Posts Tagged “CMMI”

Há tempos atrás eu descobri o Blog do Mussi. Dando uma passeada por lá encontrei uma referência a um artigo muito interessante chamado “CMMI no olho dos outros é refresco“. O artigo foi escrito pelo Sr. Mateus Velloso que possui em seu currículo uma quantidade impressionante de letrinhas relacionadas a certificações da Microsoft em seu currículo. O negócio deu tanta polêmica que quase dois meses depois ele escreveu uma contunuação/resposta ao primeiro artigo chamdado “Ainda sobre o CMMI e o refresco“.

<delírio>

Lembro de um professor muito bom que tive na faculdade. Toda semana tínhamos que ler praticamente um livro para a sua aula. Ao chegar na aula ele não discutia o livro, não explicava o que o autor dizia. Ele falava sobre porque o autor dizia aquilo. Para qual público ele se dirigia, o que ele queria provar com aquelas idéias, quais posições ele queria defender e atacar. Seu curso foi bem difícil, com uma bibliografia pesada, mas suas aulas eram incríveis e acho que aprendi muito lá. A grande questão é aprender a fazer a leitura das intencionalidades. As ações das pessoas são repletas de intencionalidades. Na educação, dizem que existe um currículo oculto, que são as coisas que se ensina sem contudo coloca-las explicitamente na grade do curso. Pode-se ensinar a repetir, copiar, obedecer, como pode-se ensinar a questionar, criar e comparar. O currículo oculto reflete a intencionalidade do educador com seus educandos.

</delírio>

Então vejo o texto do Sr. Mateus Velloso, que traz uma análise de intencionalidades. Encontramos uma tentativa desesperada do mercado em depender menos de pessoas talentosas e poder se contentar com profissionais medíocres e descartáveis. Enquanto alguns insistem em dizer que há falta de bons profissionais no mercado, o mercado vai sendo inundado com péssimos profissionais que desenvolvem soluções de baixa qualidade. Não importa a técnica que você empregue, é preciso investir mais na sua equipe. Bons profissionais levam tempo para se formar. Um bom programador leva 5 anos para se formar numa boa faculdade, em geral em período integral. Depois leva mais 5 anos trabalhando na área para poder amadurecer. Então este profissional que já deve estar com seus quase 30 anos descobre que é difícil sustentar uma família sendo um programador. Você acaba aceitando uma posição administrativa, coordenando equipes ao invés de programar. E assim, o que poderia se tornar um bom programador acaba se tornando um mau chefe.

<mais delírio>

Estes dias meu pai me explicava uma teoria interessante sobre médicos. Eu dizia a ele que é difícil confiar na opinião de um médico e que quando você vai com um problema em 5 médicos, é comum ter 5 opiniões diferentes. Aí ele me explicou algo que parece óbvio, mas não havia me ocorrido antes. Você tem que entender como o médico é remunerado para poder interpretar a sua atitude. Se o médico recebe uma remuneração fixa mensal, então ele tenderá a não recomendar nenhuma intervenção cirúrgica ou tratamento que vá dá trabalho para ele. No entanto, se o médico ganhar por procedimento, então ele tenderá a carregá-lo rapidamente para a mesa de cirurgia e recomendar tratamentos intermináveis.

E engana-se quem pensa que indo a médicos caríssimos estará livre deste tipo de situação. Você verá doutores muito conceituados com este tipo de prática. Aí olhamos para os hospitais, os convênios e a indústria farmacêutica e tudo faz sentido!

E como você escolhe um bom médico? No meu caso eu conto com o bom senso da família, que me indica o médico certo para cada tarefa que vá além de colocar um gesso ou receitar uma aspirina. Lembro de um programa onde a pessoa ia contratar um empreitero para reformar a sua casa e levava um cachorro enorme seu junto. Se ele concordasse com os termos do empreiteiro e o cachorro gostasse da pessoa, ele contratava. Parece besteira, mas faz sentido!

