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Já faz algum tempo que eu leio documentações de informática. Acabei aprendendo a ler em inglês pois não havia nenhum manual para o editor Magic Windows II que eu rodava no Apple II em português. De lá para cá li muita coisa que eu gostei e coisas que eu prefiro nem lembrar. Entre as coisas que eu gostei de ler está o livro Programação Perl dos Srs. Larry Wall, Tom Christiansen e Jon Orwant. É bom pois é bem abrangente, bem escrito, com boa profundidade e bom humor. A documentação oficial do PostgreSQL também é bem escrita e bem abrangente. Uma boa diferença é que como o livro de Perl não pretende ser uma documentação oficial, ele é mais descontraído. Esta é uma característica comum das documentações relacionadas com Software Livre.

Uma outra diferença fundamental é que a documentação do PostgreSQL mostra detalhadamente “o que” mas mostra pouco “como”. Isto não significa que precisamos de um livro do tipo “Torne-se um DBA PostgreSQL em 7 dias”. Estes livros costumam ter o péssimo hábito de emburrecer as pessoas com receitas de bolo prontas e não convida o leitor a pensar ou tomar decisões. Quando li a documentação oficial do PostgreSQL pela primeira vez, me senti finalmente encorajado a começar a modelar meu primeiro sistema dedicado a ele. No entanto, uma infinidade de desafios e decisões apareceram no caminho, e a documentação oficial tinha pouco a me dizer naqueles momentos. Eu ainda tinha pouca experiência e isso me levou a tomar decisões baseadas muitas vezes no meu bom senso e outras em alguns poucos artigos que encontrei na Internet. Mas… já dizia o Sr. Hobbes, que o bom senso é o dom mais democrático e contraditório da humanidade: todos acham que os outros carecem e bom senso e se julgam igualmente possuidores de boas doses dele. Resultado, fracassei miseravelmente em diversos aspectos.

Com o tempo e envolvimento com a comunidade, fui descobrindo um erro aqui e outro acolá. Aprendendo sobre outros bancos de dados, principalmente olhando para as diferenças entre eles, percebi algumas coisas nas entrelinhas que nem sempre estão explícitas na documentação. Isto me levou a escrever alguns artigos neste blog, particularmente nos últimos tempos, quando comecei a me sentir mais corajoso no sentido de expor minhas idéias e me permitir errar, expondo idéias inacabadas. Isto culminou com uma palestra no PGCon Brasil 2007. A idéia da palestra “Como Fazer um Elefante Passar Debaixo da Porta” era a de ajudar as pessoas que estão começando a utilizar o PostgreSQL, mas não tem tanta experiência como DBA. Olhando para o público do evento, percebo que existe uma minoria de DBAs na platéia. A maioria eram desenvolvedores/analistas/programadores e haviam também administradores de sistemas/redes. A questão é a de que praticamente não existem cursos de graduação para formar Administradores de Bancos de Dados. A meu ver, a maioria dos DBAs foram administradores de sistemas ou desenvolvedores que por alguma razão misteriosa decidiram se especializar nesta área.

Se formos pensar bem, o DBA fica justamente numa posição entre o desenvolvedor e o administrador de sistemas. O novo DBA trás certamente as melhores práticas da sua área de origem. Os administradores de sistema trarão uma preocupação com o uso e monitoramento dos discos, métodos de autenticação autenticação, ajustes do SO e por aí vai. O desenvolvedor trás um padrão de codificação, esquemas de autenticação da aplicação, modelagem, distribuição de objetos, etc. Mas bancos de dados não são novos… já em priscas eras, os computadores utilizam bancos de dados. O modelo relacional, no qual todos os grandes SGDBs se baseam (e ao contrário do que o pessoal da programação orientada a objeto imagina, continuará assim por um bom tempo) foi criado há mais de 30 anos. O livro “Introdução a Banco de Dados” do C. J. Date também já é pode ser considerado um clássico e está em sua oitava edição.

