marca.
    • Você acredita realmente que vai processar a IBM, Oracle ou Microsoft? Já pensou se as pessoas conseguissem processar a Microsoft a cada vez que o Windows apresentasse uma falha crítica que causasse prejuízo para alguém? Porque você acha que todos estes softwares fazem questão de que você concorde com a sua licença de uso antes de utilizar ele?
  • Eu preciso de suporte oficial.
    • Você precisa de suporte de qualidade. O oficial, fica por conta do fornecedor que tem quer lhe vender o suporte. Ocorre que quando o software não é livre, apenas uma empresa tem o código fonte do software e somente ela sabe realmente como ele funciona. No caso do software livre, você pode escolher a empresa que lhe dará este suporte e pode escolher trocar de empresa se você não gostar dela. Se você não estiver satisfeito com o suporte de um grande fornecedor de uma solução proprietária, você não tem outra opção a não ser pagar mais ou substituir toda a solução.
    • Se você não estiver satisfeito com o suporte oferecido pela documentação oficial, IRC ou listas de discussão por e-mail você pode contar com o suporte comercial de várias empresas ou de consultores especializados. Por fim, você pode contar ainda com uma série de serviços de hospedagem com suporte ao PostgreSQL
    • Você precisa de atualizações de segurança e correções de bugs. Se você não paga o suporte oficial de um fornecedor de software não livre você fica sem as atualizações do software. No caso dos software livres isto não ocorre. Você nunca vai ficar na mão por não ter pago o suporte num momento de dificuldades financeiras.
  • Eu preciso de uma empresa que me forneça suporte 24×7.
    • Você tem idéia de quanto custar o suporte 24×7 para uma solução Teradata, Oracle ou DB2? Adicione alguns zeros a direita e você chegará num valor razoável. Quem tem este tipo de suporte paga milhões. Se você quiser suporte 24×7 em algum Software Livre, basta pagar que você o terá.
    • Já existem grandes empresas de software que prestam suporte ao PostgreSQL, entre eles a Red Hat e Sun. Eles tem porte suficiente para lhe oferecer um suporte 24×7 nas condições mais agressivas que você possa desejar. É claro que isto não vai lhe sair barato…
  • Eu preciso de profissionais certificados.
    • Um certificado é um pedaço de papel que uma pessoa recebe após fazer uma prova. Toda pessoa que possui a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) tem que fazer uma prova escrita e uma prática. A maioria das certificações se limitam a uma prova escrita. Você acredita que os motoristas brasileiros são bons? E os profissionais certificados, você acredita que um certificado atesta a sua aptidão profissional?
    • Se você precisa de profissionais qualificados, há centros de treinamento com excelente qualidade com cursos adhoc, in company e com boas opções de conteúdo.

É claro que muitos fornecedores acabam acreditando nos bilhões de dólares investidos em propaganda e não na palavra de um simples blog. Mas a questão é que muita gente usa o PostgreSQL e outros softwares livres, tem suporte de qualidade e vão muito bem, obrigado. A maioria deles não grita isto aos quatro cantos por aí, mesmo porque, isto pode ser um diferencial competitivo. Mesmo assim sabemos que existem inúmeros casos de sucesso declarados que mostram a maturidade do PostgreSQL em ambientes corporativos.

O curioso neste caso é que a empresa em questão chegou a desenvolver uma versão para o PostgreSQL. Aqui entra um bocado de especulação pela minha parte. Uma especulação plausível, que pode não se aplicar ao caso em questão, mas certamente se aplica a outros casos. O fato é que há uns 5 anos atrás, na época do estouro do Kurumin, o Brasil experimentou uma certa euforia em torno do Linux. Muita gente apostou que o Software Livre seria a solução para cortar drasticamente os custos de TI e sairam implementando algumas soluções por aí de forma caótica. O resultado para quem partiu para este tipo de abordagem foi invariável: falharam miseravelmente. Ocorre que o Software Livre diminui o TCO da sua empresa, mas não a curto prazo. Inicialmente os custos podem até ser mais altos devido às demandas de treinamento, consultoria e migração. É a médio e longo prazo (3 a 5 anos) que o TCO começa a mostrar uma redução significativa.

Muita gente saiu criando versões de seus produtos compatíveis com plataformas livres. A Borland chegou a lançar o Kilix, uma versão do Delphi para Linux. Mas, muitos desistiram no caminho. Alguns voltaram para os braços das plataformas proprietárias. Muitos migraram de forma irresponsável, outros não souberam se adaptar ao ecosistema do Software Livre e alguns receberam propostas indecorosas para frear suas ações em direção ao Software Livre.