</mais delírio>

Agora, se você quer saber como uma instituição funciona, sua capacidade de atender suas demandas, investigue a forma como os seus funcionários são selecionados e descartados. Sim senhor, investigue isso, leve seu cachorro para cheirar a empresa. Todo consultor quer vender consultoria, é claro! Eles sempre lhe acharão um novo método revolucionário para reinventar a roda. Pode ser CMMI, PMI, ISO alguma coisa e por aí vai. Se a fundação Abrinq cria um selo de “Empresa amiga da criança” para as fábricas de brinquedo venderem mais, imagine o que os consultores não lhe empurrarão. Mas você não verá consultores questionando a sua forma de contratar seus empregados, quanto você paga a eles ou seu estilo de comando.

Realmente… seria bom se você pudesse ir para o supermercado e escolher os produtos que vêm com um “selo de qualidade” e ficar tranqüilo. Comprar software é realmente uma tarefa difícil. Então, devo dizer que quando escrevi aqui um texto sobre “compra de software corporativo” não levei em consideração isso. Pobre daqueles que dependem de licitações para comprar software, pois não podem levar seu cachorro para a mesa de negociação.

Por fim é curioso que o autor, mesmo sendo uma pessoa com siglas suficientes no currículo com o carimbo da Microsoft, acaba por fim acreditando em muitas coisas que a turma do Software Livre já está careca de saber. Não que eu vá acreditar piamente no modelo Bazar de desenvolvimento. Não existe uma solução única para todos os problemas. Mas quem se acostumou a usar menos o mouse, sabe que isso não é uma simples piada. É realmente possível ser muito mais produtivo lançando mão da perfurmaria e se concentrando em soluções mais robustas. É meu caro Velloso, nós acreditamos em muito do que você acredita também! E acreditamos tanto nas pessoas, que temos a coragem de acreditar na comunidade!

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Requisitos para compra de software

Muito bem, chegou a hora da equipe de TI assumir o seu papel e definir quais são os requisitos técnicos que serão avaliados no processo de escolha do software. Esta é uma tarefa bastante espinhosa pois são muitas variáveis a serem consideradas. O serviço público tem novamente uma dificuldade extra, uma vez que se levantar exigências obrigatórias muito altas, corre o risco de não encontrar nenhuma empresa que atenda às suas expectativas e então toda a licitação é cancelada. Por outro lado, se pontuar poucas coisas, as empresas com sistemas de baixa qualidade ganharão a licitação por apresentarem o menor preço.

Para facilitar este trabalho, você pode fazer primeiro um brain storm e colocar no papel todos os ítens técnicos que você gostaria de encontrar no software. Depois você deve filtrar aqueles que são pouco relevantes e verificar se existem soluções que atendam aos seus critérios. Por fim você deve definir em que posição cada critério deve estar:

  • O - Requisito obrigatório: é aquele que quando não estiver presente desclassifica completamente uma proposta. Deve-se tomar um especial cuidado para não excluir de cara soluções que possam não atender um requisito específico e ainda sim ser uma opção viável.
  • Requisito desejável: é aquele que não desclassfica uma proposta mas servirá para compor uma nota técnica final. Você pode atribuir pesos diferentes para cada ítem como:
    • MD - Muito desejável (5 pontos),
    • D - Desjável (3 pontos),
    • PD - Pouco desejável (1 ponto).
  • C - Requisito contratual: é aquele que compõe uma exigência contratual obrigatória que influenciará no custo global de implantação e manutenção. Os ítens se referem em geral a forma como os serviços da empresa contratada deverão ser realizados.

Vejamos aqui alguns requisitos que você poderá querer utilizar como ponto de partida para a sua pontuação. Longe de querer apontar uma forma acabada, a intenção aqui é demonstrar um exemplo de como comparar soluções de software, sobre o ponto de vista de TI. A classificação e escolhas dos ítens variam muito em cada caso. Dependem da maturidade do mercado de software para a solução que você deseja adquirir. Os pesos atribuídos para cada ítem são mais para efeito de ilustração e devem variar com a cultura de TI existente.

Documentação Fornecida

Aqui está em jogo a capacidade do software em fornecer informação em diversos níveis em com diferentes qualidades. A qualidade da documentação está diretamente relacionada com a capacidade de manutenção do software comprado. Quanto melhor a documentação, menor o custo de manutenção e menor o tempo necessário para correções de erro e implantação de novas funcionalidades.

