Bom, eu bem sei que não ando postando novos artigos por aqui. Mas, enquanto os longos artigos não voltam, vamos mexendo numa coisa aqui e outra ali. Dei uma boa melhorada na galeria de imagens:
Agora resolvi brincar com as enquetes. Não sei se vai vingar. Depende mesmo do número de pessoas que vão votar. Se tiver um número razoável, prometo ir atualizando por aqui.
Segue a primeira, que não poderia ser muito diferente. Em breve, algumas mais polêmicas devem se seguir. Aguardo os votos do pessoal.
Com qual banco de dados você trabalha em produção a maior parte do tempo?
Sim, após a brincadeira infame de 1º de abril que postei aqui sobre a compra do MySQL… não é que vem a Oracle e faz uma oferta pela Sun? As coisas parecem que não andam muito bem para a gigante IBM. No ano passado a HP comprou a EDS por 14 BI esquentando a concorrência no setor de serviços, e agora é a Oracle que compra a Sun pela ninharia de 7BI. Para se ter uma idéia de como isso é pouco, a Oracle pagou no começo do ano passado 8,5 BI pela BEA e a Sun pagou 1 BI pela MySQL AB. Em tempos de crise quem tem dinheiro em caixa é rei…
E assim como o Yahoo se negou a ser comprado pela Microsoft (por cifras astronômicas em tempos pré crise), a Sun parece ter não gostado muito da oferta da IBM e aceitou uma oferta ligeiramente superior da Oracle. E zilhões de dúvidas vem a cabeça. E agora o que serão dos projetos livres da Sun? Java, OpenOfficce, MySQL, Solaris e por aí vai. Ninguém sabe… mas a primeira coisa que percebemos é que o mercado corporativo de TI vai se afunilando entre gigantes como IBM, Microsoft, HP, Dell e Oracle. Mas seria bom dar uma olhada na Oracle um pouco mais de perto.
A Oracle surgiu como um dos primeiros SGDBs relacionais do mercado, logo depois do DB2 da IBM. Se é verdade que o DB2 ainda dita a maior parte do padrão ISO SQL, a Oracle já lidera claramente este mercado há alguns anos;
Se é verdade que até a década de 90 a Oracle se firmou no mercado como desenvolvedora do maior banco de dados do mercado, também é verdade que ela virou a mesa e tem hoje uma suite completa de soluções de grande porte:
Se por um lado a Oracle tem uma política de licenciamento que lhe cobra por uma base de testes, um stand by e possui inúmeras funcionalidades e parâmetros não documentados nos seus produtos, oferece o download livre para qualquer um baixar e testar seus produtos e uma enorme biblioteca de documentação pronta para baixar e imprimir, em versão PDF ou HTML.
Sim, a Oracle investe em Software Livre sim. Tem inclusive um portal para isso, o http://oss.oracle.com/ com projetos como o OCFS2 e o Btrfs, dois poderosos sistemas de arquivos. Além disso, a Oracle tem uma contribuição intensa no kernel do Linux já faz um bom tempo.
Sim, a Oracle tem uma política monopolista e compra tudo que está a sua frente. Mas ao contrário de querer dominar a Internet, como a Microsoft e o Google, o foco da Oracle é bem claro: soluções corporativas para grandes empresas. E diga-se de passagem, ela tem crecido numa velocidade incrível neste segmento. Porém, se a excelência de suas soluções em banco de dados deram uma fama de competência e confiabilidade em seus produtos, o mesmo não se pode dizer sobre as suas demais aplicações que rodam sobre o seu banco de dados. O Oracle Aplication Server é uma colcha de tecnologias livres empacotadas como um monstro de várias patas e nenhum cérebro. E vai a Oracle já avisando que depois de abandonar o terrível Forms e Reports, vai abandonar o fiasco do OAS também em função de uma plataforma Java melhor… é esperar para ver. Os seus ERPs também não são a oitava maravilha em termos de tecnologia (ALGUM É)???? O PeopleSoft por exemplo não tem uma única chave estrangeira no banco de dados, fazendo toda a integridade referencial dentro da aplicação. Não é bem o que a Oracle sempre pregou nos seus manuais.