Os bancos de dados relacionais atravessaram a era dos sistemas centralizados em mainframes (que continuam existindo), a era cliente-servidor e a era programação em 3 camadas. O PostgreSQL tem suporte para utilizar tudo isso, mas nem sempre os novos DBAs tem consciência desta história toda. Ao ler a documentação do PostgreSQL, hoje eu vejo décadas de história relacionadas com as suas funcionalidades. Então fica claro para mim, qual livro falta ser escrito para o PostgreSQL. Não é um livro que substiua a documentação oficial. Vale muito mais a pena complementar e traduzir a documentação oficial do que escrever pequenos livros que repetem boa parte do que já existe lá. Hoje eu descobri mais um pequeno livro sobre PostgreSQL. Nada contra o livro. Mas eu não preciso ler ele para saber como ele é. Este tem apenas 240 páginas. Para um livro genérico, isso mal dá para começar. Segundo a editora, a Érica que tem fama de fazer livros didáticos, que mais parecem apostilas. Terceiro, o autor, com quem eu já tive aula, tem dezenas de livros editados no mesmo estilo.

Minha idéia não seria esta, muito pelo contrário. Acredito que um bom livro de melhores práticas deveria estimular o leitor a ler a documentação com freqüência, citando-a em diversos pontos. Mesmo porquê, existe um trabalho intenso da comunidade em atualizar a documentação oficial a cada nova versão do PostgreSQL. Um livro de melhores práticas deveria se um pouco menos dependente de uma versão específica.

Um livro de melhores práticas deveria servir como subsídio didático para cursos de PostgreSQL, deveria conter inúmeros exemplos práticos e conduzir o leitor ao erro. Sim, ao erro. Somente a pessoa que erra tem condições de aprender de fato. Não são os acertos sucessivos que nos fazem acertar, e sim os erros e como corrigi-los. Assim, eu imagino uma aplicação sendo construída a partir do seu início, e as decisões sendo tomadas no meio do caminho. Imagino o livro conduzindo a decisões e discutindo as implicações destas decisões. Imagino muita polêmica onde não há um único caminho correto a seguir. Imagino a coleta de diferentes opiniões que convidem o leitor a pensar e escolher o seu próprio caminho. Imagino exemplos concretos de como seria a implementação em cada um destes caminhos. A questão ao fim é mostrar “como” e não “o que”.

O livro passaria certamente por tópicos que não são específicos do PostgreSQL. Uma coisa interessante seria mostrar as diferenças da implementação do PostgreSQL com as implementações de outros bancos de dados, quando isso for comparável. Imagino particularmente comparações entre implementações do Oracle, DB2, SQL Server e MySQL. Imagino também comparações com o padrão SQL e comparações com versões anteriores do próprio PostgreSQL. Seria muito interessante abrir o jogo aqui. O PostgreSQL não é perfeito e nunca será. Se ele fosse perfeito a humanidade teria esgotado a sua insatisfação e imperfeição eternas. Poderia-se mostrar onde outros bancos de dados oferecem vantagens e desvantagens em relação ao PostgreSQL. Pode-se dizer o mesmo em relação ao padrão SQL, que não é perfeito. No entanto, melhor do que criticar o padrão SQL - afinal, querendo ou não é o padrão que nós temos - devemos comparar os Bancos de Dados tendo o padrão SQL como referência.

Imagino algumas premissas para escrever o livro:

  • Escrito a várias mãos. É preciso de alguém para organizar o livro, mas é preciso pegar o que há de melhor na especialidade de cada um. Uns conhecem melhor modelagem de dados, outros conhecem melhor que ninguém como ajustar a performance do seu servidor ou de uma consulta. Em momentos polêmicos, poderíamos citar mais de um autor e deixar o leitor tirar suas próprias conclusões.
  • Licença livre. Seria imprecindível adotar uma licença que permita a cópia e modificação do livro. Gostaria no entanto de preservar a contribuição de cada pessoa no livro. Já vi trechos da documentação do PostgreSQL em diversas apostilas por aí. Sim, daquele curso que você está pensando também. Acho que manter os créditos é uma questão de respeito. Cada um pode alterar o livro para as suas necessidades e utilizar da forma que melhor entender, mas por favor, cite os autores que lhe ajudaram.
  • Precisaria ser construído aos poucos. A idéia não seria juntar um monte de texto, revisar, publicar e abandonar. Muito pelo contrário, seria feito em capítulos, sendo que qualquer capítulo poderia sofrer acréscimos e correções a qualquer momento, eternamente.
  • Precisaria ser construído via Internet. Não há como um projeto colaborativo prescindir do uso da internet. Não tenho certeza sobre a ferramenta correta a se adotar. Imagino que ao mesmo tempo deveria ser tão simples como usar uma ferramenta de escritório, fácil de se transformar em outros padrões como SGML (utilizado na documentação oficial), fácil de agregar novos colaboradores como uma ferramenta Wiki e tavez tão universal como o Google Docs.
  • Precisa de um case real a ser desenvolvido. Para que os exemplos se tornem consistentes ao longo do livro, precisaríamos eleger um problema inicial a ser desenvolvido sob diferentes aspectos. Num determinado ponto do livro, chegaríamos a um pequeno grupo de tabelas e demais objetos que seriam explorados por todo o restante do livro. Só precisaríamos definir algumas regras de negócio bem básicas para que o exemplo se desenrole pelo restante do livro. Algumas licenças poéticas poderão ser admitidas, pois algumas técnicas só fazem sentido quando temos centenas de transações concorrentes ou tabelas com milhões de registros. A minha idéia inicial seria utilizar o pagila que já é mantido pela comunidade e vai sendo atualizado conforme novas versões do PostgreSQL vão surgindo. Ele pode ser tão simples e auto-explicável quanto se queira e também pode possuir graus de complexidade bem grandes para exemplificar algumas coisas;
  • O público alvo seriam novos DBAs PostgreSQL, que podem ser estudantes, desenvolvedores, administradores de sistemas ou mesmo DBAs que estejam acostumados com outros bancos de dados.
  • Deve ter profundidade na sua abordagem. Se sabemos que é possível fazer de algum jeito alguma tarefa, temos que mostrar como. Isto significa ter de desenvolver scripts e procedimentos em diversos pontos, bem como demonstrar a sua utilização com testes reais.
  • Citar com cuidado e precisão. Realizar citações com links para a origem com a maior freqüência possível e apenas de fontes com boa credibilidade.

Possíveis tópicos a serem abordados:

  • Implementando uma aplicação:
    • Ferramentas de trabalho: editores de texto em Windows e *nix, em modo gráfico e texto, formas de se trabalhar no dia-a-dia.
    • Modelagem básica: criação de tabelas, PK, FK;
    • Padrões de codificação: case sensitive, nomes para objetos, codificação explicita X implícita;
    • Domínios e tipos de dados;
    • Sequências e o uso de chaves artificiais e naturais;
    • ORDER BY, WHERE, GROUP BY, usos práticos;
    • Visões e visões atualizáveis (utilizando o RULEs);
    • Dados hierárquicos, abordagens possíveis;
    • Exportação de dados com dump, copy e PL;
    • Joins e subselects na clausula FROM, WHERE e SELECT;
    • Trabalhando com números: Localização, formatação;
    • Trabalhando com data e hora: Localização, internacionalização, conversão, formatação;
    • Trabalhando com texto: codificação de caracteres, internacionalização, conversão, formatação e manipulação;
    • Busca textual;
    • Desnormalização controlada: Gatilhos, funções e visões materializadas;
    • Uso de esquemas;
  • Trabalhando com dados binários:
    • Tipos de uso por tamanho de arquivos, volume total, tipo de acesso e concorrência;
    • Uso do Bytea, OID e sistemas de arquivo;
    • Desempenho, flexibilidade e confiabilidade;
  • Autitoria:
    • Campos de auditoria;
    • Tabelas de auditoria;
    • Logs de auditoria;
    • Ferramentas de auditoria;
  • Segurança:
    • A rede, o SO, o PosgreSQL e a aplicação;
    • Ambiente de produção, homologação e testes;
    • Arquitetura da aplicação e estratégias de autenticação;
    • Encriptação de dados;
    • Obfuscando código;
    • Contornando falhas de segurança;
  • Monitoramento de usuários:
    • Descobrindo o que os usuários estão fazendo no banco;
    • Locks de tabelas;
    • Uso de índices e estatísticas de uso;
    • Logs externos ao banco;
  • Backup e Alta Disponibilidade;
    • Escolhendo a melhor estratégia;
    • Backup Lógico;
    • Transferindo dados entre bases;
    • Backup físico off-line;
    • Point-In-Time-Recovery;
    • Backup físico on-line;
    • Stand by;
    • Replicação assíncrona;
    • Replicação síncrona;
  • Discos:
    • Planejando o volume de dados;
    • Particionamento do servidor;
    • Volumetria e monitoramento;
    • Distribuição de carga e uso de Tablespaces;
    • Sistemas de Arquivo;
    • LVM;
    • RAID por software e hardware;
  • Instalação e Manutenção:
    • Compilação X Pacotes binários;
    • Testando e migrando de uma nova versão;
    • Flexibilidade para o ambiente de testes;
    • Segurança para o ambiente de produção;
    • Simetria entre ambientes;
    • Isolando ambientes no mesmo servidor;
    • Autovacuum manual, automático, full;
    • Reindex;
  • Integrando aplicações:
    • DBLink;
    • DBILink;
    • Cargas de dados com dump, copy , via aplicações e outros métodos;
    • Validação, e auditoria na integração;
  • Desempenho:
    • EXPLAIN e ANALYZE;
    • PREPARED STATEMENT;
    • Subconsultas;
    • Monitoramento avançado;
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Lembro-me de uma palestra do Sr. Sérgio Amadeu dirigida a um público de professores. Ele fez estremecer e até causou indignação na platéia com a famosa paródia do professor que vivia há mais de 100 anos atrás e se teletransporta para os dias de hoje. Ao ser colocado numa sala de aula ele reconhece os mesmos instrumentos de seu tempo: o giz e a lousa. Ele entra em sala e assume o controle como se nada houvesse mudado. É claro que a paródia é uma provocação, mas traz um fato curioso: a aversão de muitos professores à tecnologia na educação. Há um lado sombrio da tecnologia que a cada dia mais quer substituir a relação direta entre professor e aluno por máquinas. Isto não é de hoje. Na década de 60 o governo criava um programa de educação por rádio. O detalhe é que a intenção era alfabetizar adultos… você consegue imaginar um adulto analfabeto aprendendo a escrever só de escutar um programa no rádio? Depois vieram os Telecursos onde uma pessoa colocava uma fita num vídeo cassete para uma classe e ia embora. Esperava-se que a classe conseguisse aprender assim. Também não deu certo, é claro. Hoje as tentativas de educação a distância apostam todas as suas fichas na Internet e a onda da Web 2.0 . Se é bom ou não, o tempo vai dizer. Sei que as pessoas autodidatas aprendem via Internet participando de listas de discussão, IRC, lendo artigos e livros muito antes de toda essa moda. Mas a média da população não é autodidata. Na verdade, a média da população lê muito pouco e lê material de baixa qualidade. Não quero desmerecer as pessoas que gostam de ler “Bianca”, “Revista Caras” ou gibi da “Turma da Mônica”. A questão é que se trata de uma literatura que não convida o leitor ao raciocínio e apelam muito para imagens de pessoas e ações. Idéias, são artigos raros. Da mesma forma, a Internet reproduz esta pobreza intelectual da mídia impressa, televisiva e radiofônica.

Com um histórico desses, não é a toa que tantos professores tenham medo de tecnologia. Um dia um professor me disse: “Eu não tenho nada contra tecnologia, eu apenas continuo acreditando numa coisa chamada professor”. E esta é uma coisa fantástica. A relação professor-aluno e o efeito do conjunto é muito importante. Por mais que os nossos colegas hackers autodidatas se comuniquem frequentemente a distância, os eventos presenciais são sempre muito importantes. Assim sendo, mesmo para a nata dos intelectuais, mesmo entre os mais acostumados com tecnologia, o contato presencial é fundamental e valioso.