Ítem C O MD D PD
Dicionário de Dados contendo descrição de tabelas, chaves estrangeiras, índices, visões, sequências, gatilhos, funções, procedimentos e roles X
Diagrama Entidade Relacionamento X
Diagramas de caso de uso (UML 1.1 ou superior) X
Diagramas com regras de negócio em outro formato X
Diagramas de classes (UML 1.1 ou superior) X
Outros diagramas UML 1.1 ou superiores X
Manual do usuário impresso X
Ajuda on-line para o usuário com opção de busca X
Ajuda on-line sensível ao contexto X
Controle de versão de toda a documentação X
Atualização de toda a documentação a cada nova versão do software X

Vale aqui verificar qual é o formato em que as documentações técnicas estão disponíveis. É sempre interessante receber a documentação em formato impresso (alguns diagramas podem necessitar de papel de tamanho especial como A2 ou A1) e formato eletrônico. O formato eletrônico é mais adequado para receber quando houverem apenas pequenas alterações do software. No entanto, muitas empresas utilizam formatos que só abrem em programas específicos, dificultando a sua manipulação.

Tecnologia

Aqui a maioria das pessoas deve procurar se afastar dos modismos e procurar tecnologias já consagradas no mercado. Ferramentas proprietárias tem o azar de perderem o suporte depois de algum tempo, o que pode causar transtorno a longo prazo. Deve-se evitar ferramentas pouco robustas como geradores de código e RAD.

Um cuidado especial deve ser tomado com custos relacionados a tecnologias proprietárias. O custo das licenças deve ser contabilizado no custo total de implantação. O custo de manutenção destas ferramentas também deve ser contabilizado no custo total de manutenção. Particularmente, a maioria das linguagens de programação não exigem licenças de uso para executar a aplicação final, no entanto existem ferramentas que utilizam interpretadores que convertem o código da aplicação em código de máquina, necessitando de licenças por conexão ou por processador.

Ítem C O MD D PD
Uso de SGDB relacional multiplataforma compatível com a linguagem SQL X
Uso de protocolo de comunicação TCP/IP X
Uso de servidor de aplicação multiplataforma X
Interface com usuário multiplataforma X

Se possível dê preferência (colocando como ítem desejável) por tecnologias que sua equipe já tem experiência, principalmente se houver a intenção de adquirir o código fonte do software. Uma atenção especial neste sentido deve ser dada às tecnologias de comunicação e de banco de dados. Você pode ser obrigado a fazer investimentos significativos de precisar suportar tecnologias novas nesta área.

Arquitetura

A arquitetura do software é uma área importante no mundo corporativo. Softwares cliente-servidor estão sendo aposentados por apresentarem difícil manutenção e baixa escalabilidade.

Ítem C O MD D PD
Uso de 3 camadas X
Uso de MVC X
Uso de framework de software
X

Desenvolvimento WEB

Este ítem está destacado aqui por apresentar uma série de especificidades que merecem atenção especial. As aplicações web tem inúmeras vantagens que fogem do escopo deste texto, no entanto, uma boa aplicação deve atender a alguns critérios mínimos que se esquecidos podem trazer surpresas desagradáveis para os usuários. As interfaces WEB tem se tornado muito populares, mas não são adequadas ainda quando você precisa de entrada de grande volume de dados ou quando precisa de ferramentas gráficas de edição avançadas. Se você não pretende utilizar aplicações WEB, você pode pular esta parte.

Ítem C O MD D PD
Homologação nos navegadores IE 6.0, Firefox 1.0 e Safari 1.0 e todas versões superiores X
Possuir CSS 1.0 válido X
Possuir HTML ou XHTML válido X
Utiliza servidor web multiplataforma X
É plenamente funcional sem Java instalado no cliente X
É plenamente funcional sem JavaScript habilitado X
Possui suporte a https X

A parte mais importante aqui é garantir que a aplicação WEB seja escrita utilizando os padrões da W3C, garantindo que a aplicação funcione em diferentes situações.