O suporte da Oracle é muito eficiente, funciona 24/7 de verdade. Podem lhe atender no Brasil, EUA, Japão, Índia ou onde quer que seja necessário para atendê-lo em qualquer horário. Mas veja: o nível básico de suporte (independente no nome bonito que se dê) por e-mail, dá um trabalhão para abrir um chamado. Uma das coisas mais irritantes no site de suporte da Oracle é que eles utilizam tecnologia da Oracle para montar o portal web. É horrível, quem está acostumado com o Gmail e outras interfaces cheias de Ajax como o Wordpress sabe o quão terrível é o metalink da Oracle. Fizeram uma versão nova com uso de Flash… piorou!
Então se por um lado a Oracle tem tradição com Software Livre, não tem foco em produtos na linha do MySQL e do OpenOffice. É claro que se é para minar a concorrência com a Microsoft pelo mercado de médio porte, pode não ser má idéia investir um pouco neles, mas não acredito que será o foco principal deles. É claro que podem surgir estratégias inovadoras junto ao MySQL… ele pode se tornar mais aberto ao Oracle e virar um novo Times Ten, mas não acho que vai perdes suas características atuais. Manter o Marketshare do MySQL, apesar de não trazer muito lucro será muito bom para a Oracle que pegará duas pontas do mercado. Já o Solaris o Java são com certeza algo de interesse por parte da Oracle. Veja que o Btrfs que a Oracle criou é baseado no ZFS que por problemas de licenças da Sun, não pode ser agregado ao Linux que usa GPL. Daí se vê a preocupação da Oracle com algumas boas tecnologias encontradas no Solaris. O Java então… toda a suite que roda sobre os bancos de dados Oracle usa Java. Isso sim é um tiro certeiro. Já os servidores SPARC são bons competidores para os servidores da HP e IBM. São caros, mas tem um mercado cativo ainda bem definido em soluções de grande e médio porte.
Mas temos um perdedor claro aqui: o PostgreSQL que vinha sido apoiado pela Sun está certamente fadado a perder esta condição. É claro que existem outras e muitas outras empresas apoiando. Mas a ausência da Sun será sentida, com certeza.
OBS: O artigo do Peter Eisentraut é bem interessante. Acho que concordo com quase tudo que ele diz. Vale a pena dar uma olhada lá.
Quem estava no OSCON 2008 viu… O Sr. Josh Berkus desenvolvedor do PostgreSQL em luta franca com Monty Widenius fundador do MySQL. E digo mais, o Josh apanhou feio! Confira o vídeo:
Ok, a notícia é velha, mas uma coisa é verdade: os eventos de Software Livres são realmente divertidos. Bem que a gente podia fazer umas coisas assim por aqui.
O lançamento do Drizzle não é notícia nova mas, é realmente interessante. Ao invés de comentar o assunto, veja o que dois grandes desenvolvedores do PostgreSQL dizem sobre o assunto, o Sr. Josh Berkus e o Sr. Bruce Momjian. Vale a pena conferir o post do Guto Carvalho também.
Bom, vou lhes dizer que eu concordo com os mestres em gênero número e grau. Vejamos como a Sun vai reagir quanto a isso no caminho. Alias, o Sr. Josh Berkus escreveu sobre o Drizzle logo após anunciar sua saída do time da Sun. Ele ainda não falou para onde vai, mas já apresentou quem será o seu sucessor, o Sr. Peter Eisentraut, outro grande desenvolvedor do PostgreSQL.
Não percam os próximos capítulos desta saga que promete muitos lances curiosos no caminho.
A Evans Data Corporation realizou uma pesquisa com 1400 usuário de bancos de dados em todo o mundo para saber o que eles acham dos principais SGDBs do mercado. A pesquisa virou matéria na InformationWeek que por sua vez foi comentada pelo Sr. Lewis Cunningham.
A pesquisa envolveu os seguintes bancos de dados:
Informix Dynamic Server
IBM DB2
Microsoft SQL Server
MySQL
Oracle Database 10g or later
PostgreSQL
Sybase Adaptive Server
Os critérios de avaliação foram:
Performance
Funcionalidades de segurança
Scalabilidade vertical
Atomicidade
Consistência
Isolação de transações
Durabilidade das transações
Qualidade das ferramentas de modelagens
Suporte ao XML
Suporte a Multiplatforma
Qualidade das ferramentas de gerenciamento inclusas no banco de dados
Qualidade das ferramentas de gerenciamento avaliáveis por outros fornecedores
Suporte a linguagens de programação
Antes de comentar sobre os resultados, é preciso dizer que a pesquisa é sobre a percepção dos usuários e não sobre testes de laboratório. portanto não reflete características reais dos softwares em questão e sim o que os seus usuários pensam deles.