No Brasil, o buraco é mais embaixo. Este buraco vem de um longo investimento da delapidação da educação. Isto começou no auge da ditadura militar em 68 e o impacto disso levou décadas para ser percebido. Digamos que alunos e professores que gostavam que criticar o governo não eram bem vistos. Alguma coisa tinha que ser feita. E foi feito. Apesar disso, houve um notável avanço da educação no final da década de 80 sob a bandeira da “Educação pública, gratuita, laica, de qualidade com acesso e permanência para todos”. Foi um movimento de reação ao fim da ditadura militar. O ensino público foi universalizado no Brasil como direito de todos e um dever do Estado. Novas propostas de ensino saíram de pequenos grupos de ensino e ganharam as escolas públicas. Foi um período de grande efervescência no Brasil. Paulo Freire ainda vivia e foi reconhecido pela sua obra dentro do seu país natal.

Mas a década de 90 foi cruel para a educação. Enquanto se ampliava o atendimento público no ensino fundamental, o investimento na educação diminuiu constantemente ao mesmo tempo em que a obrigação do Estado com outras modalidades de ensino eram reduzidas. O chamado custo/aluno caiu drasticamente e o salário dos professores foi mais uma vez achatado. A nova pedagogia que ganhava força na década de 80 foi reformulada e implantada sem o menor critério ou preparação. Temas transversais, construtivismo e ciclos foram empurrados para os professores que a esta altura já tinham passado por um ciclo completo de degradação: tiveram eles mesmos uma má educação básica, uma má formação em nível superior, uma má formação continuada no local de trabalho, um péssimo salário e condições de trabalho muitas vezes dignas de um presídio. Com a implantação equivocada dos ciclos e a aprovação automática, o governo ganhou números espetaculares de atendimento e um consequente aumento no IDH. O número de alunos ingressando no ensino médio e depois no ensino superior explodiu. Os famosos supletivos se transformaram em universidades particulares da noite para o dia, com uma qualidade tão duvidável quanto a dos supletivos que eles mantinham. As universidades particulares cresceram tanto que parecem grandes shoppings da educação. O professor desta faculdade se tornou um elemento indesejável numa transação entre o aluno e a faculdade. A faculdade quer vender o diploma, o aluno quer comprar e o professor fica lá no meio atrapalhando ambos. E eis que surge a educação a distância melhorando a transação comercial onde o professor já quase não atrapalha mais!

Há alguns anos atrás eu recebi um convite informal para analisar os dados do SAEB. Eu gostaria de comentar extra-oficialmente algumas conclusões interessantes. A primeira é que o SAEB não serve como amostra estatística fidedigna, uma vez que a forma como os dados são coletados são ruins. Não é feita uma amostragem estatística (a mesma que fazem nas pesquisas eleitorais) o que gera uma enorme distorção. A forma como o questionário é criado e preenchido também gera inúmeros problemas. Em resumo os cruzamentos estatísticos revelaram inúmeros furos nos dados. Então o máximo que podemos avaliar são algumas tendências, mesmo assim frágeis sob o ponto de vista científico.

Houve uma tendência em particular que chamou atenção na época. Havia uma pergunta sobre cursos extracurriculares. A maioria das pessoas que fizeram cursos de línguas estrangeiras tiveram notas bem acima da média. Outros cursos extracurriculares também apontavam para uma pequena tendência de notas acima da média com apenas uma exceção: informática. Isso mesmo, as pessoas que faziam apenas cursos de informática tinham em geral uma nota abaixo da média. Não é curioso? Não é não… pense bem… não é tão difícil assim para um jovem aprender a utilizar os recursos básicos de um microcomputador moderno sem fazer um curso.
Acredito que 90% dos cursos de informática, mesmo os mais avançados, sejam destinados a pessoas com dificuldades de aprendizado. Dificuldades que surgiram na sua educação básica. Dificuldade em pesquisar, comparar, criticar, esquematizar, resumir. O que lhes foi negado em sua educação básica foi o que as teorias Paulo Freire mais proclamava em seus livros: a capacidade de aprender a aprender, o senso crítico e a capacidade de ação para a transformação da sociedade. A informática pode ser uma ferramenta fantástica para desenvolver estas qualidades, mas se estes não forem despertadas já no ensino fundamental, de nada servirá. Investimentos em laboratórios de informática nas escolas, OLPC, podem ser muito interessantes para estimular a economia, mas tem um impacto negativo na educação se não tiverem um projeto pedagógico forte, com professores bem remunerados, com boa formação, salas menos superlotadas, tempo de planejamento de aula, e por aí vai. Lembro-me de uma ONG que montou um laboratório de informática no meio de uma tribo indígena. Foi muito bom, despertou a atenção da mídia e a ação ganhou muito destaque. Mas, veja bem… qual o impacto disso para os índios mesmo?