Metodologia de desenvolvimento

A metodologia de desenvolvimento adotado está diretamente relacionada com o risco da empresa possuir métricas capazes de cumprir prazos e orçamentos. Uma metodologia formal bem documentada e aplicada deve trazer segurança o processo de desenvolvimento. Na área corporativa, a certificação CMM e CMMI são sinônimos de qualidade nesta área. No entanto, nem sempre se encontra fornecedores com este tipo de certificação para o tipo de software que se deseja adquirir. O processo de certificação CMMI custa atualmente cerca de U$ 400 mil, sendo assim, a SOFTEX criou uma iniciativa de certificação nacional chamada MPS.BR baseado no CMMI que está permitindo fábricas de software de menor porte alcançar uma certificação. O MPS.BR é ainda muito novo, mas estima-se que um número cada vez maior de pequenas e médias empresas adotem esta certificação no Brasil.

Deve-se ter em mente que quanto mais crítico e complexo for o software, mais importante será a contratação de uma empresa com certificação.

Ítem C O MD D PD
Certificação CMM ou CMMI nível 3 ou superior X
Certificação CMM ou CMMI nível 2 X
Certificação ISO 15504 nível 3 ou superior X
Certificação ISO 15504 nível 2 X
Certificação ISO 12207 X
Certificação MPS.BR níveis F e G X
Certificação MPS.BR níveis E ou superior X

Caso você não encontre empresas certificadas que forneçam o software desejado, você terá que pensar na seguinte tarefa: como verificar se um fornecedor possui um modelo de desenvolvimento confiável onde seja visível as etapas clássicas do desenvolvimento de software (análise, especificação, projeto, implementação, teste, documentação, treinamento, implementação e manutenção). Segue alguns indicadores que podem ser utilizados.

Ítem C O MD D PD
Organograma detalhado da equipe de desenvolvimento X
Descrição detalhada das funções da equipe de desenvolvimento X
Modelo de Processo de Desenvolvimento de Software formalizado X
Utiliza RUP X
Utiliza controle de versão do código fonte X
Possui equipes distintas para

  • Análise e projeto
  • Desenvolvimento
  • Testes
X
Possui equipe distinta para gerência de projetos X
Realiza testes do tipo Caixa Branca X
Realiza testes do tipo Caixa Preta X
Realiza testes do tipo Caixa Cinza X
Realiza testes de unidade, integração e sistema X

Usabilidade

A usabilidade diz respeito a facilidade com que o usuário lida com a aplicação. Em geral, uma boa usabilidade garante maior produtividade e satisfação e menor ocorrencia de erros por parte do operador do software.

Ítem C O MD D PD
Interface e menssagens traduzidas para o Português do Brazil. X
Validação dos tipos dados inseridos X
Exibe falhas de validação após a digitação de cada campo X
Exibe apenas as funções ativas na tela X
Solicita confirmação do usuário para ações destrutivas ou não reversíveis X
Realiza paginação de listas X
Possibilita a inserção de texto com letras maiúsculas X
Possibilita plena navegação na aplicação sem uso do mouse X
Tabulação dos campos segue a órdem em que aparece na tela X
Possui busca fonética no Português do Brasil em campos de texto X
Exporta relatórios no formato CSV X
Exporta relatórios no formato PDF X
Exporta relatórios no formato MS Word 2000 ou superior X
Exporta relatórios no formato MS Excel 2000 ou superior X
Exporta relatórios no formato ODF X
Permite que o operador selecione um tema em alto contraste X
Permite que o operador aumente o tamanho da fonte padrão do texto X
Possui teclas de atalho para as principais funções e menus X
Sinalização gráfica informando o status de operações longas ou em várias etapas. X
Botões exibem dicas quando o ponteiro do mouse para sobre eles X

Interoperabilidade

Esta categoria diz respeito a capacidade do sistema de se integrar com os seus demais sitemas legados ou que possam vir a ser adquiridos futuramente. Suportar protocolos e padrões abertos são requisitos obrigatórios. A questão de interoperabilidade é tão importante que o Governo Federal criou o e-PING que é um documento trata com detalhes o assunto. A versão 1.0 do e-PING foi publicada em 2005 e continua sendo atualizada constantemente, se tornando uma referência obrigatória nesta área.