Os resultados:
A Oracle ficou em primeiro lugar em todos os critérios. Com o lançamento do 11g no ano passado eu imagino que toda a campanha de marketing esteja ainda viva na memória das pessoas, mas a posição não é de toda desmerecida. Particularmente, acredito que as ferramentas de monitoramento e gerenciamento da Oracle sejam realmente excelentes. Mas acredito que nos itens relativos a ACID (Atomicidade, Consistência, Isolação e Durabilidade) o DB2 rodando em mainframes ainda seja lider absoluto. O DB2 ficou em segundo lugar, mostrando que a Oracle realmente conseguiu cativar os corações do pessoal de TI. Também senti falta da Teradata como competidor, que é líder na área de Data Warehouse e teriam batido a Oracle e o DB2 nesta área. Pelos ítens da pesquisa, o foco foi avaliar os competidores que se destacam na area de OLTP.
O MySQL foi o terceiro SGDB mais bem avaliado no geral. Apesar disso ter ficado longe no ranking no que diz respeito a ACID, escalabilidade e funcionalidades de segurança. O que puxou sua nota para cima foi a sua avaliação em suporte multiplataforma (2º lugar), performance (3º lugar), qualidade de ferramentas fornecidas por 3ºs (3º lugar) e suporte a linguagens de programação. Acho que a avaliação reflete bem o status do MySQL, sua popularidade e suas características de bicicleta de velódromo: é leve e rápido, mas não tem freios, câmbio, etc. O lançamento do falcon é a promessa de mudar isso. Particularmente eu gostaria que o MySQL continuasse exatamente do jeito que ele é, pois se torna uma ótima opção em sites web dinâmicos, que não se preocupam muito com transações.
O MS SQL Server foi mal em suporte multiplataforma (ok, isso é óbvio) e performance. Se destacou na parte das ferramentas de modelagem, gerenciamento e suporte a XML.
O PostgreSQL não foi muito bem… foi mal avaliado nas ferramentas de gerenciamento, modelagem, suporte a XML. No entanto foi bem avaliado em ACID e em funcionalidades de segurança. Estas avaliações positivas são importantes, pois demonstram a percepção dos usuários de que o PostgreSQL é confiável. Uma zebra ocorreu na parte de suporte a plataformas, pois o PostgreSQL deveria ser melhor avaliado aqui. Veja por exemplo que ele roda em FreeBSD uma plataforma para poucos.
O PostgreSQL foi o que teve a segunda pior avaliação Mas estamos em 2008 e apesar do nome da pesquisa, ela foi conduzida em dezembro de 2007. Com o lançamento do PostgreSQL 8.3 algumas coisas mudam na avaliação: a performance melhorou muito e o suporte a XML também. Isto já seria motivo para o PostgreSQL subir vários pontos e encostar no Oracle e no DB2.
O que temos que perceber é que o PostgreSQL vem se desenvolvendo sobre terreno firme. Com a parte de ACID bem resolvida, é possível crescer sem ter que abrir mão da segurança. A performance do PostgreSQL vem crescendo numa taxa que o coloca entre os líderes desta categoria. Algumas funcionalidades que precisam ser melhoradas como a parte de particionamento de tabelas já estão sendo trabalhadas para a versão 8.4. Assim, o que os usuários ainda sentem falta (veja o histórico das listas do PostgreSQL e você verá que isto é recorrente) são de ferramentas de monitoramento, gerenciamento e modelagem. Ainda há muito o que se trabalhar nesta área. Mas acredito que isto seja uma questão que se resolverá. O PostgreSQL tem evoluído muito na quantidade de funções e tabelas de sistemas capazes de fornecer informações úteis para o DBA. O pgsnmpd deverá abrir as portas para o gerenciamento corporativo. O que falta são ferramentas mais amigáveis. Isto não será problema. Já vemos coisas muito promissoras neste sentido. O PostgreSQL está sedimentado sobre uma base sólida, a parte do acabamento virá naturalmente.