Tudo isso para chegar no ponto de comentar esta pesquisa que afirma que os alunos que pesquisam no computador tem pior desempenho na escola. Curiosamente a conclusão foi obtida com os dados do SAEB. Longe de questionar o resultado da pesquisa, parece que os dados fazem muito sentido para mim. Já não bastassem todo o caos da educação, pública e privada, chega agora essa tal de Internet para sacanear o professor outra vez! Anos de aprendizado copiando ditados, livros didáticos e enciclopédias nos trabalhos escolares deram vez agora a Internet. Ficou estupidamente fácil copiar sem esforço. O trabalho mecânico ao qual os alunos foram submetidos por anos a fio substituídos por alguns cliques no computador. Há professores que ainda se julgam expertos e exigem os trabalhos manuscritos. Então os trabalhos não são copiados mais manualmente do livro para o papel, são copiados manualmente da tela do computador para o papel. Genial, não?

A verdade é que os professores com má formação e maus salários, tendo que dar aula em duas ou três escolas para sobreviverem, mal lêem os trabalhos dos seus alunos. Se para alguém isso ainda lhe parece novidade, pense apenas que corrigir um trabalho de um aluno dá muito trabalho. Ocorre que os professores recebem praticamente apenas para trabalhar na sala de aula. O tempo remunerado para a preparação de aulas e correção de provas e trabalhos é quase nulo. Ou seja um bom professor tem de ser um herói para dar uma boa aula. Agora percebam que o professor está sendo destituído de suas poucas armas: a reprovação e a cópia. É claro que os professores poderiam fazer uma busca rápida na Internet e verificar se o texto foi plagiado ou não. Ao ler um trabalho de um aluno que você julga conhecer, você sabe quando ele está copiando ou quando ele está escrevendo com as suas próprias palavras. Mas isso dá trabalho, exige que você leia, que tenha acesso e tempo para pesquisar na Internet. Acima de tudo, isto exige que você ensine seus alunos a escrever, e isso sim dá muito trabalho. Não é a toa que vemos tantos alunos analfabetos funcionais cursando o ensino médio e faculdades particulares e ainda tirando boas notas.

No nível superior, as coisas se complicam um pouco mais, pois a questão da validade da informação começa a pesar nos braços dos poucos professores sérios. Não seria inteligente rejeitar como fonte de pesquisa a Internet como um todo. Mas também não é possível credenciar qualquer página da Internet como fonte válida para uma pesquisa acadêmica. Está posto aqui mais um complicador inusitado na vida dos professores. É bem verdade que não é porque um texto está impresso num livro em papel, isto signifique que ele é absolutamente digno de confiança. É bem verdade que os estudantes das “UNIBLA”s e “Faculdades Tabajara” deixaram há muito tempo de lerem os autores tidos como “clássicos” para utilizarem abordagens mais pragmáticas como os livros didáticos, apostilas e outras obras pasteurizadas. Lembro-me que faculdade eu recebia no começo de cada disciplina a bibliografia. O professor separava o material que ele considerava relevante para o aluno, como bibliografia obrigatória e complementar. Não haviam apostilas, não haviam livros que resumem as idéias de vários outros livros. A Internet só vem agravar mais ainda esta falta de seriedade no ensino. Uma vez que o livro didático e a apostila são a base da leitura do curso, como desabonar a enxurrada de artigos encontrados na Internet? O mais complicado é que em meio a artigos muito ruins com erros conceituais gritantes, você encontra material muito interessante, num formato mais interativo como blogs e fóruns. A agora, o que fazer?