Segurança e Auditabilidade

Esta categoria de requisitos visa garantir a segurança e integridade das informações contidas no sistema bem como rastrear possíveis problemas ocorridos durante a operação do software.

Ítem C O MD D PD
Utiliza integridade referencial no banco de dados X
Utiliza controle de transações para operações concorrentes X
Não registra usuários da aplicação como usuários do banco de dados X
Armazena senhas de usuários em formato criptografado X
Registra histórico de operações realizadas pelos usuários X
Registra erros de importação de dados externos
Registra erros da aplicação dentro do servidor X
Possui busca nos registros históricos por nome de usuário, data e tipo de operação X
Proteção contra injeção de SQL X
Criação de perfis de usuários X
Atribuição de usuários ou perfis de usuários a um perfil de usuário.
Atribuição de permissões para cada funcionalidade por usuário X
Atribuição de permissões para cada funcionalidade por perfil de usuário X
Atribuição de permissão para cada usuário a uma faixa de valores em funcionalidades específicas X
Possibilidade de inativar usuários por período determinado X
Possibilidade de inativar usuários por período indeterminado X
Possibilidade de inativar grupos de usuários por período determinado X
Possibilidade de inativar usuário em data prédeterminada X
Expira seção do usuário após determinado de inatividade X

Implantação e Manutenção

Este ítem descreve como deve ser o processo de implantação e manutenção. Os prazos aqui definidos tem impacto direto nos custos de implantação e manutenção do Software.

Ítem C O MD D PD
Importação, checagem de consistência e remodelagem de dados já existentes para o novo software X
Análise de requisitos, adequação do software e testes X
Implantação de funcionalidades principais em até 6 meses após início da vigência do contrato X
Implantação de funcionalidades secundárias em até 12 meses após início de operação das funcionalidades principais X
Treinamento dos usuários do software antes da implantação do Software X
Treinamento da equipe de TI demonstrando o modelo de dados do Software X
Treinamento ou reciclagem de usuários anualmente após implantação do Software X
Criação de interfaces com outros softwares já existentes ou que venham a ser implantados em até 20 dias úteis X
Implantação ou alteração de funcionalidades por força de alteração na legislação federal, estadual ou municipal X
Correção de erros críticos em até 4 horas X
Correção de erros graves em até 24 horas X
Correção de demais erros em até 5 dias úteis X

Aqui, é possível que alguns fornecedores lhe digam que não tem condições de cumprir alguns prazos exigidos. Não deve-se descartar imediatamente estas empresas. Se o fornecedor adquiriu uma boa avaliação nos requisitos de metodologia de desenvolvimento, e possui uma equipe de desenvolvimento com um porte mediano em comparação aos demais fornecedores, é possível que seus prazos sejam realmente impraticáveis. É recomendável discutir esta questão com outros fornecedores e avaliar se os prazos são viáveis e se for o caso altera-los.

Equipe de desenvolvimento

Este grupo de requisitos visam medir a qualidade da equipe de desenvolvimento, bem como o porte da mesma. Uma grande equipe garante que a simples saída de um funcionário do fornecedor não vá comprometer o projeto como um todo além de permitir a alocação de mais recursos em épocas de grandes demandas.

Ítem C O MD D PD
50 ou mais pessoas da equipe de desenvolvemento com jornada acima de 30 horas semanais em regime CLT X
10 ou mais membros da equipe de desenvolvimento com mestrado ou experiência comprovadas na área de desenvolvimento superior a 10 anos X
25 ou mais membros da equipe de desenvolvimento com nível superior ou experiência comprovadas na área de desenvolvimento superior a 5 anos X
5 ou mais membros da equipe de desenvolvimento com certificação PMP ou experiência comprovada na área de desenvolvimento superior a 5 anos X
5 ou mais membros da equipe de desenvolvimento com experiência comprovada como DBA superior a 5 anos X
5 ou mais membros da equipe de desenvolvimento com experiência comprovada em teste de software superior a 5 anos X
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Comprar pronto, desenvolver internamente ou desenvolver externamente?