O fato é que se você fornece software proprietário para rodar em uma plataforma livre, você vai descobrir um novo tipo de cliente. Um cliente que começa a gostar da idéia de ter independência de fornecedor. Não se trata aqui de guardar um catatau de códigos fontes do fornecedor na gaveta. Trata-se da opção de não ficar amarrado a um fornecedor para o resto da vida.

Este é o tipo de liberdade que muitos fornecedores de software proprietário não gosta. Afinal, se é verdade que o lucro no mercado de software advém de serviços e não de licenças, ter o monopólio na prestação de serviços em algum nicho é um grande negócio. Se você usa Java, você pode escolher o SO que desejar e SGDB de sua preferência para rodar a sua aplicação. No entanto, se você utiliza o Oracle Application Server, que utiliza o Java e o Apache, você só pode utilizar o SGDB Oracle e só a Oracle pode lhe dar suporte. Você vai encontrar fenômeno semelhante se você utilizar o WebSphere da IBM. Imagine agora que você resolve implementar uma solução de um fornecedor de ponta a ponta? Há fornecedores que podem lhe prover servidores, SO, SGDB, Web Server, ERP, BI e o que mais você possa imaginar. Bom, se você fizer isso, é melhor comprar um bom lote de ações desta empresa, pois você estará tão preso que é melhor ser sócio dela.

Conclusão, se você quer que um fornecedor de software proprietário seja homologado numa plataforma livre, você deve ter muita bala na agulha, caso contrário, o fornecedor dificilmente lhe dará ouvidos.

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4 de Dezembro, chego em casa umas 23 horas e vejo o e-mail na lista pgsql-announce: “Lançada a versão Beta4 do PostgreSQL”. Hum… isto significa que o 8.3 não vai sair até o PgCon Brasil. É uma pena… e motivo de orgulho ao mesmo tempo. É uma pena que a festa não vai ser completa durante o evento. É um motivo de orgulho pelo simples fato de não haver data para o lançamento oficial. É isso mesmo. Isto é uma das maiores vantagens dos softwares realmente livres. Já ouviram falar na piada de que o Windows seria o maior programa Beta da história? Bom… isso não ocorre só com o Windows. Acontece com quase toda empresa cuja receita provém da venda de caixinhas. Se você lançar um versão excelente e estável, você venderá suas caixinhas. Mas você precisa vender o mesmo produto para seus clientes daqui a um ou dois anos. Resultado: existe uma pressão dos acionistas para que a versão saia logo, custe o que custar. E o custo costuma significar estabilidade.

Os projetos de Software Livre mantidos por comunidades não sofrem este tipo de pressão. O Debian chegou a demorar alguns anos para lançar o Sarge enquanto as outras distibuições Linux eram lançadas a cada ano ou mesmo a cada 6 meses. Mas se você procura por uma distribuição realmente estável… o Debian é uma excelente escolha. Quando falamos de Bancos de Dados, a estabilidade é motivo de paranóia constante. É absolutamente normal uma nova versão de um SGDB demorar 3 ou 4 anos para ser lançado. O PostgreSQL tem liberado praticamente um release por ano. Isto pode assustar alguns DBAs que não estão acostumados com o ritmo de desenvolvimento de uma comunidade ativa. A comunidade de desenvolvedores do PostgreSQL tem se mostrado bastante ágil no desenvolvimento de novas funcionalidades e na correção de erros. O importante, é não ceder a pressões para lançar um produto imaturo no mercado. Ao olharmos a história das versões de vários produtos conhecidos de mercados, encontramos vários lançamentos de valor questionável como o o MS-DOS 6 ou o impagável Windows Milenium Edition, para citar casos mais clássicos. O Corel Draw perdeu muito da sua credibilidade entre os designers para a Adobe, devido a uma política de lançamento de versões agressiva no final da década de 90. A própria IBM teve a versão 6 do DB2 que não foi bem recebida pelo mercado.

Software Livre também não está livre destes problemas. Assim, Red Hat, SUSE, Mandriva, Canonical e outras distribuições mantidas por empresas sofrem uma pressão para lançar rápido novas versões. Assim como em distribuições Linux, temos o mesmo ocorrendo com outros tipos de Software Livre. Assim, entre os SGDBs o PostgreSQL ganha mais um ponto por ser mantido por uma comunidade realmente fantástica. Pode ser que demore muito até o dia em que os DBAs reconheçam isto como um ponto positivo. Em todo caso, só o tempo irá dizer se isto realmente fará a diferença.

Então, se alguém lhe perguntar quando sairá a nova versão do PostgreSQL (ou outro Software Livre mantido por uma comunidade), não tenha dúvida e responda:

- Quando estiver pronto!

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