Apesar de ter carregado com cores fortes as palavras aqui, eu diria que o buraco em que nos encontramos hoje não é tão feio quanto o pintado aqui… é muito pior! Os projetos como o OLPC são muito interessantes. Respeito muito a idéia do Sr. Negroponte. Mas com os investimentos tão pequenos na educação, eu ficaria muito feliz em ver os meus impostos sendo canalizados para esta coisa antiquada e fora de moda chamada professor.

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Segue abaixo o release do evento realizado pelo Centro Público que é a entidade que idealizou o “Fórum Regional de Software Livre do ABCD” e que hospeda o site do PSL-ABCD. Muitos dos membros do PSL-ABCD dão aula ou já estudaram lá. Vale a pena conhecer o trabalho do pessoal que é coordenado pelo grande Ernani!!!

Bem, quem tiver um tempinho, vale a pena ir lá! Segue também o link para o cartaz e para o site do Centro Público.

Entre os dias 29 de novembro e 2 de dezembro acontecerá a II Semana do Centro Público de Tecnologia da Informação em Software Livre Valdemar Mattei. Esta segunda versão, assim como a anterior, pretende divulgar o trabalho realizado pelo
Centro Público. Todas as atividades foram construídas com alunos e professores e são caracterizadas como a continuidade do processo de ensino e aprendizagem. Ocorrerão shows musicais e artísticos, além de peças teatrais, nº de mágica, dramatizações de textos consagrados etc. Dentro da programação contaremos com a presença do cantor e poeta popular Costa Senna e com a Banda Carne Loca. Também ocorrerão diversas oficinas e apresentações com temas variados, passando pelos conteúdos das disciplinas do núcleo comum (matemática, português, história, inglês, física etc.) e dos conteúdos da informática. Até a realização e manutenção de uma horta com ervas e plantas medicinais fará parte deste cronograma. Dentre as várias atividades destaca-se a programação de atividades utilizando a informática como instrumento/recurso no processo ensino e aprendizagem com softwares livres. Participe de nossas atividades. Sua presença muito nos honrará

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Agora é oficial, curso de PostgreSQL pela The Source.

Do dia 5 a 13 de dezembro, das 19 às 22:30 em São Paulo.

Vão ser 24 horas de curso abordando todo o uso SQL do PostgreSQL 8.1 incluindo a parte de PLpg/SQL.

Estou muito feliz em voltar a dar aula que é algo que eu sempre gostei muito de fazer. Particularmente, num curso de PostgreSQL fico mais feliz ainda, pois é um software que uso e defendo. Vai ser muito legal dar o curso, espero que o pessoal goste e seja o primeiro de muitos!

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Há muito que estou querendo escrever algumas coisas mais técnicas. Nunca sobra muito tempo… e estive só preparando palestras nos últimos tempos. Coloquei hoje as duas apresentações que realizei na secção de vídeos, o que parece ter funcionado. Mas ainda falta muita coisa pela frente:

- Tutorial de introdução ao PostgreSQL. A ideia seria mandar este tutorial para o site do PostgreSQL-BR para evitar as perguntas comuns nas listas de discussão.

- Algumas traquinagens SQL que uso com frequência por aqui. Talvez eu comece mesmo por aqui!

- Alguns artigos sobre Educação e Software Livre que me inspirei a escrever como parte do meu TCC na faculdade como:
- O ensino da informática em seus diversos níveis: Livre, Fundamental, Técnico, Médio e Superior
- Adestramento Tecnológico X Educação com Software Livre
- Ferramentas em Sotware Livre para usar na sala de aula.
- A ética hacker e a educação

- Um guia de instalação do Oracle9i e do PostgreSQL8.x (compilando) no Debian (possivelmente para o DebianZine)

Não sei por onde começar, sei que tenho que preparar uma apostila para o curso que vou dar de PostgreSQL, portanto pode ser que algumas coisas aqui tenham que esperar um pouco. Mas já deixo aqui registrado para eu não esquecer…

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