Parte 2 - Metodologia para compra de software
Parte 3 - Requisitos para compra de software
Parte 4 - Conclusão

Comprar software é um grande tabu! Não estou falando obviamente de software de prateleira, estou falando em grandes aplicações para uso corporativo. Para quem pensa que basta dar um giro na Internet e dar meia dúzia de telefonemas, não se engane. A escolha da melhor opção pode demorar mais de um ano, envolver consultoria especializada e movimentar uma grande equipe interna.

Longe de ser um especialista nesta área, seja academicamente, ou profissionalmente, o fato é que acompanhei alguns processos de aquisição de softwares e procurei fazê-lo da melhor forma possível. Gostaria aqui de discutir algumas idéias que hoje me fazem sentido.

A primeira questão ao comprar um software é pensar se você quer realmente comprar algo “pronto”, contratar uma empresa que faça o desenvolvimento a partir do zero sob medida ou desenvolver o software você mesmo com uma equipe interna. E uma decisão deste tipo pode parecer óbvia, mas é muito delicada. Envolve o modelo de TI da empresa. Sempre que se deseja implantar ou substituir um grande sistema corporativo, este tipo de questionamento deve ser refeito e analisado com cuidado. Com o passar do tempo, as respostas dentro de uma mesma organização podem mudar significativamente.

A primeira coisa que eu quero dizer é que esta decisão envolve basicamente 5 aspectos:

  • Custo de implantação: Quanto custa em termos de horas-homem da sua equipe atual (não apenas de TI), e de contratação de consultoria, desenvolvimento, migração, integração e eventualmente de aquisição de licença de uso.
  • Custo de manutenção: Quanto custa gerenciar um contrato, diagnóstico de problemas, contratos de manutenção, prejuízos causados pelo atraso na correção de um erro ou na implementação de uma nova funcionalidade.
  • Tempo de implantação: Quanto tempo demora para colocar as principais funcionalidades no ar, adaptar o software para a realidade da empresa, implementar funcionalidades adicionais e integrar o sistemas com outros já existentes.
  • Risco de implantação: Qual é o risco de se investir numa aplicação que pode não ser entregue dentro do prazo ou mesmo não conseguir suportar o seu volume de negócios ou atender a sua complexidade?
  • Risco de manutenção: Qual é o risco de você ficar dependente de uma equipe ou empresa que detenha todo o conhecimento sobre o software. Qual o risco destes agentes decidirem por não mais prestarem serviços neste software ou oferecerem serviços aquém do esperado tempos depois da implantação?

Não existem respostas prontas. Cada opção traz respostas melhores ou piores em cada um dos itens que variam de intensidade conforme a configuração da sua empresa.

Antes de passar em vista como o tipo de abordagem escolhida (comprar um pacote, desenvolver fora ou desenvolver localmente) afeta estas 5 variáveis é preciso fazer um esforço de diagnosticar a sua situação atual:

  • Já existe uma equipe de desenvolvimento local com uma boa cultura de desenvolvimento? Existem bons profissionais com conhecimento em linguagem de programação, modelagem de dados, análise de regra de negócios e gestão de projetos? Estes profissionais estão satisfeitos, estão bem preparados? Existe uma metodologia de desenvolvimento interna? As pessoas estão acostumadas a documentar seus sistemas, projetar antes de codar, fazer controle de versão, bug tracking, etc? Existe um framework de desenvolvimento homologado internamente? As pessoas possuem conhecimentos sobre métricas de desenvolvimento como a quantificação de pontos de função?
  • As áreas envolvidas pelo novo sistema estão diretamente envolvidas no processo? Como é o relacionamento e confiança destas pessoas em relação a equipe de TI? Os responsáveis pelos setores estão acompanhando o processo de perto? Eles apoiam a nova implantação ou tem resistência?
  • Qual é o prazo para a implantação ocorrer? Existe urgência na implantação? Qual é o risco em se atrasar a implantação?
  • Qual é a importância do software na vida da instituição? É um sistema periférico ou faz parte de uma área secundária? Qual o downtime admissível para a aplicação? Se o sistema apresentar um problema crítico que o torne inviável existe um risco de paralisar todas as suas operações?

Bem, pensando nisto, vamos avaliar nossas opções:

Desenvolvendo software localmente

Esta opção só é mensurável para quem já tem uma equipe interna bem estruturada. Somente sistemas pequenos, simples e estritamente periféricos podem ser confiados a uma equipe imatura de desenvolvimento. Se você está pensando em criar uma equipe nova para uma aplicação que não tem pressa de ficar pronta e está disposta a arcar com os custos desta equipe a longo prazo, esta também pode ser uma opção a se pensar.

  • O custo de implantação irá variar com o grau de maturidade da sua equipe e o grau de especificidade das suas necessidades. Se você possui uma equipe de desenvolvimento capaz de desenvolver a sua aplicação, o custo pode ser inferior ao de uma equipe externa. Um fator importante neste caso é o conhecimento interno das regras de negócio da equipe. Normalmente equipes já bem consolidadas tendem a conhecer bem as necessidades da organização. Isto pode ser um diferencial considerável. Se você estiver pensando em refazer um software que foi desenvolvido localmente, isto pode ser um fator que diminuirá consideravelmente o custo. No entanto, se os gestores não tiverem a capacidade de manter o foco nas funcionalidades mais importantes o projeto pode se perder no caminho.
  • O custo de manutenção de sistemas desenvolvidos localmente costuma ser menor. Não é preciso também gerenciar um contrato externo.
  • O tempo de implantação pode ser bem menor numa equipe interna bem estruturada. Isto pode variar com as especificidades das suas regras de negócio e do tamanho e qualidade da sua equipe interna. Algumas vezes a adaptação de sistemas prontos pode demorar mais que o desenvolvimento de um sistema novo feito sob medida. Por outro lado, quando você não tem uma equipe com capacidade de se dedicar plenamente ao desenvolvimento, você corre um sério risco de demorar muito mais do que espera.
  • O risco de uma aplicação desenvolvida internamente não funcionar costuma ser pequeno se a equipe já tem uma experiência com projetos do mesmo porte. O maior risco está na escolha por tecnologias e metodologias inadequadas para o porte da aplicação. Se você tem uma equipe experiente, as chances de sucesso são boas. Outra questão importante é a confiança na equipe de TI. Implantação de novos sistemas devem vir acompanhados de reengenharia de processos. Aqui o prestígio do setor de TI entra em jogo e a confiança na equipe deve ser avaliada não apenas tecnicamente, mas culturalmente.
  • O risco da manutenção do software são realmente pequenas, se você tomar um cuidado importante: Cuidar de utilizar boas práticas de documentação e jamais confiar o desenvolvimento a uma única pessoa que detém todo o conhecimento naquela área. Mesmo que você tenha profissionais satisfeitos, você nunca sabe quando um funcionário pode decidir ir embora.

Quanto maior a confiança na sua equipe de TI, maior são as vantagens de você confiar o desenvolvimento a ela. É vantajoso ter uma boa equipe interna se você depende muito de bons sistemas para o sucesso das suas operações. Um banco dificilmente irá confiar em terceiros para desenvolver seus sistemas centrais. A idéia de desenvolver grandes sistemas internamente está associada a diminuição do risco e não do custo.

Outro fator que pode alavancar o desenvolvimento interno é fazer uma customização de um software livre já existente. Softwares como o ERP livre Compiere estão se tornando realidade no Brasil. Quanto mais genérica for a sua demanda, maior a chance de existir uma aplicação livre que possa ser adaptada para as suas necessidades. Vale a pena pesquisar as soluções livres existentes no mercado. Os custos costumam cair e você não fica dependente de uma empresa externa, diminuindo ainda mais os seus riscos.

Desenvolvendo software externamente

O desenvolvimento externo é o meio termo entre desenvolver algo internamente e comprar algo pronto. Assim suas vantagens e desvantagens costumam ficar num meio termo entre ambas as opções. Se você tem uma equipe de TI pequena para abraçar um grande projeto, mas com capacidade de especificar bem as suas necessidades, o desenvolvimento de uma aplicação sob medida pode ser a solução ideal.

  • Se você tiver uma equipe capaz de especificar métricas de desenvolvimento bem definidas e modelar as suas regras de negócio, o custo tende a cair, uma vez que você saberá dimensionar o custo real da aplicação. Caso contrário, você pode encontrar vários custos adicionais no meio do caminho.
  • O custo de manutenção varia conforme a sua capacidade de dar manutenção internamente. Se você tem uma equipe de TI interna capaz de dar manutenção no software você deve optar por ser o dono do código fonte do software e exigir uma boa documentação do mesmo. Neste caso os custos de manutenção tendem a ser tão baixos quanto um sistema desenvolvido internamente.
  • O tempo de desenvolvimento está associado ao volume de recurso que você pretende investir. Aqui você pode contratar uma grande fábrica de software que entregará o produto em um tempo curto e lhe apresentará um cronograma de implantação factível.
  • O risco da implantação ter sucesso depende das opções tomadas a respeito da tecnologia e metodologia exigida ao seu fornecedor. A escolha de um bom fornecedor deve lhe trazer a segurança que você precisa. Empresas com certificação CMMI costumam ser uma boa opção.
  • O risco de depois da implantação você ter problemas também será baixo se você optar por possuir o código fonte e boa documentação da aplicação. Neste caso, mesmo que você não dê manutenção no software, você pode romper o contrato com o seu fornecedor e utilizar outro.

A opção de desenvolver uma aplicação a partir do zero utilizando uma empresa externa pode ser uma opção muito segura se você souber fazer isto direito. Quando você tem necessidades muito específicas e uma equipe interna pequena, esta pode ser uma excelente opção. Você também pode contratar uma empresa para adaptar uma solução livre já existente para as suas necessidades, diminuindo ainda mais sua dependência do fornecedor e seus custos. Esta opção torna viável a implantação de grandes sistemas em empresas de menor porte com uma boa margem de segurança, em um prazo bastante curto.

Comprando um pacote de software pronto

Esta opção é a mais difícil de se adotar, pois você tem pouca ascensão sobre o produto que vai adotar. No entanto existe algumas situações em que ela é a única opção viável.

  • Os custos de implantação costumam variar de acordo com as especificidades das suas regras de negócio. Quanto mais genérica forem as suas demandas, menores os custos de implantação. Normalmente o custo de uma licença de uso de um software costuma ser menor que começar a desenvolver a aplicação do zero.
  • O custo de manutenção costuma ser alto. As empresas que vendem pacotes de software corporativo prontos, geralmente sobrevivem a partir do contrato de manutenção. É aqui que se concentrará a maior parte dos seus custos ao adquirir um pacote de software.
  • O tempo de implantação varia com a especificidade das suas regras de negócio. Se você se propor a alterar seus processos internos em nome das melhores práticas da aplicação, o tempo poderá ser bastante curto. Se a sua especificidades forem muitas, o tempo de adaptação do pacote pode demorar muito.
  • O risco da implantação ser mal sucedida varia com a complexidade do software e as especificidades das suas demandas. Se o software precisar de muitas adaptações, as chances de uma implantação mal sucedida é grande.
  • O risco de você ter dificuldade na manutenção do software também é grande. Muitas empresas não gostam de manter uma versão exclusiva para cada cliente, obrigando-o a compartilhar de recursos comuns a todos os seus clientes. Se o seu fornecedor fechar, você poderá ter um grande problema na mão. Por outro lado, existem empresas que oferecem os códigos fontes do seu pacote de software. Se os códigos fontes vierem acompanhados e uma boa documentação, isto pode diminuir a sua dependência do fornecedor.

Existem duas situações em que a compra de um pacote de software costuma ser mais viável:

  • Se o seu tempo é curto e a sua capacidade de investimento a curto prazo é pequena, a aquisição de um software pronto pode ser uma alternativa viável. É claro que a longo prazo ela pode se revelar pouco adequada, mas o tempo muitas vezes é uma questão de sobrevivência.
  • Se você precisa de um sistema que não fará parte da sua cadeia central de valor e não há um sistema livre que ofereça as funcionalidades básicas desejadas.

Cabe aqui lembrar, que quanto mais genérica for a sua necessidade, maior a possibilidade de existir um software livre bastante maduro capaz de atender às suas necessidades.

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